Pelourinho Um morto renitente No título de uma chamada da edição electrónica do Jornal de Notícias de 7 de Março de 2008 afirmava-se com todas as letras: «Cliente foi várias vezes esfaqueado mortalmente por proprietário de loja.» Imagina-se o cliente a levar uma facada, morrer e depois ressuscitar para levar outra mortal e assim sucessivamente. João Alferes Gonçalves (1944 — 2023) · 8 de março de 2008 · 3K
Ensino De Camões a Manuela Moura Guedes É um ditame constante das “novas” pedagogias: abordar as matérias indo ao encontro do tipo e do nível de saberes e interesses dos alunos. Peço ao leitor o esforço de imaginar uma aula de Português. O professor dá início ao estudo de Os Lusíadas. «Cessem do sábio Grego e do Troiano/As navegações grandes que fizeram.» Quem são o sábio grego e o troiano? São Ulisses e Eneias, respectivamente. Porque é que o poeta não disse logo os nomes deles? Ana Martins · 6 de março de 2008 · 2K
Pelourinho Informação algo nebulosa É certo que há dicionários que registam nubloso e nubiloso como sinónimos de nebuloso, mas é bom não esquecer que nebulosidade, como névoa, é descendente do latim nebula e não do latim nubes (que deu nuvem). Nebulosidade, única forma dicionarizada, é a qualidade do que é nebuloso (do latim nebulosus). João Alferes Gonçalves (1944 — 2023) · 3 de março de 2008 · 3K
O nosso idioma A empresa tinha aceite ou tinha aceitado? «A empresa tinha aceite» uma determinada proposta, ouviu-se (…) num noticiário. «Tinha aceite» ou «tinha aceitado»? «Tinha entregue» ou «tinha entregado»? «Tinha eleito» ou «tinha elegido»? A dúvida pode surgir porque estes verbos têm dois particípios passados, um regular, com a terminação em -ado ou em -ido (aceitado, entregado, elegido), e um irregular, reduzido (aceite, entregue, eleito). Existindo as duas formas, vamos, então, ver em que situações se utilizam. Maria Regina Rocha · 29 de fevereiro de 2008 · 77K
Acordo Ortográfico // Controvérsias No teatro das "inoperações" No enredo do Acordo Ortográfico todos estão a desempenhar um mau papel. O texto do Acordo em si tem contradições, omissões e instabilidade de critérios, já notadas logo desde 1986. Para além disso, permite manter muitas divergências ortográficas entre os países lusófonos. Ana Martins · 25 de fevereiro de 2008 · 4K
Acordo Ortográfico // Controvérsias Novos argumentos a favor do Acordo Ortográfico As pessoas que se opõem ao novo acordo insistem em argumentos novos, alguns sem grande justificação ou nos quais há nítida intolerância. Neste artigo procura-se rebater esses argumentos. 1 – Esclarecimento prévio 1.1 Defensor do novo acordo, isso não significa que o considere absolutamente perfeito. Penso que, quando se altera a língua, a mudança deve ser profunda (como a de 1911), para evitar novos ajusta... D´Silvas Filho · 22 de fevereiro de 2008 · 11K
O nosso idioma Dicionários Portugueses, Breve História A lexicografia começou a estruturar-se como disciplina linguística desde a primeira metade do século XVI, em vários centros humanísticos europeus. Foi inicialmente motivada pelas solicitações do ensino do latim como língua não materna, e encontrou na técnica tipográfica uma condição determinante para a sua configuração e difusão. Telmo Verdelho · 18 de fevereiro de 2008 · 6K
Acordo Ortográfico // Controvérsias Novo ministro da Cultura português espera «ratificação rápida» do Acordo Ortográfico O novo ministro da Cultura [português], José António Pinto Ribeiro, [em declarações à agência Lusa, em Madrid, onde se encontrava em visita oficial à Feira Internacional de Arte da capital espanhola], considerou que deve ser o mercado e não moratórias a resolver a aplicação do Acordo Ortográfico, manifestando-se esperançado numa ratificação rápida do respectivo Protocolo Modificativo. 18 de fevereiro de 2008 · 4K
Lusofonias Gilberto Freyre na Índia e o “luso-tropicalismo transnacional” Um projecto para os próximos decénios Não venho fazer um elogio comemorativo dos 100 anos do nascimento do antropólogo-sociólogo brasileiro Gilberto Freyre, mas também não trago denúncias que se possam acrescentar ao repertório dos analistas do Estado Novo. Aceitei o convite para educar-me a mim. Tenho uma oportunidade de fazer uma leitura crítica de dois escritos de Gilberto Freyre. Poderei assim fazer alguns reparos sobre o “luso-tropicalismo” gilbertiano, t... Teotónio R. Souza (1947-2019) · 18 de fevereiro de 2008 · 7K
Pelourinho Ao lado e em cheio Nenhum falante conhece todas as palavras da sua língua materna. Por exemplo, escaque, soleto ou epónimo são palavras de que, seguramente, a maioria dos falantes nativos do português nunca ouviu falar. Ana Martins · 16 de fevereiro de 2008 · 2K