Pelourinho A gente + verbo na 3. ª pessoa do singular «Quando a gente confia, arrependemo-nos quase sempre», escreveu Joaquim Letria, na sua coluna diária do jornal “24 Horas” de 24 de Outubro p.p. Com o termo «a gente», os verbos dependentes (“confiar” e “arrepender-se”) têm de ir para a 3.ª pessoa do singular: «Quando a gente confia, arrepende-se quase sempre»” Se se quiser subentender o sujeito “nós”, então, ambos os verbos deverão ir para a 1.ª pessoa do plural: «Quando confiamos, arrependemo-nos quase sempre.» Maria Regina Rocha · 25 de outubro de 2006 · 4K
Pelourinho Mais bem ‘vs.’ melhor Melhor ( comparativo de bom) e mais bem (comparativo de bem) continuam com as voltas trocadas…na televisão portuguesa. Dois (maus) exemplos recentes: «Os próprios trabalhadores da PT são os primeiros a querer que a empresa progrida, seja melhor gerida (...).» «Na luta pelo título [da Fórmula 1], Fernando Alonso está melhor classificado e, por agora, a situação parece correr a favor do piloto espanhol.» Numa e noutra frases, errou-se no emprego do melhor – em vez do mais bem Maria Regina Rocha · 25 de outubro de 2006 · 41K
Pelourinho «Um dos que» + verbo no plural Judite de Sousa, “Telejornal”, RTP-1, 22 de Outubro p.p., sobre o mau tempo em Portugal: «O Porto é um dos onze distritos que está em alerta laranja». O verbo deveria ter ido para o plural («O Porto é um dos onze distritos que estão em alerta laranja»), pois a expressão «um dos» + substantivo + que leva o verbo para o plural. No caso, o sujeito de «estar em alerta» são os onze distritos: há onze distritos que estão em alerta e o Porto é um deles. Cf. Sou um dos que dizem Maria Regina Rocha · 24 de outubro de 2006 · 4K
Pelourinho Ainda o modismo «É suposto...» Frase do jornalista e crítico de televisão, Miguel Gaspar, indagado no programa "A Voz do Cidadão" na RTP-1, no passado dia 21 de Outubro: (...) Maria Regina Rocha · 23 de outubro de 2006 · 7K
Pelourinho Défice + ter de/ter que A palavra latina “defice” há muito que se encontra aportuguesada, na feição natural da nossa língua: défice – é assim que se recomenda na sua prosódia. Foi o que não se ouviu ao que se ouviu ao secretário de Estad... Maria Regina Rocha · 20 de outubro de 2006 · 2K
Pelourinho «Examinam-se (e não “examina-se”) as gengivas» «Para além do estado dos dentes ou da falta deles, examina-se também as gengivas», ouviu-se há dias no “Telejornal” da RTP-1. «Examinam-se também as gengivas» é como devia ter sido dito. É uma situação semelhante a «vendem-se casas» ou «arrendam-se apartamentos», em que o verbo, usado com a partícula apassivante se, concorda com o plural que se lhe segue. Maria Regina Rocha · 16 de outubro de 2006 · 4K
Pelourinho Importa-se de traduzir outra vez? O que é que esperamos de um título como este Viagem por um País Longo e Estreito (Travel in a Thin Country)1? Esperamos encontrar o que se encontra nos bons relatos de viagem: a experiência vicária de uma ida e de uma chegada; o fascínio sempre renovado pela descoberta de um novo local; a diversidade dos testemunhos recebidos. Tudo isso está no livro. Há, porém, em muitos passos da tradução para o português opções muito questionáveis. Eis um restrito número de exemplos. Ana Martins · 13 de outubro de 2006 · 3K
Pelourinho «… relutantes em publicar (e não “publicarem”) resultados» «O emprego do infinitivo é um dos pontos críticos da Língua Portuguesa. Quando é que se deve utilizar o infinitivo não flexionado (publicar) e quando o flexionado (publicar eu, publicares tu, publicar ele, publicarmos nós, publicardes vós, publicarem eles)? Por exemplo, no programa <a href="http://www.rtp.pt/wportal/sites/tv/notas_solta... Maria Regina Rocha · 11 de outubro de 2006 · 2K
Pelourinho A sério (e não “à séria”) «Uma médica à séria!», lia-se no jornal “24 Horas” do passado dia 9 de Outubro, repetindo o modismo, a contramão do português padrão. O termo a sério é o adequado. Significa «seriamente», «com ponderação», «com gravidade», «sem gracejos», «verdadeiramente», sendo também antónimo de «a brincar» (ex.: «Estás a falar a sério ou a brincar?»). Maria Regina Rocha · 10 de outubro de 2006 · 5K
Pelourinho Sujeito composto = verbo na 3. ª pessoa do plural «O primeiro-ministro [português, José Sócrates] não respondeu nem fez qualquer comentário aos apupos, que se prolongaram durante todo o percurso que o primeiro-ministro e a sua comitiva fez entre a entrada do palácio onde decorrera a reunião ministerial e a camioneta que aguardava a equipa governamental».2 O verbo fazer tem de ir para o plural: «O primeiro-ministro [português, José Sócrates] não respondeu nem fez qualquer comentá... Maria Regina Rocha · 9 de outubro de 2006 · 3K