DÚVIDAS

Sobre alguns aportuguesamentos
Antes de mais nada, parabéns pelo site! Gostaria de começar por referir duas palavras que encontrei em livros da editora Saída de Emergência: "dracares" e "escaldos". Fiquei chocado com estas grafias para palavras que, a mim, me parecem ser muito mais naturalmente escritas (como, aliás, sempre as escrevi,) drakars e skalds. Por diversos motivos: primeiro, são termos que procuram evocar um determinado ambiente (no caso, os livros eram de Fantasia Medieval) que "dracares" e "escaldos" falham em conseguir evocar. Segundo, chega a ser difícil até mesmo reconhecer o que significam estas palavras (admito que demorei vários segundos a aperceber-me do que queria o tradutor dizer com a palavra «escaldos»). Terceiro, sendo palavras tão específicas, faria sentido grafá-las de um modo a que se torne fácil descobrir o seu significado – e claramente haverá mais pessoas a saber o que é um skald do que um "escaldo". Por fim, não são palavras completamente assimiladas na língua portuguesa, sendo usadas com pouca frequência e quase sempre em contextos específicos (trabalhos especializados ou de Fantasia). Dados estes pontos, não faria mais sentido o uso do termo estrangeiro? Não estaremos a chegar ao ponto em que procuramos aportuguesar com uma frequência para lá do aceitável? Vem-me à memória o assustador «blecaute» que eu vi num site da Internet — ou deveria dizer, num «sítio»? Dito isto, fico na dúvida sobre se será correcto utilizar o termo original após a oficialização da norma portuguesa: escrever dossier em vez de «dossiê», palmier em vez de «palmiê», e, já agora, blackout em vez de «blecaute». A dúvida mantém-se no caso da pronúncia: sou «obrigado», digamos assim, a pronunciar /dɾɐkaɾɨʃ/ em vez de /dɹɑkɑɹz/?
Edite e Edith
Recorro aos vossos serviços no sentido de me auxiliarem com uma dificuldade com que me deparei hoje mesmo. Na semana passada fui pai, e desloquei-me, hoje, a uma conservatória de registo civil para proceder ao registo de nascimento da minha filha. A minha esposa pretende dar o nome da avó à nossa filha, ou seja, Edith, tal e qual o original. O funcionário informou-me de que não era possível, por não ser português, e que teria de ser Edite, apesar de a avó da minha esposa ser portuguesa por inteiro, sem qualquer relação com outras nacionalidades. Entretanto, regressei a casa para discutir o assunto em conjunto com a minha esposa, e decidimos pesquisar na Net o nome. Descobri que existem n "Ediths", mas também descobri que Edite é uma adaptação italiana, que por sua vez nós adoptamos. Pois bem, agradecia um esclarecimento da vossa parte, caso exista! Desde já agradecemos a vossa disponibilidade para connosco.
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