DÚVIDAS

Úmido vs húmido II
A resposta que D'Silvas Filho deu a uma consulta de 21.12.2007 sobre as variantes úmido e húmido sugere que a variante brasileira (úmido) inovaria relativamente à portuguesa (húmido), embora não escandalizasse (muito), mesmo nos «hábitos europeus» dos portugueses, já que dispensaria um h que não se pronunciava. É isto verdadeiro apenas em parte, já que, embora o período pseudoetimológico da ortografia nos legasse húmido, era originariamente umidus o étimo latino. Assim, o que era falso cultismo (húmido) se tornou, com o tempo, a forma popular, a qual os formuladores da ortografia oficial brasileira acabariam por preterir em favor do cultismo, este sim, etimologicamente correto, úmido. Não quero com isto sugerir que o étimo latino correto deva ser o parâmetro por excelência para a definição da aceitabilidade de determinada grafia, até porque, para mim, o parâmetro por excelência é o uso culto efetivo, real, nos nossos dias, pelo que úmido é errado em Portugal, e certo no Brasil, e húmido é errado no Brasil e certo em Portugal. A minha única intenção foi esclarecer que, diferentemente do que sugeriu D'Silvas Filho, não houve liberalidade brasileira, mas, pelo contrário, rigorismo.
O conector «por isso»
Agradeço um esclarecimento sobre o valor do conetor por isso no seguinte contexto: «Representamos as últimas gerações que ainda leem – somos uma espécie em vias de extinção. As tecnologias sem as quais já não vivemos, seja através dos conteúdos em streaming ou das aplicações que nos injetam dopamina no sistema nervoso, não foram concebidas para lhes resistirmos. Pelo contrário. Por isso, urge agir (…). As consequências no que respeita ao futuro das novas gerações já se anteveem.» Será conclusivo ou causal? Não conseguimos chegar a um consenso. Muito obrigada pela atenção e disponibilidade.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa