DÚVIDAS

O pronome consigo (português de Portugal)
Sou frequentemente corrigido desde que decidi – de acordo com o plasmado no livro de português adoptado para o 7.º ano de escolaridade – utilizar o pronome obliquo tónico com preposição consigo na presença dos pronomes pessoais você/ele/vocês/eles. Gostaria de saber se nas frases que se seguem o uso do pronome em causa está correcto: 1. Você viu o Agnelo, o meu filho mais novo? Eu presumi que ele estivesse consigo! 2. Vocês são responsaveis por estes dois casais de idosos. Eles deverão permanecer o maior tempo possível consigo aqui na sala de estar. 3. Patrão, eu entreguei a guia de transporte ao Mascarenhas, tenho a certeza!A guia tem de estar consigo. 4. Eles são os peregrinos mais obstinados e asseadinhos que conheço! Vou para todo o lado consigo...Lourdes, Compostela... Em meu entender apenas será consensual porque coloquial usar o consigo na primeira frase, usando-se na segunda frase o «com vocês», na terceira o «com ele» e na quarta o «com eles». Gramaticalmente será correcto usar o "consigo" nas quatro frases? Muito obrigado, desde já.
A pronúncia padrão de corifeu e cacheiro
Gostaria de colocar uma questão que tem que ver com a acentuação de palavras, mais concretamente, leitura de vogais: 1 - A primeira é corifeu. A minha dúvida é se leio "córifeu" (abrindo a vogal), "curifeu" (lendo como "u") ou "côrifeu" (fechando a vogal)? 2 - A segunda é cacheiro (significa «aquele que se esconde», mas também «veste rude, grosseira, gasta»). A dúvida é a mesma: abre-se a vogal "a" ("cácheiro") ou fecha-se ("câcheiro")? Muito obrigado.
O relativo «quanta»
Reparei que algumas gramáticas omitem o pronome relativo (terminologia brasileira) quanta (Celso Cunha...) e outras não (Evanildo Bechara...). Investiguei em várias e verifiquei que todas elas evitavam o tema nos exemplos. Pela investigação no Google tornou-se-me claro que quanta existia como pronome relativo no português antigo, quer com função de adjetivo, quer com função de substantivo, mas não consegui concluir em relação ao português moderno. Quais das seguintes frases podemos considerar corretas? A) Daquela água, ele bebeu toda quanta pôde. B) Daquela água, ele bebeu toda quanto pôde. C) Ele conseguiu tirar do motor toda quanta água nele tinha entrado. A mim, me parecem todas corretas, mas fico perplexo com a coexistência de A) e B). Por que é que algumas gramáticas não colocam quanta na sua enumeração exaustiva dos pronomes relativos, mas colocam quantas?
O uso da expressão «... tão único» II
Sobre a gramaticalidade da expressão «tão único», encontrei uma resposta no Ciberdúvidas que considera a expressão um "disparate". Não me parece que esta interpretação se ajuste aos dias de hoje e à evolução do adjetivo no nosso idioma e não só: por exemplo, em inglês, tornaram-se comuns expressões como "so unique" (sobre a evolução da palavra em inglês). Se consultarmos os principais dicionários portugueses, vemos que o significado de único já não se resume ao valor absoluto. Constata-se que único também pode significar «excecional», «superior aos outros», «especial», «incomum», etc. Ora, a partir do momento em que admitimos estes significados para único, parece-me que também temos de admitir, pelo menos em contextos "criativos", expressões como "tão único" ("tão especial", "tão superior aos outros", etc.). A comprovar esta tendência, uma rápida pesquisa na Web encontra mais de 100 mil ocorrências de "tão único", designadamente em inúmeras publicações, como livros, revistas, etc. Neste sentido, gostaria de conhecer a vossa opinião atual sobre o tema, agradecendo desde já a atenção.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa