«A terça parte»: quantificador numeral fracionário?
«A terça parte», correspondendo a «um terço», pode considerar-se um quantificador numeral fracionário?
Docente e discente
Sou professora de uma instituição de ensino brasileira e devo dizer que gosto muito do Ciberdúvidas, é uma fonte de consulta excelente!
Gostaria que me esclarecessem a seguinte questão: posso utilizar o termo discente como substantivo? Verifiquei no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa [da Academia Brasileira de Letras] que discente é adjetivo, mas tenho lido em vários documentos o termo «o discente». E o que dizer de docente?
Desde já agradeço sua atenção.
As formas regionais "deia" (= dê) e "vaia" (= vá)
Dos erros de língua que os falantes produzem, os que mais me inquietam são, sem dúvida, o desrespeito pela reminiscência do sistema casual latino (o célebre *«vi ela») e a falta de sensibilidade estética em colocando os pronomes pessoais com função de complemento (o não menos omnipresente *«porque sentei-me»). Logo a seguir vêm aquelas deformações expressivas das formas do presente do conjuntivo:
(i) «Estás pr'aí a estrabuchar... Tu queres é que eu te *"deia" uma boa palmadona!»
(ii) «Mas se tu não me falas, porque é que queres que eu *"vaia" à festa?»
Gostaria de saber se apontais alguma explicação para este arrebatado prolongamento tão caricato...
A etimologia de Isna
Gostaria de saber qual a origem da palavra Isna, que corresponde ao nome de uma ribeira situada nos concelhos de Oleiros e Sertã.
«Empurrar com a barriga»
Deparei-me, durante a leitura de um jornal brasileiro (Folha de São Paulo), com a expressão «empurrar com a barriga». A título de curiosidade, tentei encontrar a origem da palavra empurrar, e os dicionários gerais nada me dizem sobre sua etimologia. Na mesma expressão, também não sei da etimologia de barriga. Enfim, saberiam me dizer a origem das palavras empurrar, barriga e de que forma elas formaram partes desta expressão idiomática?
«Panos de vinagre»
Durante a leitura do livro Luzia-Homem, obra datada de 1903, do escritor brasileiro (e de Sobral, estado do Ceará) Domingos Olímpio, deparei com a expressão «ficar a panos de vinagre» no contexto «Tivera eu a sua força, não precisaria de arma: quebrava-lhe a cara safada que ficaria a panos de vinagre» (Domingos Olímpio, Luzia-Homem, cap. IV, p. 13). Desconfio que a locução, de cunho idiomático, é herança lusitana. Diz-se assim em Portugal também? E, se sim, qual o sentido?
Alto-astral
É sempre um prazer, para mim, solicitar sua opinião. Sendo a Rede Globo uma formadora de opinião, não considera o nome da novela Alto Astral ser grafado fora do padrão linguístico, já que após alto sempre haverá hífen, exceção única em altoplano, que aproveito para perguntar se há um porquê para altoplano não ter hífen?
Agradeço a atenção.
«Assim é que há de dizer...»: atos ilocutórios
Relativamente ao enunciado «Assim é que há de dizer para se esquivar de dar o lombo ao abade!», as soluções de um manual apresentam-no como ato ilocutório declarativo. Parece-me que o ato ilocutório direto é assertivo e o indireto é diretivo, ou estarei a ter um raciocínio errado?
Obrigado.
Grafiteiro
Na vossa resposta à pergunta Os graffiti é indicado que graffiti é um estrangeirismo, e que «[e]m português, para designar o mesmo, temos o termo grafito, já existente em dicionários portugueses desde o século XIX, com o significado de "inscrição em paredes ou monumentos antigos" e que ganhou também aquele significado mais recente». O que me deixa com uma nova dúvida: como designar o autor sem recorrer ao estrangeirismo graffiter?
A razão do significado de carrinha
Se carrinho é o diminutivo de carro, ou seja, um carro pequeno, por que razão carrinha designa um veículo de maior dimensão do que um carro normal de passageiros? Ex.: «carrinha de mercadorias», «carrinha de caixa aberta», etc. Gostaria de ter a vossa sábia explicação para este facto.
Muito obrigada.
