O novo acordo ortográfico, os compostos e as locuções
Estou neste momento a fazer um trabalho sobre o novo acordo ortográfico e surgiu-me uma dúvida: cor-de-rosa, porque é consagrada pelo uso com hífenes, é considerada uma palavra composta, certo? Mas, então «cor de laranja», por não ter os hífenes, já não é uma palavra, mas, sim, uma locução? A mim, parece-me que o que distingue uma «locução substantiva» de um «composto» (morfossintático, neste caso) é praticamente nada, pois ambas as estruturas apresentam um comportamento morfológico (a flexão do plural faz-se de forma igual, por exemplo), sintático (ambas ocupam na frase a posição típica de nome ou adjetivo) e semântico semelhantes. O mesmo em relação a «arco-da-velha» (mantém o hífen) e «pé de cabra» (perde o hífen). Atualmente, sabemos que não é o hífen que confere a uma estrutura o estatuto de palavra, pois há tanta oscilação entre o uso e o não uso do hífen neste tipo de estruturas e não é por isso que deixamos de as «sentir» como um todo, independentemente do grau de lexicalização que apresentem. Gostaria muito de saber o que acham.
Agradeço desde já a vossa atenção.
Sinalefa e crase na divisão de versos em sílabas métricas
Qual é a divisão do verso em sílabas métricas?
Re/co/lho a/s à /noi/te/ por/to/do o/ la/(do)
ou
Re/co/lho/ as à /noi/te/ por/to/do o/ la/(do)?
Obrigada.
«Ligar com» – II
Tenho dúvidas sobre a correcção da frase «Obrigado por se ligar connosco».Quem se liga... liga-se "com" alguma coisa, ou liga-se "a" alguma coisa?
Os meus agradecimentos.
Sobre a possibilidade da próclise após a conjunção pois
Usando a conjunção pois será correcto aplicar uma próclise de seguida?
Ex.: «(...) pois me comprometi a fazê-lo.»
Grato pela atenção.
Publirreportagem
Gostaria de saber se a palavra (ou as palavras) "publi-reportagem" deve ser escrita com ou sem hífen.
Obrigada.
O gentílico da região francesa Ilha-de-França
Poderíeis vós confirmar-me se franciliano é mesmo o gentílico (substantivo e adjetivo) português da região francesa da Ilha-de-França e de seus habitantes? Tenho-o encontrado em alguns sítios da Web em português, inclusive um que parece ser oficial do governo francês.
Outra indagação: o referido topônimo, na sua forma portuguesa, é hifenizado?
Muito obrigado.
Liquidador, liquidatário ou liquidante (em relação a desastres nucleares)
Eu gostaria de saber como se chama em português correcto os "liquidators" (inglês), do russo ликвида́торы (likvidator), que foram os responsáveis por minimizar os efeitos do desastre de Chernobyl. Em espanhol chama-lhe "liquidadores", em português já vi "liquadatários", portanto não sei qual o melhor termo.
Muito obrigada.
A diferença entre pergunta e questão
Gostaria de saber se existe alguma diferença entre pergunta e questão. Se sim, qual é?
Obrigada.
A concordância na sequência «uma das razões pelas quais»
Agradecia que me esclarecessem se se diz «uma das razões pelas quais» ou «uma das razões pela qual». Esta é uma estrutura equivalente a: «uma das alunas que foram à visita...», em que o verbo ir tem de ir para o plural, para concordar com o pronome relativo que, cujo referente é plural? Muito obrigada pelo esclarecimento.
Determinantes, quantificadores e pronomes
Ensinamos aos alunos que pertencem à mesma classe as palavras que se podem substituir entre si no eixo paradigmático, mantendo a gramaticalidade da frase. Ora, o critério distributivo não é aplicável à classe dos quantificadores, uma vez que se podem comportar como determinantes (quantificadores existenciais, universais e interrogativos), mas também podem ter um comportamento misto, precedendo o nome ou substituindo o grupo nominal (quantificadores numerais). Se a distinção determinante/quantificador tem apenas uma base semântica, como evitar a mera memorização de definições (e de listas de palavras) no trabalho de explicitação com os alunos?
Já em relação aos pronomes indefinidos, o DT não fixou qualquer alteração relativamente à tradição gramatical, ao associar na mesma subclasse o uso pronominal dos determinantes indefinidos e dos quantificadores existenciais, universais e interrogativos. A base semântica, relevante para fixar a quantificação nominal, não foi aqui considerada.
Tenho, pois, as maiores dúvidas sobre a condução de um processo de observação que permita tirar conclusões e sistematizar as propriedades das classes e subclasses em apreço:
Determinante indefinido vs. pronome indefinido
Vieram [outros] alunos./Vieram [outros].
Mas... quantificador (existencial/universal) vs. pronome indefinido
Vieram [alguns] alunos./Vieram [alguns].
Vieram [todos] os alunos./Vieram [todos].
Sempre... quantificador numeral
Vieram [dois] alunos./Vieram [dois].
Espero ter conseguido explicar as minhas dúvidas. Obrigada pela atenção.
