Metáfora e hipérbole em versos de Almeida Garrett
No poema "Seus Olhos", de Almeida Garrett, nos versos 4 e 5, «Não tinham luz de brilhar,/ Era chama de queimar», podemos aceitar a presença de três recursos expressivos, a metáfora, a hipérbole e a antítese?
Passo a explicar o meu ponto de vista.
– Metáfora e hipérbole (o poeta pretende realçar o poder que os olhos da mulher têm sobre ele e os sentimentos intensos que ela provoca, ao ponto de o fazer sofrer).
– Antítese (mostra que o amor que o sujeito poético sente é paradoxal, isto é, intenso, mas, ao mesmo tempo, destruidor).
Agradeço, desde já, a atenção e um possível esclarecimento.
Anáfora, enumeração, repetição
Gostaria de saber que recursos expressivos estão presentes nas seguintes frases, retiradas da obra Vanessa vai à luta de Luísa Costa Gomes (texto dramático):
1) «Oh, pobre de ti... nem um par de jeans... nem uma camisolinha de caxemira... nem um par de sabrinas douradas...»
2) «Que fixe! [...] Obrigada Pai! Obrigada Mãe! Obrigada Rodrigo! Que bom dia de anos! Que grande festa!»
Eu penso que tanto na 1.ª como na 2.ª existe uma anáfora. Na 1.ª, a anáfora é relativa à repetição do vocábulo nem, e na 2.ª a anáfora deve-se à repetição do que.
No entanto, parece-me que na frase 1 podemos assumir que existe igualmente uma enumeração, neste caso, de peças de roupa que a personagem não tem para vestir. No caso da frase 2, não sei se existe mais algum recurso para além daquele que já referi previamente.
Por fim, gostaria de esclarecer uma dúvida: existe algum recurso expressivo denominado repetição e, se sim, como se distingue da anáfora?
Obrigada pela vossa atenção!
Fico a aguardar uma resposta!
Obrigada.
O nome aldeia numa metonímia
Na frase "Vão direito a casa e daí a pouco toda a aldeia dorme.", extraída do conto "Sempre é uma companhia", de Manuel da Fonseca, o recurso expressivo presente é uma metonímia.
Porquê?
Na minha opinião seria uma personificação.
Como identificar, então, corretamente uma metonímia?
Obrigada pela atenção.
Uma frase negativa do Adamastor
Mais uma vez recorro ao vosso muito útil apoio.
Creio que o sentido destes versos, que Camões põe na voz do Adamastor, será o de que o emissor ["Eu"] não conseguiu resistir à ilusão, foi ludibriado por Tétis e Dóris. Será? Contudo, à letra parece ser exatamente o contrário. Como explicar esta negação?
Obrigada, desde já!
Amor de Perdição: incoerência
Na obra Amor de Perdição, há uma incoerência de datas: no cap. I, assume-se que o nascimento de Simão é em 1784, é preso em 1804/1805 com 18 anos, o que não bate certo...
A que se deve esta incoerência?
Enumeração por polissíndeto
Na frase «[…] uns feixes de mato a ziguezaguearem e a andarem e a pararem […]», podemos considerar a existência de uma enumeração para além da personificação nela existente?
A resolução num conto de Eça de Queirós
Gostaria de saber se é possível aplicar a estrutura do conto tradicional ao conto "A Aia", de Eça de Queirós.
Assim, qual será o momento da resolução: a morte do tio bastardo ou o suicídio da aia, coincidindo, neste último caso, os momentos da resolução e da situação final?
Muito obrigado!
Enumeração num texto de Maria Judite de Carvalho
Há uma discordância entre a minha classificação e de outra professora, em que ela aceita que a seguinte frase, de uma crónica de Maria Judite de Carvalho, contém uma enumeração:
«Tudo aquilo é bonito, bem arranjado, atraente, higiénico, impessoal.»
Na minha perspetiva, trata-se de uma adjetivação (qualificativa) sucessiva.
Existe fronteira de classes gramaticais na enumeração? Toda a lista de classes pode ser abrangida na enumeração, como os adjetivos?!
Podem elucidar-nos?!
Obrigado pelo vosso sempre excelente trabalho.
A métrica numa cantiga de D. Dinis
Gostaria de saber qual a métrica dos versos seguintes desta cantiga, uma vez que há dúvidas.
«Non chegou, madr’, o meu amigoe oj’ést’o prazo saido»
Figuras de estilo numa frase do Novo Testamento (1 Coríntios, 13,1)
No texto de 1 Coríntios 13, verso 1, está escrito:
«Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.»
Analisando exclusivamente o texto bíblico acima, ele informa que existem duas formas de a pessoa falar várias línguas: o indivíduo pode aprender idiomas estudando ou pode ser poliglota por inspiração do Espírito Santo, daí as expressões "dos homens/dos anjos". A conduta é a mesma: falar idiomas, mas a fonte de aprendizado é diversa; no primeiro caso o conhecimento é adquirido pelo estudo, no outro ela fala línguas influenciada espiritualmente pelo Espírito de Deus.
Então pergunto: qual a figura de linguagem que foi utilizada pelo autor?
Obs: desculpem a forma que vou falar a seguir, mas é importante destacar que meu interesse é puramente gramatical, sem viés religioso nenhum. O problema é que quando a gente pergunta a religiosos ou eles não sabem, ou respondem ideologicamente.
Mais uma vez desculpem minha forma de expor o tema.
Obrigado!
