DÚVIDAS

Os temas do poema «Se Helena apartar...» (Camões)
Coloquei no teste a seguinte questão: 1. Indica a principal temática camoniana presente no poema. Cenário de resposta apresentado: o poder transformador de Helena / a beleza da mulher / a representação da amada. No entanto, alguns alunos deram como resposta «a representação da natureza». Posso considerar como resposta correta, tendo em conta que alguns manuais integram este poema nesta temática?
A delimitação da apóstrofe
Desejava esclarecer uma dúvida sobre a apóstrofe, recurso expressivo. Sabemos «que consiste na interrupção do discurso para invocar, através do vocativo, alguém ou algo a que se se atribuem características de pessoa» (in Dicionário Breve de Termos Literários, de Olegário Paz e António Moniz), ou «RETÓRICA – recurso estilístico que consiste numa interpelação, geralmente exclamativa, a algo (normalmente personificado) ou alguém (usualmente ausente), por norma realizada através da utilização do vocativo e do discurso direto e destinada a conferir vivacidade e/ou realismo ao discurso» (apóstrofe, Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa). A dúvida é a seguinte: – Na estância 133, do Canto III, d’Os Lusíadas, a apóstrofe está apenas no vocativo, «ó sol», ou no conjunto dos versos 1 a 4 da mesma estância? O mesmo se dirá da apóstrofe aos «côncavos vales» – a apóstrofe está apenas no vocativo, «ó côncavos vales», ou no conjunto dos versos 5 a 8 da referida estância? De acordo com a primeira definição, sim, o recurso está apenas no vocativo. Porém, a interpelação ao «sol» ou aos «côncavos vales» está presente no conjunto dos versos que indico. Antecipadamente, grata pela atenção.
A expressão «mão de finado»
Ao ler o livro em epígrafe (1913, Ed. Aillaud, Alves & Cia, p. 141), deparei-me, no conto intitulado "O Solar de Montalvo", de Aquilino Ribeiro, com o seguinte excerto: «Na sala que abria para o pomar, a mão dum finado ardia numa luz resplendente e alva que cegava.» A expressão «mão do finado» surge também no conto homónimo de Teófilo Braga (Contos Tradicionais do Povo Português). Procurando o significado da expressão «mão de finado», somente encontrei o sentido de «avarento». No entanto, em ambas as obras acima citadas parece que o sentido não se refere a um adjetivo, mas sim a um substantivo, o qual não consegui descodificar. Assim sendo, venho solicitar ajuda para conhecer o sentido correto da expressão «mão de finado».
Hipérbato vs. anástrofe
Entre colegas, surgiu uma discussão sobre um recurso expressivo na estância 19 d'Os Lusíadas: anástrofe ou hipérbato? Já no largo Oceano navegavam,As inquietas ondas apartando;Os ventos brandamente respiravam,Das naus as velas côncavas inchando;Da branca escuma os mares se mostravamCobertos [...] Nesta estância, podemos afirmar que estamos perante anástrofes em «Das naus as velas côncavas inchando» e «Da branca escuma os mares se mostravam/ Cobertos»? Considero que o hipérbato consiste numa alteração "violenta" na ordem natural da frase, como "os casos que o Adamastor contou futuros". Desde já, agradeço o vosso esclarecimento.
Sinédoque: «Ocidental praia lusitana»
Costumeiramente se afirma que no famoso verso de Camões «Que da ocidental praia lusitana» (Os Lusíadas, I, II) há uma sinédoque. Dizem que o poeta toma a praia por toda a nação portuguesa, mas o que me parece é que a expressão «ocidental praia lusitana» se refere ao porto de Lisboa, que fica na parte ocidental do país. Por tudo isso, peço humildemente que me expliqueis a correta interpretação do verso camoniano e como chegar a ela.
Alegoria no Auto da Lusitânia
Na obra Auto da Lusitânia, de Gil Vicente, a abordagem do tópico acima apresentado é lógica na relação de Sol e Lisibea? Coloco esta questão, visto que na obra não surgem grandes indicações quanto a este relacionamento. Aliás, com a leitura da segunda parte da farsa em análise, apenas se sabe que do amor de Sol e Lisibea resulta o nascimento da belíssima jovem Lusitânia... Agradecia um esclarecimento quanto a esta questão!
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