DÚVIDAS

Manteve-se em, manteve-se nos
Trabalho num instituto onde regularmente colaboro na elaboração de destaques para a comunicação social sobre a evolução de determinados indicadores económicos. Tendo a consciência de que o casamento entre a língua portuguesa e todos aqueles que diariamente lidam com números não é, muitas das vezes, a mais perfeita, gostaria de perguntar qual é a forma mais correcta de expressar a ideia de que um determinado número se manteve inalterado entre duas observações consecutivas num título de um destaque. Será correcto escrever "Taxa de variação homóloga manteve-se nos 2,3%" ou, em alternativa, "Taxa de variação homóloga manteve-se em 2,3%". Gostava ainda de aproveitar a ocasião para colocar uma outra questão. É correcto escrever-se "A variação média dos últimos meses do índice foi de 2,3%" ou é mais acertado utilizar uma outra forma que não utilize a expressão "foi de"? (e.g. "A variação média dos últimos meses do índice 'atingiu os'/'foi igual a' 2,3%") Muito obrigado pela atenção.
Útil, utilidade e utensílio
Gostaria de reunir o máximo de informação acerca da história das palavras-chave que indiquei. Tanto quanto sei, a sua origem etimológica provém do latim, mas gostaria de saber mais acerca da importância que tiveram na nossa língua em outras épocas, em especial antes da chamada idade moderna. Ouvi dizer que em certos povos "arcaicos" não havia distinção, ao nível do vocabulário, entre útil e inútil, e que esta distinção apenas começa com a passagem às formas patriarcais e agrícolas de sociedade, acentuando-se ao longo da Modernidade — gostaria de saber se esta hipótese tem algum fundamento e ficaria muito agradecido se me pudessem ajudar a chegar a alguma conclusão. Muito obrigado.
A seleção do infinitivo pessoal por diferentes classes gramaticais
Tinha entendido, e corrijam-me se não é assim, que o uso do infinitivo pessoal era motivado por algumas partículas da língua (preposições, locuções prepositivas) ou contextos (depois de um verbo declarativo ou volitivo, numa frase subordinada em que há mudança de sujeito relativamente à oração principal). Atendendo a estas considerações, não consigo explicar muito bem o uso do infinitivo pessoal na seguinte frase: «Ficares aqui só te vai trazer problemas», dado que interpreto «ficares aqui» como a oração principal. Posteriormente, intuí que não se trata de uma oração principal, mas uma subordinada, subentendendo-se no início da frase «o facto de ficares…». Gostaria de saber se é assim e, no caso afirmativo, se haveria outros casos em que normalmente se omitisse essa preposição ou locução prepositiva inicial. Muito obrigada pela sua preciosa ajuda!
Menos
Gostaria que me informassem se, na frase abaixo, o advérbio “menos” se aplica ao mesmo tempo aos adjectivos usados (“conscientes” e “responsáveis”), ou se apenas se pode considerar em relação ao primeiro adjectivo usado? «Alguns menos conscientes e responsáveis.» Ou para caracterizar como «menos conscientes» e «menos responsáveis» será necessário colocar o menos antes de cada um dos adjectivos? Como no exemplo que se segue: «Alguns menos conscientes e menos responsáveis.» Obrigada.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa