DÚVIDAS

Candidata a governadora, de novo
Discordo da resposta de Ciberdúvidas à consulta sob o título "Candidata a governadora". Se a postulante for eleita, deverá ser tratada como governadora, mas enquanto não o for, será, sempre, uma candidata a governador. A lógica, penso, é a seguinte: não se diz "Paulo e João são candidatos a governadores", e sim "Paulo e João são candidatos a governador". Há, aí, uma perfeita compreensão de que ambos são concorrentes ao cargo de governador. Da mesma maneira, deve-se subentender que "Maria é candidata a(o cargo de) governador". A invariabilidade do gênero, nesse caso, denota que, enquanto não estiver concluído o processo eleitoral, é impossível antecipar-se concretamente qual será o sexo do futuro ocupante do cargo de governador. Estas considerações, evidentemente, não são válidas se todas as demais candidatas ao cargo forem do sexo feminino.  
Desaparecimento de "este" da fala brasileira
Sabemos que português europeu e português brasileiro formal conhece três pronomes demonstrativos: este (esta), esse (essa), aquele (aquela). Mas na fala brasileira não se usam as palavras "este" e "esta" e são sempre substituídas por palavras "esse" e "essa". Assim, o português brasileiro falado afasta-se do português europeu (e brasileiro formal) e do espanhol, e aproxima-se ao inglês (this/that). O italiano também conhece isso. Fala (ou melhor: escrita) formal italiana conhece três pronomes demonstativos: questo (este), codesto (esse), quello (aquelo). Mas hoje em dia já não se ouve codesto. Usa-se questo e quello. Como em português brasileiro: esse e aquele. O que acontece com "este" e "esta" acontece também com "isto". Acontece desaparecimento. Isso (isto) não é uma dúvida, mas por favor dêem-me seus comentários. Agradecido.
«Ajudar a» + verbo pronominal
Li vários dos vossos artigos sobre próclise e ênclise, mas continuo com uma dúvida: numa locução verbal com o verbo "ajudar" como auxiliar, é legítima a próclise ao verbo principal? Por exemplo:«Descubra recursos que ajudam a se preparar para o que aí vem.» Ou só é correta a ênclise ao verbo principal, i.e., «Descubra recursos que ajudam a preparar-se para o que aí vem»? Muito obrigado desde já.
Classificação da oração «sem se poder ver»
(in Mensagem, de Fernando Pessoa)
Nos versos do poema D.Dinis, de Mensagem, de Fernando Pessoa, «É o rumor dos pinhais que, como um trigo/De Império, ondulam sem se poder ver.», como classificar a oração «sem se poder ver.»? Sabendo que essa oração desempenha a função sintática de modificador do grupo verbal "ondulam" (ondulam como?), que classificação atribuir à oração? Subordinada (substantiva ou adverbial?) completiva não finita infinitiva?
Rapidamente / claro
O português fala rapidamente. A portuguesa fala rapidamente. Os portugueses falam rapidamente. As portuguesas falam rapidamente É correcto substituir a palavra rapidamente por rápido tendo assim: O português fala rápido. A portuguesa fala rápido. (rápida não me soa bem.) Os portugueses falam rápido. (rápidos não me soa bem.) As portuguesas falam rápido (rápidas não me soa bem.) Quero deixar bem claro/clara uma coisa? Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa