Pelourinho Por portas às avessas Odete Santos, na semana passada, na Assembleia da República, declarou que «não faz sentido que o "não" queira ganhar por portas e travessas aquilo que perdeu no referendo.» As expressões idiomáticas (ou lexicalizadas) são comuns em todas as línguas. A expressão idiomática corresponde a uma sequência coesa de palavras, que exprime uma noção única, indecomponível, pois o sentido da expressão não é o somatório do significado de cada palavra que a constitui. Ana Martins · 24 de fevereiro de 2007 · 11K
Antologia // Portugal Em Lisboa com Cesário Verde Nesta cidade, onde agora me sintomais estrangeiro do que os gatos persas;nesta Lisboa, onde mansos e lisosos dias passam a ver as gaivotas,e a cor dos jacarandás floridosse mistura à do Tejo,em flor também,só o Cesário vem ao meu encontro,me faz companhia, quando de ruaem rua procuro um rumor distantede passos ou aves, nem eu sei já bem.Só ele ajusta a luz feliz dos seusversos aos olhos ardidos que são os meus agora; só ele traz a sombradum ... Eugénio de Andrade · 23 de fevereiro de 2007 · 13K
Pelourinho Uma despachada conjugação do verbo posar Perante esta despachada conjugação do verbo posar é caso para perguntar se a actriz voa vestida... Correio da Manhã João Alferes Gonçalves (1944 — 2023) · 23 de fevereiro de 2007 · 4K
Pelourinho Os (tantos quantos) anos de vida de Fernando Pessoa Na introdução do concurso da RTP-1 Grandes Portugueses, de 20 de Fevereiro p. p., a apresentadora Maria Elisa disse o seguinte acerca de Fernando Pessoa: «O mundo reconhecê-lo-á como um dos grandes poetas do século XX, traduzido em 37 línguas, tantos quantos os anos que viveu.» Não é tantos, mas tantas: « (…) traduzido em 37 línguas, tantas quantos os anos que viveu». «Tantas» refere-se a «línguas» (não a «anos»): são tantas línguas quantos os anos. Maria Regina Rocha · 21 de fevereiro de 2007 · 3K
Pelourinho Colocação do pronome em frase negativa «Qualquer homem daria tudo para estar no seu lugar, mas Matt preferia não tê-lo feito.»1 Estando a construção verbal na negativa, o pronome o deve preceder a forma verbal: «Qualquer homem daria tudo para estar no seu lugar, mas Matt preferia não o ter feito.» Exemplos: «Vi-o ontem» ≠ «não o vi ontem»; «dei-lhe o livro» ≠ «não lhe dei o livro»; «preferia levá-lo ao futebol» ≠ «preferia não o levar ao futebol». 1 in jornal 24 Horas de 21 de Fevereiro de 2007 p. p. 21 de fevereiro de 2007 · 8K
Pelourinho Não aprender com o "aprendestes"… «Que é que hoje aprendestes? Lembras-te?», ouviu-se à jornalista da RTP-11, autora de um peça sobre o autismo, em diálogo com uma menina afectada pela doença. O que a jornalista devia ter dito era «O que é que tu hoje aprendeste?», sem s a terminar a forma verbal, e não esse erro, frequente na linguagem oral, em que os falantes fazem analogia com a 2.ª pessoa do singular da generalidade dos tempos verbais. Maria Regina Rocha · 21 de fevereiro de 2007 · 4K
Pelourinho Para além do erro e do desleixo O erro – ou, antes, o desleixo – na grafia dos números ordinais espalhou-se como o óleo despejado por um petroleiro no mar alto. É nos jornais, nas legendas da televisão e do cinema1, em romances de nomeada, até em manuais escolares – e de Português, inclusive. Não se esperava, convenhamos, é que a contaminação atingisse também os organizadores de mais uma edição do Camp... José Mário Costa · 21 de fevereiro de 2007 · 2K
Pelourinho // Mau uso da língua Demais dif. de de mais Uma confusão recorrente Demais ou de mais? é uma das dúvidas – e confusões – mais frequentes no português corrente, razão, de resto, de permanentes perguntas de quem consulta o Ciberdúvidas. Vejamos esta dúvida de um leitor do jornal 24 Horas1: «Nenhuma vida é demais» ou «Nenhuma vida é de mais»? Maria Regina Rocha · 19 de fevereiro de 2007 · 87K
O nosso idioma // Tabuísmos Semiótica do palavrão A particularidade dos tabuísmos no Porto Em nenhum outro lugar de Portugal fala um português tão rico como no Porto — escreve neste artigo* o jornalista e escritor Paulo Moura, sustentando como, aí, «os palavrões não são obscenos: são uma arte e uma filosofia». ¹ in jornal Público de 18/02/2007 Paulo Moura · 18 de fevereiro de 2007 · 5K
Pelourinho Quem + verbo no singular «Quem o atacou sabia onde morava e fizeram-lhe uma espera», escrevia-se no jornal 24 Horas de 15 de Fevereiro p. p., numa notícia sobre a agressão a um sargento da GNR. Escrevia-se mal: o sujeito quem leva o verbo para a 3.ª pessoa do singular: «Quem o atacou sabia onde morava e fez-lhe uma espera.» Maria Regina Rocha · 16 de fevereiro de 2007 · 2K