Pelourinho «Para que deixe de haver instituições» «Causas como esta e causas muito diferentes desta são importantes para que deixem de haver aquelas instituições grandes com muitas crianças, que todos nós conhecemos (…)», escreviam as jornalistas Andreia Valente e Ana Meireles, no jornal “24 Horas” de 12 de Julho p. p. Escreveram mal. Deviam ter escrito: «Causas como esta e causas muito diferentes desta são importantes para que deixe de haver aquelas instituições gr... José Mário Costa, Maria Regina Rocha · 14 de julho de 2006 · 3K
Pelourinho Isentar do imposto Frase do jornalista Paulo Solipa, da RTP, a propósito do eventual pedido de isenção de imposto a aplicar sobre os prémios atribuídos aos jogadores de selecção portuguesa de futebol: «A decisão de isentar o imposto será sempre uma decisão política.» Não se trata de “isentar o imposto”, mas de isentar alguém ou algum rendimento do imposto que lhe deveria ser aplicado. O verbo isentar significa «desobrigar», «livrar». José Mário Costa, Maria Regina Rocha · 14 de julho de 2006 · 2K
Pelourinho O seu ar decidido Frase do dirigente do CDS-PP para o primeiro-ministro português José Sócrates, no debate na Assembleia da República, no passado dia 12 de Julho: «V. Ex.ª fala do dever dos contribuintes para com o Estado, mas, claro, o mesmo princípio não se aplica ao Estado nas suas obrigações para com os cidadãos e as empresas que o financiam. E há-de convir que isso retira muita credibilidade ao seu ar decidido com que aparec... José Mário Costa, Maria Regina Rocha · 14 de julho de 2006 · 1K
Pelourinho Ai, o grama!... Ainda no mesmo jornal 3: «Ouro. Uma grama por dia, à espera que a mina volte a abrir». Pela enésima vez: grama, a milésima parte da massa do quilograma-padrão, é masculino. Nada tem que ver com a grama, de gramado. 3, “Público” de 10 de Julho p.p. João Alferes Gonçalves (1944 — 2023), José Mário Costa, Maria Regina Rocha · 10 de julho de 2006 · 2K
Pelourinho A dificuldade crescente com o conjuntivo [subjuntivo] Outra dificuldade crescente parece ser mesmo a conjugação dos verbos no conjuntivo [subjuntivo]. Veja-se esta notícia recente no “Público”: «Crise do lançamento de mísseis Tóquio não exclui ataque preventivo à Coreia do Norte O Japão reserva-se o direito de atacar preventivamente a Coreia do Norte em caso de ameaça nuclear directa, com o object... João Alferes Gonçalves (1944 — 2023), José Mário Costa, Maria Regina Rocha · 10 de julho de 2006 · 7K
Pelourinho «Decidiram-se a» + infinitivo impessoal «Pelos vistos, uns senhores em Lisboa decidiram-se por, na secretaria, tentarem condicionar e conseguir aquilo que, de outra forma, no caso concreto, de Braga, nunca conseguiram eleitoralmente. É uma enormidade, para não adjectivar de outra forma». Três erros nesta frase, dita1 pelo líder da distrital do CDS-PP... João Alferes Gonçalves (1944 — 2023), José Mário Costa, Maria Regina Rocha · 10 de julho de 2006 · 5K
Antologia // Portugal Redondilha Por baixo da superfícielisa de cada palavrapor dentro da fenda sísmicada gramática onde fulgurao magma (sintaxe mágica)de Babilónia a Sião.Entre o étimo e o sintagmano avesso desse centroonde há uma estrela caídapara dentro do ocultorelação irreveladaentre o corpo e a palavra.Onde o invisível tremorda terra percorre o sanguee então de súbito a flautaonde só Camões é quemsobre esses rios que vão entre ninguém e ninguém. Manuel Alegre · 30 de junho de 2006 · 4K
Pelourinho «O aluno excluiu»? Não! «Foi excluído»! Chumbos, reprovações, retenções ou exclusões são fruta da época. Em rigor, são os alunos (ou todos aqueles que se submetem a uma avaliação) que são chumbados, reprovados, retidos ou excluídos. São eles sujeitos passivos de um agente mais ou menos implacável que os chumba, reprova, retém ou exclui. Chumbar, reprovar, reter ou excluir são, em termos gramaticais, verbos transitivos directos, quer dizer,... Maria João Matos · 30 de junho de 2006 · 2K
Pelourinho «Não deixa de ser curioso que... » + conjuntivo É cada vez mais frequente, entre quem fala e quem escreve nos “media” portugueses, o desconhecimento do conjuntivo. Veja-se esta frase, proferida há dias, na SIC, pelo jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho: «Não deixa de ser curioso que a federação inglesa, assim que terminasse o jogo, tente que Figo seja castigado. Não deixa de ser curioso que... Maria João Matos · 29 de junho de 2006 · 3K
Lusofonias Morreu a língua. Viva a língua «Nunca empregueis uma palavra nova, a não ser que ela tenha essas três qualidades: ser necessária, inteligível e sonora. Substituir uma palavra usual por outra palavra cujo único mérito é a novidade não é enriquecer a língua, mas aviltá-la».VoltaireAs palavras são seres vivos que nos querem dizer coisas, exprimir sentimentos, transmitir força ou fraqueza e sobretudo emoções, afinal, tudo isso que se encontra nos seres humanos. Se soubermos vê-las por dentro, sentir-lhes a pulsaçã... Manuel Rodrigues dos Santos · 27 de junho de 2006 · 5K