Textos publicados pela autora
A expressão «tantos quanto possível»
Pergunta: «Os maiores peixes de água doce estão desaparecendo. O biólogo Zeb Hogan identifica e protege tantos quanto possível.»
A expressão «tantos quanto possível» na frase acima está correta?
Obrigado.Resposta: Maria Helena de Moura Neves, na sua obra Guia de Uso do Português: Confrontando Regras e Usos, refere que a expressão «quanto possível» é invariável. Apresenta como exemplos «O detetive fez cara tão neutra quanto possível» e «Os vira-latas (tantos quanto possível), deitados no sofá, nas poltronas,...
Vogal de ligação em compostos de origem grega e latina
Pergunta: A vogal i é sempre vogal de ligação de morfemas de origem latina, e a vogal o é sempre vogal de ligação de morfemas de origem grega; ex.: "carnÍvoro" e "sarcÓfago"?
Grato.Resposta: É assim que Evanildo Bechara apresenta a situação na pág. 339 da Moderna Gramática Portuguesa: «A rigor, há em português duas vogais de ligação: i e o. A vogal i na composição de elementos latinos e o de elementos gregos: dentifrício, gasômetro.»
Creio que, em híbridos, ou seja, palavras compostas em que um dos elementos é grego e outro latino, a...
Acerca das expressões partitivas e do adjunto adnominal
Pergunta: Gostaria, se possível, de esclarecer uma dúvida linguística e gramatical. Nas situações em que a função sintática, seja de sujeito ou complemento verbal, aparece com o núcleo referencial "deslocado" do núcleo sintático, seria lícito considerar tal núcleo referencial como um adjunto adnominal? Exemplos:
«A maioria das pessoas não se convenceu disso.»
«Das pessoas» pode, neste caso, ser considerado como adjunto adnominal? Sabendo que o núcleo do sujeito é «maioria», então a minha dúvida é se, quando ocorre...
O novo acordo ortográfico, os compostos e as locuções
Pergunta: Estou neste momento a fazer um trabalho sobre o novo acordo ortográfico e surgiu-me uma dúvida: cor-de-rosa, porque é consagrada pelo uso com hífenes, é considerada uma palavra composta, certo? Mas, então «cor de laranja», por não ter os hífenes, já não é uma palavra, mas, sim, uma locução? A mim, parece-me que o que distingue uma «locução substantiva» de um «composto» (morfossintático, neste caso) é praticamente nada, pois ambas as estruturas apresentam um comportamento morfológico (a flexão do plural faz-se de forma...
Sobre a possibilidade da próclise após a conjunção pois
Pergunta: Usando a conjunção pois será correcto aplicar uma próclise de seguida?
Ex.: «(...) pois me comprometi a fazê-lo.»
Grato pela atenção.Resposta: A próclise, nessa situação, não é comum no português europeu. Devemos escrever «(…) pois comprometi-me».
Esse é, aliás, um dos aspectos referidos, por vezes, por quem defende que pois é uma conjunção coordenativa, embora haja também muito quem, com razão, considere que não estamos perante uma verdadeira conjunção....
