DÚVIDAS

Não-ionizantes, de novo
Com respeito à pergunta do consulente Luís Graça, permito-me discordar da resposta emitida pelo Professor José Neves Henriques, por duas razões: a primeira: não cabe a quem lida com determinada palavra, por ser ela restrita a seu meio ou por tê-la criado, o atributo de decidir a regra gramatical que se deve seguir para a mesma palavra. Se assim o fosse, um médico não saberia nunca como escrever um termo novo próprio do vocabulário da Engenharia, por exemplo. As regras gramaticais existem para todos os que as usam e se aplicam igualmente a palavras em uso e a neologismos, principalmente a estes, uma vez que os 'novatos' é que mais se devem sujeitar às regras existentes, mesmo para que não surjam outras, o mais das vezes desnecessárias, que só irão criar confusão - precisamos de pensar também, e mais ainda, nos que ainda vão aprender o nosso idioma.    Quanto ao caso específico do 'não' seguido de adjetivo (aqui, minha segunda razão de discordância) e na forma dos exemplos dados pelo consulente, creio que se deva considerá-lo um advérbio a modificar o termo que se lhe segue (sem necessidade, portanto, de hífen).   Assim, escrevemos:   pessoal docente, pessoal não docente   radiação ionizante, radiação não ionizante   critérios estabelecidos, critérios não estabelecidos   circunstância atenuante, circunstância não atenuante, etc.   No caso - não citado pelo consulente, mas existente - do 'não' seguido de substantivo, emprega-se o hífen, pois se trata de autêntico prefixo:   não-ordenamento, não-realização, não-violência, etc.   Em não havendo um substantivo expresso que modificar, deve-se ter apenas o cuidado de verificar se se trata de uma expressão que exija ou não o hífen.   Vejam-se o seguintes exemplos:   "Os não-fumantes vivem sofrendo o prejuízo causado pela fumaça do cigarro alheio", "Os homens fumantes devem permanecer neste vagão; os (homens) não fumantes, naquele outro".    É claro que, a bem da elegância, não convém servir-se desse tipo de construção nos casos em que a Língua fornece opção. Usemos "projeto inalterado", em vez de "projeto não-alterado", "pessoas indecentes", em vez de "pessoas não decentes", e por aí adiante.   Na esperança de ter sido útil...   Um abraço.
O adjectivo chopiniano
Uma vez que os músicos festejam neste ano de 2010 o bicentenário do nascimento de Chopin (1810-1849), pergunto se poderá usar-se o adjectivo “chopiano/a” como referente a este grande compositor. De facto, não encontrei em algum dicionário o termo. E se não existe poderá usar-se como um neologismo entre aspas ou não será necessário usá-las? A frase que desejava escrever é a seguinte: «A "Grande Polonesa brilhante para piano e orquestra, em mi bemol maior" (cfr. http://www.youtube.com/watch?v=_PY0NFC4aEw) é, de facto, uma das obras-primas chopianas.» Obrigado pela vossa ajuda.
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