DÚVIDAS

«Gramática aplicada» outra vez
Agradeço a resposta que me foi dada quanto à questão da «gramática aplicada» e «linguística aplicada» pela doutora Ana Martins (02/07/2010). Na sequência da elucidação apresentada apresento novas dúvidas quanto à designação (e conceito) «gramática aplicada». Fazendo uma pesquisa em português com o termo, encontramos várias referências. Por exemplo, temos o manual de português intitulado Gramática Aplicada Língua Portuguesa, da Porto Editora, cujo autor tem o mesmo nome da doutora Ana Martins. Encontramos, por exemplo, cursos de gramática aplicada ao texto; notícias que referem a designação: «No Enem 2009, português cobrará "gramática aplicada", dizem professores» (UOL Vestibular, 04/08/2009). Efectuando pesquisas em francês (grammaire appliquee) e inglês (applied grammar), encontramos também muitas referências: «Grammaire appliquée du  français oral et écrit» ou websites como www.applied-grammar.com, estes apenas como exemplos. Se, como me foi dito na resposta já identificada, que «"Gramática aplicada" não existe, enquanto área, domínio ou disciplina linguística», pergunto se a designação referir-se-ia a uma metodologia. Temendo não ter entendido a resposta da doutora Ana Martins (se for o caso, peço desculpas), gostava de lhe perguntar se «gramática aplicada» não será uma metodologia e, se for, no que, afinal consiste. Muito obrigado.
«Brevemente disponível» = «disponível brevemente»
Muitas vezes cruzamo-nos na Internet com “sites” cuja informação, por algum motivo, ainda não está disponível.Usa-se normalmente a expressão «Brevemente disponível», como abreviatura duma suposta frase «esta informação estará brevemente disponível». A minha dúvida é se a forma «disponível brevemente» será mais correcta, que a anterior, ou se por outro lado é indiferente o uso das duas expressões.
Deíticos de 2.ª pessoa
Tenho consultado várias gramáticas e verificado que apontam como deíticos pessoais todos os pronomes pessoais e os possessivos à exceção dos que se referem à 3.ª pessoa (ele/ela/eles/elas; seu/sua/seus/suas). Mas, na verdade, os possessivos de 3.ª pessoa não deverão ser considerados deíticos pessoais também? Vejam-se estes exemplos: "Sr. Lopes, o seu irmão ligou-lhe esta manhã." / "Este livro é seu, Sr. Lopes?" Nas frases dadas, "seu" relaciona-se com o "Sr. Lopes", pessoa que, dado o protocolo de tratamento entre o locutor e o interlocutor, se subentende ser tratada por "você/Sr.". Então, "seu" (e as outras formas dos pronome possessivos) não deverão pertencer ao quadro dos deíticos pessoais?
Inumerismo ‘vs.’ inumeracia
Na sequência das perguntas de outros consulentes sobre os conceitos de “analfabetismo”, “iliteracia” e “iletrismo”, dirijo-me ao Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, a fim de solicitar aos vossos colaboradores um parecer sobre o melhor modo de traduzir para português o vocábulo inglês “innumeracy” (o qual, noto de passagem, já ganhou carta de alforria na Internet com o surgimento de uma página que lhe é especificamente dedicada: http://www.innumeracy.com). À guisa de intróito, permito-me salientar que encontrei o termo “inumerismo”, quer no Dicionário da Academia, quer nos títulos das traduções dos ensaios de John Allen Paulos, Inumerismo: o Analfabetismo Matemático e as suas Consequências, trad. Raul Sousa Machado, Mem Martins, Europa-América, 1991, e O Circo da Matemática: para além do Inumerismo, trad. Carlos Fernandes e Florbela Fernandes, Mem Martins, Europa-América, 1993. Não parece, todavia, que o termo tenha colhido o favor da generalidade dos falantes (mesmo, ou sobretudo, cultos) do português europeu. Será a expressão do subtítulo do primeiro ensaio, “analfabetismo matemático”, a (melhor) alternativa? Ou deverá preferir se o vocábulo “inumeracia”, formado por decalque do inglês e por analogia com “iliteracia” (ao qual, aliás, prefiro “analfabetismo”), que já foi título de uma crónica de José Manuel Fernandes, no Público de 4 de Agosto de 2001, e de uma diatribe de Nuno Júdice, no número de O Independente a que se alude nesta página da Internet? Desde já, o meu muito obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa