DÚVIDAS

A expressão «boa sombra»
Na consulta do Corpus do Português [de Mark Davies e Michael J. Ferreira] encontrei a expressão «boa sombra». Não compreendo precisamente o significado da locução. Imagino que em João de Barros («Céu, Terra, Lua e Estrelas, a quem adoram e nele fazem sua boa sombra») quer dizer «proteção»; que em Gaspar Frutuoso («e do rosto de Filomesta, cheio de uma tão boa sombra»), é «graça», «bom semblante». Não entendo muito bem o significado no Auto da Festa, de Gil Vicente: «Rascão Olhai-me esta boa sombra este lírio esmaltado que vos parece senhora?». Em História da Vida do Padre S. Francisco Xavier («a mesma cor e boa sombra do rosto, as mesmas mostras mais de vida que de morte»), talvez seja também «graça». E em Menina e Moça, «hum pouco ficou como que vira cousa desacostumada, e eu que tambem assi estava, nam de medo, que a sua boa sombra logo mo nam consentio»; «Nam esteve ella muito, que parece que conhecendo tambem de mi como estava, com hua boa sombra»), e em Francisco Manuel de Melo, poderia ser «elegância», «bons modos». Peço desculpa pela extensão da pergunta e agradeço-lhes a amabilidade.
As palavras que nos unem
Temos continuado a receber muitas perguntas sobre a Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário, recentemente adoptada em Portugal. Apesar do esforço de adaptação, os consulentes fazem perguntas que revelam o gosto por comprender o funcionamento da Língua Portuguesa. Esta atitude diz respeito não só aos professores, mas também a muitos que nos acompanham noutros países, nomeadamente no Brasil.   Mas são as palavras – o seu uso, a sua formação, a sua existência – que concentram a maior atenção. Neste âmbito, a nossa herança linguística, ligada à cultura local, suscitou algumas perguntas. Por exemplo, dúvidas sobre vocábulos como garavalha, tardo e “camarinhar” lembraram mais uma vez as origens da nossa língua no Noroeste da Península Ibérica, terra de mitos e cantigas de amigo, donde se espalhou para sul e, depois, para o mundo.   Sobre os equívocos que a pronúncia ironicamente tece, aparece um novo texto na nossa Antologia, da autoria do jornalista e escritor José Alberto Braga, que o redigiu especialmente para o Ciberdúvidas. Recomendamos ainda o Pelourinho, esta semana a pedir mais cuidado com o plural da palavra ténis. E assim chegamos a mais um fim-de-semana.
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