A expressão «assinar de cruz»
«Assinar de cruz» é aprovar, "assinar" um texto sem o ter percebido ou "lido" – é geralmente fácil de perceber. Mas qual a origem?
Gostaria de confirmar a resposta que um dia a minha formação académica (de que estou há quase 30 anos desligado) me terá dado azo a conhecer.
Antigamente, quando a falta de instrução e o analfabetismo, e/ou o iletrismo, eram uma extensa e triste mancha na nossa sociedade, as pessoas que não sabiam ler ou interpretar um texto (geralmente um documento que lhes respeitava: contrato, declaração...) "assinavam" com uma cruz, depois de o notário, advogado, conservador lhos terem (talvez...) lido e explicado. O que posteriormente, e na atualidade, em idênticas circunstâncias, no próprio documento viria a ser declarado num texto igual ou equivalente ao seguinte (resumido): «... foi lido e explicado à/ao ... que não assinou por não saber...»
Aguardo o favor da vossa resposta.
Obrigado.
Uso de letra maiúscula: «molho do Languedoc»
Diz-se «camarões ao molho de languedoc», ou «camarões ao molho de Languedoc»?
Obrigado.
Multirresistente
A palavra "multirresistente", termo técnico usado em tuberculose multirresistente, está correta a forma grafada?
Aïda
Porquê Aïda, nome de ópera, e não Aida à portuguesa?
Galactógeno
«Galactógeno» significa, em castelhano, «que aumenta a secreção de leite» (no caso em questão, na mulher que amamenta). No contexto, o adjectivo é aplicado a um alimento.
Procurei em vários dicionários o correspondente em português, e o mais próximo que encontrei foi «galactagogo», mas como substantivo, dando o exemplo de uma determinada droga.
Poderá algum dos senhores ajudar-me neste problema de tradução?
Obrigado.
Óleo de palma
Há várias maneiras de dizer óleo de palma nos países de língua portuguesa, mas não sei quais são. Podem dar-me uma ajuda?
Centralização
Existe a palavra "centração"? Caso exista, em que contexto pode ser usada?
Sujeito depois do verbo nas orações interrogativas
O mestre lusitano Cândido de Figueiredo doutrinava que o verbo tem de anteceder o sujeito quando se trata de orações interrogativas. Segundo o ensinamento que ele abraçava e defendia, a construção legítima é «Poderão as mulheres ser sempre honestas?» e não «As mulheres poderão ser sempre honestas?». Percebe-se hoje a predominância da construção errada (sujeito antes do verbo), ao arrepio do que preconizava o doutíssimo Cândido de Figueiredo. Qual é a vossa opinião?
Muito grato.
Ainda a querela Úrano "vs." Urano
Referindo-me à resposta Afinal é Úrano ou Urano?, permitam-me que apresente as minhas dúvidas com base no seguinte:
O termo Urano (ou Úrano)designava inicialmente o deus mitológico e só muito depois foi adoptado para designar também o planeta, tal como sucedeu com os outros deuses e planetas: Vénus, Mercúrio, Marte, Júpiter, Saturno,Neptuno e Plutão. Nestes casos os nomes identificam tanto os planetas como os deuses que lhes deram os seus nomes, o que seguramente é o caso também de Urano (ou Úrano).
Sendo assim, não me parecem justificadas duas grafias diferentes, uma para o deus e outra para o planeta, pois que se trata de um único e mesmo nome com duas designações.
Quanto à grafia única adoptável, defendo que deva ser Urano, pela facilidade de pronúncia e pelo uso com que pessoalmente me defronto, como certamente muitos outros, desde os meus tempos de liceu e está reconhecida em dicionários e o próprio Rebelo Gonçalves já admitia ser corrente, embora recomendasse Úrano.
Não será este mais um caso do purismo etimológico de RG e seguidores, sobrepondo-se ao uso e à evolução natural da língua?
Agradecido pela atenção e por uma eventual réplica se entenderem que é devida.
Uma expressão exceptiva (E. Bechara): «outro... que»
Como classificar a subordinada da frase complexa seguinte: «Blimunda não tinha outro recurso que chamar-se Blimunda.»
Obrigado.
