DÚVIDAS

Contratualizar = contratizar
Receio não conseguir acompanhar, neste caso, a opinião já expressa pelo saudoso e ilustre vernaculista Dr. José Neves Henriques. Contratual será referente à condição de uma ou mais premissas de um contrato a estabelecer, ou já estabelecido, de cujas cláusulas se ajuíza da sua validez, exequibilidade, pertinência, legalidade, etc., a fim de um dado contrato poder ser aceite, juridicamente e pelas partes contraentes. A verbalização conferida pelo sufixo [-iz(ar)] tem o propósito de indicar a ideia de fazer que uma acção seja praticada. E a ideia tem como base o contrato; e não contratual/contratualidade (>contratualizar), que será a circunstância/condição de um exercício. Assim, parece-me que – declinando contratualizar – deverá ser contrat(o) + iz(ar) >> contratizar que se me afigura mais escorreito: «acto de estabelecer contrato». Quando muito, tentando "salvar" o que já existe, contratualizar será «estabelecer condições pelas quais as cláusulas de um contrato sejam conformes à legalidade e interesses». Destarte, contratualizar = «atribuir a condição exigível para que algo possua contratualidade». Aceito que contratar nem sempre tenha o sentido de contratizar, visto esta acepção ter uma vertente mais formal. Terei alguma "ponta" de razão? [...] O meu muito obrigado pela atenção que possam conceder a esta dúvida e opinião.
Escopo, “revanche”, desporto
Sou informático e lembro-me de durante os meus tempos de faculdade me ter deparado com algumas traduções de artigos e livros em Inglês para português do Brasil (muitas vezes em editoras brasileiras de "renome") onde se abusava de termos como "escopo" onde na versão em inglês se refere a "scope". Tanto quanto sei tal palavra não existe em português, existindo uma outra bem conhecida e utilizada, creio eu, em ambos os lados do atlântico: "âmbito". Gostava de saber, em primeiro lugar, se estou ou não errado, e se o anglicismo "escopo" tem fundamento (à semelhança de outras palavras derivadas do inglês como "esporte" de uso corrente no Brasil). Tal como esta já me deparei em textos brasileiros com muitas outras palavras, como por exemplo, "revanche", ou "revancha" onde normalmente estaria à espera de encontrar qualquer coisa como "desforra". Com ou sem acordo ortográfico, existe de facto/fato alguma regulamentação da imprensa tanto em Portugal como no Brasil? I.e., há algum tipo de fiscalização e penalização para os prevaricadores e "inventores" deste tipo de termos?
Ainda «Complemento preposicional e construção de foco»
Na resposta a Jorge Botelho, em 24/6/2008, a professora Sandra Duarte Tavares deu como exemplo duas frases que valem um comentário. Ei-las: 2) «É de livros novos que a biblioteca precisa.» 3) «Do que a biblioteca precisa é de livros novos.» Agora, o comentário: Na frase 2, verifica-se o composto expletivo «é que», que evidentemente pode ser elidido sem prejuízo do entendimento: «A biblioteca precisa de livros novos». Na frase 3, parece não ser assim. O «que», nessa frase, é um pronome que se refere a outro pronome, no caso o pronome o. Assim sendo, parece haver um de a mais no período. Talvez pudéssemos escrevê-la desta forma, para enfatizar a regência: «O de que a biblioteca precisa são livros». Ou, mais sonoramente: «Do que a biblioteca precisa são livros.» Salvo melhor juízo.
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