DÚVIDAS

Ex-ministro e «antigo ministro» (II)
A questão foi levantada no ano 2000, por outro consulente, mas ciente das variações da língua ao longo do tempo, pergunto, novamente, se: haverá alguma diferença de sentido entre ex-ministro e «antigo ministro»? Ao responder à consulta, argumentava-se que a tendência actual é de empregar o elemento ex- seguido do substantivo, de preferência ao uso do adjectivo antigo. Contudo, faltará dilucidar se esta tendência tem respaldo de alguma justificação semântica mais substantiva. E, se, entretanto, a tendência se terá invertido. O consulente segue a norma ortográfica de 1945.
«Escreva uma carta… onde você expresse seus sentimentos...»
Outro dia li a seguinte ordem em um exercício: «Escreva uma carta para um amigo onde você expresse seus sentimentos em relação a ele.». Minhas dúvidas são as seguintes: (1) O verbo expressar está corretamente flexionado na segunda oração? No meu entendimento deveríamos usá-lo no presente do indicativo, ou seja, "expressa". (2) O pronome relativo "onde" está bem empregado? Entendo que o correto seria usar o pronome relativo "na qual", já que "onde" é um advérbio de lugar. Se me equivoco em minhas dúvidas, gostaria de uma explicação para entender o por quê de usá-los da maneira que estão sendo usados. Grato pela atenção.
A maior / a menor, outra vez
"A maior / a menor" são locuções usadas no Brasil com o sentido de, respectivamente, "a mais / a menos". Vêm registradas na última edição do Aurélio. Veja-se, por exemplo, o seguinte passo do Código Tributário Nacional (Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966): "Art. 49 - O imposto [sobre produtos industrializados] é não-cumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados."
«Loja do Cidadão» vs. «Loja de Cidadão»
A atribuição [da] designação «loja do cidadão» parece coerente e em uso desde que tal instalação passou a ser disponibilizada. Contudo, pretendeu-se "reescrever a história" em Leiria, e algum intelecto, talvez instalado num corpo feminino, o que não sei, ou, talvez um pretenso arauto das novas ideologias de género, entendeu que passe a ser «loja de cidadão», substituindo a partícula do por de. Pensei tratar-se de um engano na identificação na entrada, mas concluí que em todos os locais assim se afixa. Aparenta-se estar perante a idiossincrasia de um indivíduo ou grupo que livremente dispõe de nós (quase) todos para se impor. Em todo o caso, o que gostarei de saber é mesmo se a língua portuguesa sai ou não vilipendiada e como se deve escrever e designar a referida loja. Agradeço.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa