DÚVIDAS

Complemento direto e preposição a
Faz-me confusão o facto de os portugueses não usarem sempre a preposição a antes dos complementos diretos de pessoa. Por exemplo: «Convidei o meu amigo para jantarmos juntos». «Defende o chefe da comissão». (defender ou louvar uma pessoa) «A empatia é fundamental para conhecermos o outro». «Leva as pessoas a fazerem parte disto». «Rui cumprimentou o Pedro». Há alguma regra? Em espanhol dizemos assim: «Invité a mi amigo para que cenemos juntos»; «Defiende al jefe de la comisión»; «La empatía es fundamental para conocer al otro»; «Lleva a las personas a formar parte de esto»; «Rui saludó a Pedro». Muito obrigada. Agradeço muito a vossa ajuda.
«Mais e mais e mais»
A frase seguinte pode ser considerada correta: «Do modo como ando e ando, andei»? O cerne da minha dúvida centra-se na repetição da forma verbal ando intercalada pela conjunção coordenativa copulativa e. Do mesmo modo, na mesma linha de raciocínio, poderia dizer «E falei e falei e falei e falei e ele não me ouviu»? Além disso, há ainda um caso semelhante que, para mim, é mais aceitável: o do mais. Por exemplo, «Correu mais e mais, até que chegou à meta», «Comeu mais e mais e mais até engordar». Não vos parece que a expressão «mais e mais» tem o mesmo sentido de «cada vez mais» e pode-se tratar aqui de uma influência da sintaxe inglesa? Notem os exemplos: «Simply by going on and on...« ou «She wants more and more...». Aguardo o esclarecimento das minhas dúvidas. Votos de um ótimo trabalho!
Aspeto iterativo e aspeto imperfetivo
Gostaria de esclarecer a seguinte dúvida: por que razão é classificada nas frases «Ando a ler O ano da morte de Ricardo Reis» (situação iterativa), «Os alunos, naquela tarde de chuva, contavam entusiasmados todo o dinheiro recolhido para a viagem de finalistas» (situação imperfetiva)? Como distinguir corretamente uma situação iterativa de uma situação imperfetiva? Obrigada pela atenção.
Esmolecer e afeiurado
Cumprimento, com apreço, a estimada equipe lusitana, a fim de sanar a seguinte ponderação: Em uma aula de processo e formação de palavras, um grupo de alunos perguntou-me sobre a existência, na língua portuguesa, de dois vocábulos: "esmolecer" e "afeiurado". Fazendo uma breve pesquisa dicionarística, não pude encontrar evidências para afirmar a concretude das palavras. Ouso, portanto, dirigir-me à terra de Camões, a fim de elucidar aos meus diletos estudantes a dúvida que nos atordoa. Certo da cooperação, parabenizo-os pela espetacular ajuda aos estudantes do vasto idioma neolatino.
«Cancro do....» vs. «cancro de...» II
Apesar das abonações citadas pela consultora Sara Mourato, em 27/2/2019, em que se omite o artigo definido, creio que ele deve ser obrigatório quando se nomeiam órgãos do corpo humano. Dizemos, por exemplo: «o pâncreas produz insulina» (e não «pâncreas produz insulina»); «o coração batia forte» (e não «coração batia forte»); «o útero compõe o aparelho reprodutor feminino» (e não «útero compõe o aparelho reprodutor feminino»). Portanto também: «moléstia do pulmão», «ele sofre do coração», «tumor da próstata», «inflamação dos rins», sempre com o artigo. Cordialmente.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa