DÚVIDAS

«Ter aerofagia» e «estar com aerofagia»
Qual seria o correto dizer: «Joana tem aerofagia» ou: «Joana está com aerofagia»? Acredito que seja «está com» por estar relacionado a uma doença, como nestes casos: «está com febre», «está com dor de cabeça», «está com dengue», etc, ou estou enganado por haver a possibilidade de usar o verbo ter com doenças?… Mas confesso que estou confuso, pois não é comum, pelo menos para mim, o uso cotidiano de frases com aerofagia. Desde já, obrigado.
Concordância com «cada um»
Aproveito para desejar um excelente 2025 a todos os que integram esta fabulosa equipa do Ciberdúvidas. A questão que me traz hoje aqui é alusiva às frases construídas com o quantificador universal cada. Pelas minhas pesquisas, descobri que designa qualquer elemento de um grupo de forma individual. Também pude observar que, da mesma maneira, se anteceder um nome, também retrata individualmente qualquer elemento de um grupo. No entanto, se houver elementos coletivos numa frase para incluir, o meu raciocínio não está tão claro. Vejamos os seguintes exemplos: (I) «Os fogos de artifício revelaram-se um espetáculo digno de cartão-postal. Cada um mais colorido que o outro, ofuscava momentaneamente as estrelas e contrastava com as luzes dos colossais edifícios da cidade.» A minha dúvida surge nas conjugações verbais da segunda oração. Ainda que me pareçam corretas, deveria mantê-las na terceira pessoa do singular? Às vezes, quanto mais leio uma frase mais ambígua me soa. Podiam esclarecer-me esta dúvida, por favor? Obrigada!
Vírgula e conjunções: «Mas, quando me vi...»
No brilhante livro Manual de boa escrita; vírgula, crase e palavras compostas, da prof.ª Maria Tereza de Queiroz Piacentini, ela afirma que o mas pode ser usado sem vírgula quando «inicia oração seguida de uma conjunção subordinativa». Eis uns dos seus exemplos: «Mas quando me vi sem saber o que comer, bateu o desespero.» «Os instrumentos iam parando... Mas à medida que as velas se apagavam, outras luzes se acendiam.» Naturalmente, eu teria usado uma vírgula após o mas em ambos os exemplos por acreditar ser uma intercalação. Dito isso, venho lhes consultar a esse respeito e aproveito para estender minha dúvida ao mesmo caso em se tratando de outras conjunções como e, então etc. quando iniciam uma oração. Agradeço desde já.
Réplica discordante a «jamais morrerão»
Sou escritor, verto livros de árabe para português, e às vezes me deparo com situações, como, por exemplo: «eles supõem erroneamente que jamais morrerão!» A minha questão é como posso discordar? Será que digo: «Sim! Por Deus que vós morrereis»? Ou: «Pois não! Por Deus que vós morrereis»? E quando posso usar: «pois não!»; «pois sim!»; «claro!»; «sim!»? Agradeço o que o Ciberdúvidas tem feito para a melhoria do nosso português.
«Desmoronar-se» e «estender-se»
Nas frases «Desmorona-se o sistema» e «Para lá de nós, estende-se o mistério da vida», qual a função sintática dos elementos «o sistema» e «o mistério da vida»? A dúvida coloca-se por se tratarem de verbos acompanhados do pronome se que, em muitos casos, configuram sujeitos nulos indeterminados – «alguém desmorona o sistema» (como em «vende-se casas» = alguém as vende). Na segunda frase, a expressão «o mistério da vida», quando colocada na passiva, passa a sujeito («O mistério da vida estende-se»), o que me coloca em dúvida em relação à sua função na ativa.
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