DÚVIDAS

O plural da palavra vale-transporte
Qual é o plural da palavra composta «vale-transporte»? Os dicionários Aurélio e Houaiss concordam: «vales-transportes (dois substantivos) e vales-transporte (dois substantivos porém a segunda palavra faz papel de adjetivo)». Mas por que não aceitar também «vale-transportes (verbo e substantivo)» já que o plural de «vale-brinde é vale-brindes (verbo e substantivo)»? Existe alguma diferença?
«Teria de ter tido»: redundância?
Felicito-vos pelo site e pelo bom trabalho que prestam à língua portuguesa. Gostaria de saber se a expressão «teria de ter tido» está correcta. Exemplo: «Calculava a quantidade de trabalho que teria de ter tido, numa outra profissão, para ganhar uma quantia igual à que acabara de receber neste negócio.» Presumo que «calculava a quantidade de trabalho que teria tido, numa outra profissão, para ganhar uma quantia igual à que acabara de receber neste negócio» está correcto. Gostaria que me explicassem se «teria de ter tido» pode ser utilizada e se as expressões em causa exprimem ideias ou situações temporais diferentes. Muito obrigado.
Sigla, acrónimo, abreviatura, abreviação, redução
Encontro-me a fazer um estudo sobre o uso das siglas no vocabulário económico. A consulta das vossas respostas a questões associadas a este fenómeno linguístico e afins não solucionou as minhas dúvidas, uma vez que me pareceu que também aqui se confunde sigla com acrónimo e abreviatura com abreviação. Por exemplo, dá-se como exemplo de sigla ONU mas quando se fala em acrónimo dá-se o mesmo exemplo. Diz-se que abreviatura e abreviação são sinónimos, mas de facto o primeiro refere-se à redução de palavras na escrita e o segundo à sua redução na fala. Os linguistas falam ainda de redução como um fenómeno distinto de abreviatura e abreviação, na minha opinião a redução será um processo que designa os fenómenos de abreviação e abreviatura, mas que designará ainda outros processos de redução dadas as diferentes definições que recolhi. A par destes fenómenos surgem ainda a braquigrafia e o símbolo. A braquigrafia aparece definida como o termo que designa os fenómenos de abreviatura e de acrografia, sendo a acrografia definida como a grafia das letras iniciais de um termo complexo que formam em conjunto um nome próprio. No entanto, as siglas também formam nomes próprios a partir das iniciais de um dado conjunto de elementos. O símbolo, por seu lado, é atribuído à representação de uma noção por meio de letras, números, pictogramas ou da sua combinação. Há ainda quem diga tratar-se de um signo arbitrário como o símbolo usado para a indicação de parágrafo. Assim, poderemos considerar I&D (Investigação e Desenvolvimento)como uma sigla simbólica? E, pronunciando-se NASDAQ como uma palavra, poderíamos considerar NASDAQ 100 como um acrónimo simbólico? As minhas questões prendem-se sobretudo com as definições apresentadas no Dicionário de Termos Linguísticos (vol.2) das Edições Cosmos e a partir daí as que fui lendo em diversos artigos dedicados ao assunto. Gostaria de saber a vossa opinião sobre a distinção entre os termos sigla, acrónimo, abreviatura, abreviação, redução, braquigrafia, acografia e símbolo. Obrigada.
Colocação da vírgula, de novo
Gostaria de pôr as seguintes duas questões relativas ao uso da vírgula: (1) As orações iniciadas por "a fim de", "com o objectivo de" e "porque" devem ser precedidas por uma vírgula? (2) Está correcta a colocação da vírgula nos seguintes três exemplos: a) Ele aprecia quer a cultura francesa, quer a cultura inglesa. b) Os japoneses são muito respeitados, quer na França, quer na Inglaterra. c) Nem na França, nem na Inglaterra, os japoneses são respeitados.
O particípio passado do verbo abrir
Recentemente, tive dúvidas relativamente ao uso do(s) particípio(s) passado(s) do verbo abrir, pelo que consultei uma gramática da Porto Editora, na qual se dizia que os particípios regular e irregular — abrido e aberto — deviam ser usados, respectivamente, com os auxiliares ter/haver e ser/estar. No entanto, no vosso site, deparei-me com informação contrária. Segundo a dra. Conceição Saraiva, o verbo abrir tem apenas um particípio passado — aberto. O particípio passado abrido está, de facto, errado? Ou simplesmente está a cair em desuso? Obrigada!
A analogia e a metáfora
Retiro dois exemplos de textos diferentes, o primeiro para explicar analogia e o segundo para metáfora: 1 – «Como se diz que o burro é um animal estúpido, por analogia com este animal, diz-se que Fulano é burro, querendo significar que é estúpido ou mesmo ignorante, mas não burro como o animal» (Ciberdúvidas – Analogias). 2 – «Por metáfora, chama-se raposa a uma pessoa astuta...» (Dicionário Aurélio – Metáfora). Tenho lido várias comparações entre os dois termos mas elas me têm deixado mais confuso ainda. É possível, com novos exemplos, fazer o contrário, ou seja, explicar por que um não serve para exemplificar outro? Ou, ainda, através da diferença entre uma metáfora visual e uma analogia gráfica? Muito obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa