DÚVIDAS

Pressentir e semântica verbal
Há dias recebi uma mensagem de que transcrevo este excerto: «Temos ainda pendente o assunto X, pelo que o pressinto para a possibilidade de, quando regressar de Paris, podermos reunir para tratarmos disso». Confesso que nunca me deparei com este uso do verbo pressentir que parece estar ali por prevenir, avisar ou alertar. Conjeturei, apenas como hipótese, uma possível contiguidade semântica entre pressentir e avisar ou alertar. Um pressentimento acaba por ser uma espécie de aviso e, portanto, por extensão, usar-se-ia o verbo pressentir por avisar. Para além desta hipótese porventura, ou certamente, rebuscada ou fantasiosa, o que pergunto é: conhecem este uso peculiar do verbo pressentir? Muito obrigado mais uma vez.
Verbos pronominais, pronomes reflexos, pronomes inerentes
Eu gostaria, por gentileza, que vocês me enviassem uma lista robusta de verbos essencialmente pronominais, isto é, aqueles que serão obrigatoriamente acompanhados de pronome oblíquo átono. Às vezes, tenho dificuldades em diferenciar quando o pronome oblíquo átono exerce função reflexiva propriamente dita e quando o pronome oblíquo átono é parte integrante do verbo. Por isso, peço a vocês algumas informações que me ajudem a diferenciar de maneira precisa essas duas funções. Deixo aqui também meus agradecimentos, pois o site está me ajudando bastante na busca para entender melhor a língua portuguesa. Desde já, agradeço.
O aspeto habitual II
Gostaria de uma opinião sobre o valor aspetual do segmento destacado: «Sabe também quão extraordinário será o trabalho desse Poeta, que deverá assumir toda a poesia (portuguesa, europeia e outra) e que, para isso, vai precisar de toda uma galáxia de poetas. Dado não existirem fora dele, acabaria por reduzi-los aos que no seu interior vinham representando o seu singular «drama em gente». Grata, desde já, pela atenção dispensada.
Linguagem neutra, estilo, morfologia
Notabiliza-se, dia após dia – especialmente, na esfera universitária de grande visibilidade –, a ascensão daquilo a que chamam "linguagem neutra": vê-se, ora hebdomadariamente, ora cotidianamente, publicações de universidades fazendo uso da linguagem dita neutra, sem mencionar as entidades políticas que, também, o fazem. A meu humilde ver, o ver de alguém que prepara bebidas e que ama sua língua pátria; essa implementação – quase discricionária – que me tem sido apresentada, não só através da tela da televisão e do telefone celular; mas, também, através dos clientes que se sentam ao outro lado do balcão; possui – também – a aparência de uma medida que não traz, em seu imo, o intuito de ser uma linguagem não excludente, visto que seu uso se tem espalhado às custas de apelos morais de seus entusiastas: apelos estes que compungem aqueles que não aquiescem a seu uso. Indago, portanto, aos senhores: a implementação da linguagem neutra é, realmente, necessária? É o caminho natural– per viam naturalem – que se seguirá rumo à evolução de nossa língua? Ou é reflexo da deterioração do uso de nosso idioma, que passou por séculos de evolução até chegar à sua fisionomia atual em que a neutralidade se faz presente — ao menos no que concerne aos pronomes, e ao que meu saber me limita — na forma masculina. Agradeço, de antemão aos senhores deste sítio pelo posicionamento seriíssimo com que têm atuado ante as mais diversas questões que lhes tem sido apresentadas.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa