Aceder II
Li hoje a resposta do Ciberdúvidas a José Eduardo Martins, sobre o verbo aceder, dizendo que a sua acepção de «ter acesso a» não se encontra dicionarizada, lançando-lhe o anátema de galicismo.
Senti-me um pouco colocado à margem da lei, não só por usar o verbo amiúde naquele sentido, como por ter aconselhado colegas brasileiros a fazê-lo, em vez do seu habitual e feio «acessar».
Apesar de estar em boa companhia (cf. "Telepac faz falhar Ciberdúvidas").
De facto, não é assim. O "Grande Dicionário da Língua Portuguesa", de José Pedro Machado, regista os dois significados, nomeadamente "chegar a, alcançar", donde "ter acesso a". Também o "Dicionário de Latim", da Jurinfor, por vós referido, menciona "...accedere, etc.": aproximar-se, como um dos significados.
Por se tratar de um vocábulo envolvendo uma raiz com acepções tão díspares como caminhar, cessar, atacar (acesso de tosse, p.ex.), desistir,anuir, etc, creio merecer da vossa parte um tratamento etimológico mais aprofundado.
Biopsia II
É correcto usar o verbo «biopsar» para descrever o acto de «realizar uma biopsia»?
Sufista
Sei que além de sofista existe em filosofia o termo sufista, mas não sei o que significa. Os dicionários que consultei ignoram o segundo termo, pelo que peço a vossa atenção.
Teletransportar dif. de teleportar
Como leitor assíduo de FC, verifico que reina alguma liberdade entre os tradutores das respectivas obras. Tanto que, para a palavra "teleporter", nome dado (no idioma original) ao engenho que permite transportar matéria "à distância" - com um funcionamento semelhante ao das ondas de rádio - já encontrei três traduções distintas; «teleportador», «teletransportador» e «transportador». Qual a tradução mais correcta?
Tele
Obrigam as regras a não usar hífen com «tele». Será correcto escrever «teleeducação»? E «teleactividades»?
Mais e maior
Sou formada em Letras na USP e trabalho na Editora Abril. Li no manual de um jornal brasileiro sobre a diferença no uso de «mais» e «maior» antes de substantivo: ele diz: «Use mais para palavras ou expressões que indiquem quantidade e maior para os casos em que a idéia seja de intensificação». Por exemplo: «Pedimos mais informações; Pediu maior colaboração para o evento; Ele espera obter maior reconhecimento do público». Essa explicação faz sentido, é coerente. Mas eu gostaria de saber se há impropriedade, erro, em usar maior ou mais indistintamente, sendo que os dicionários que consultei (Caldas Aulete e Aurélio) dizem que tais palavras são sinônimos nesse caso.
"Sem tir-te nem guar-te"
Qual a origem da expressão «sem tir-te nem guar-te»? Podem dar-me um exemplo de utilização?
António Botto
Não é propriamente uma dúvida, muito menos uma polémica mas decidi recorrer a Vós pois já não sei mais onde procurar neste labiríntico processo que iniciei de busca de obras de António Botto. Sou um produtor de rádio em Macau e queria este ano (centenário do seu nascimento) homenagear o poeta António Botto). Desde Março tenho procurado obras dele. Descobri "As canções" e alguns textos dispersos. É muito pouco para explorar em programa de rádio. Este Verão percorri os alfarrabistas de Lisboa e foi outra busca em vão. Foram jovens que comigo trabalham que tiveram a iniciativa de "trabalhar" a obra e a personagem de A. Botto. Mesmo não sendo a V. página vocacionada para este tipo de consultas estariam V. na disponibilidade de me ajudar a encontrar mais material sobre este autor. Sites, moradas, obras, editoras, contactos de familiares, etc., tudo o que possa ser útil à informação sobre este autor (ao que parece) maldito.
Nobel
Porque é que os locutores da RTP e da SIC, exceptuando José Alberto Carvalho, continuam a dizer «/nóbel/» em vez de /nobél/? Não sabem que o homem se chamava Nobel, pronunciado com a tónica na última sílaba? Se querem inventar uma pronúncia própria para os nomes, porque é que não dizem Bill /Gátes/ em vez de Bill /Gaites/ ou /u-dois/ [U2] em vez de /iu-tu/?
Baganha
Alguém tem alguma ideia acerca da origem deste meu apelido, «Baganha»?
