O nosso idioma Taxas moderadoras e Scut: será que a linguagem ainda vale o que vale? Paulo J. S. Barata comenta o uso que se faz em Portugal das expressões taxa moderadora e Scut. A linguagem mantém quase sempre resquícios do seu valor denotativo, mesmo quando este é sobrepujado pelo valor conotativo, adquirindo outros sentidos e cambiantes. É, pois, quase sempre possível reconhecer, através da análise contextual, por muito mascarado que esteja pelas conotações que entretanto adquiriu, o valor denotativo da linguagem. Paulo J. S. Barata · 6 de setembro de 2010 · 3K
O nosso idioma «Ciclo vicioso», ou «círculo vicioso»? A expressão correcta é «círculo vicioso». De acordo com alguns dicionários, esta expressão designa uma sucessão, geralmente ininterrupta, de acontecimentos que se repetem e voltam sempre ao ponto de origem, colidindo sempre com o mesmo obstáculo. Na doutrina de Aristóteles, esta expressão designa uma falha lógica que consiste em alcançar dedutivamente uma proposição por meio de outra que, por sua vez, não pode ser demonstrada senão através da primeira. Sandra Duarte Tavares · 3 de setembro de 2010 · 67K
Pelourinho // Estrangeirismos A inevitabilidade da palavra reporte «Não sabia que entre os subordinados havia dois amantes dos pombos, dois columbófilos, palavra talvez ainda não existente na época, salvo porventura entre iniciados, mas que já devia andar a bater às portas, com aquele ar falsamente distraído que têm as palavras novas, a pedir que as deixem entrar.» Paulo J. S. Barata · 29 de agosto de 2010 · 6K
O nosso idioma Onde, por vezes, não se recomenda... O relativo onde é, muitas vezes, usado incorrectamente, dando origem a um erro sintáctico que passa despercebido aos olhos menos atentos. As frases seguintes contêm exemplos deste erro tão comum:1 – *«Este foi o jogo onde a nossa equipa obteve melhores resultados.»2 – *«Ninguém faltou à reunião onde se aprovou o novo regulamento.»3 – *«O negócio onde se envolveram foi pouco lucrativo.»Onde </s... Sandra Duarte Tavares · 26 de agosto de 2010 · 5K
O nosso idioma // Mais bem vs. melhor O bicho-papão «mais bem» Hoje em dia, parece provocar pânico geral o uso da forma mais bem, pelo que muita gente opta pela solução que considera mais correcta, mais segura, mais elegante, até: melhor. Nada contra o uso desta forma. Mas também nada contra o uso da primeira. O pior é quando uma e outra são erradamente usadas... (...) Sandra Duarte Tavares · 23 de agosto de 2010 · 8K
O nosso idioma História de uma letra Um texto da autora de Romanceiro da Inconfidência, quando a reforma ortográfica de 1943 a levou a ter de trocar o (até aí) tradicional Meirelles pelo novo Meireles… Muita gente me pergunta se deixei de escrever o meu sobrenome com letra dobrada devido à reforma ortográfica; e quando estou com preguiça de explicar, digo que sim. Mas hoje tomo coragem, abalanço-me a confessar a verdade, que talvez não interesse senão aos meus possíveis herdeiros. Cecília Meireles · 17 de agosto de 2010 · 5K
Pelourinho A Internet e a língua – um problema de rigor Se os dicionários que compramos nas livrarias incorporassem toda a informação dos dicionários electrónicos, teríamos de levar um carrinho de supermercado para os adquirirmos. Os dicionários via Internet, quando não autênticas enciclopédias, são úteis, por exemplo, na consulta de plurais e de conjugações verbais. O plural de pêra leva acento? E o plural de júnior? O condicional do verbo partir na 2.ª pessoa do plural leva acento? Onde? Manuel Matos Monteiro · 16 de agosto de 2010 · 6K
O nosso idioma «Porque» ou «por que»? A recorrente dúvida na utilização do porque e do por que nas frases interrogativas aqui clarificada – segundo a norma do português de Portugal (que não a do Brasil) –, neste trecho integralmente retirado, e com a devida vénia, da Gramática-Prontuário da Língua Portuguesa, de Álvaro Garcia Fernandes (Lello Editores, págs. 175-177). A) Qual a causa/a razão por detrás da acção? Variante 1): advérbio interrogativo “porque” – com a variante tónica “porquê” Álvaro Garcia Fernandes · 9 de agosto de 2010 · 95K
O nosso idioma «Na língua, quem deve a quem?» * «Na língua, quem deve a quem? Os portugueses devem cobrar juros por terem cedido o português [ao Brasil]? Ou os portugueses têm de pagar salário a quem tão bem cuida da menina dos seus olhos?» Crónica do jornalista português Ferreira Fernandes, publicada no Diário de Notícias de Agosto de 2010, sob o título original Sucesso incrível de exportação lusa. Ferreira Fernandes · 9 de agosto de 2010 · 3K
Controvérsias // Galego Sobre perguntas ou comentários relativos ao português da Galiza A respeito de algumas perguntas ou comentários relativos ao português da Galiza ou galego, permito-me precisar: 1. - Antes de mais, a formalização da língua não define "per se" a condição dessa língua. Se as falas galegas são uma forma de português, qualquer formalização que for não poderá mascarar a condição lusófona dessas falas, salvo no caso de elas serem substituídas por outra língua. António Gil Hernández · 30 de julho de 2010 · 5K