Pelourinho Os gramas da pequena infanta A infanta Leonor de Espanha nasceu com 3 540 g (por extenso, três mil quinhentos e quarenta gramas). O locutor de serviço, na RTP, ao transmitir a notícia, contornou airosamente a leitura do peso, não fosse o diabo tecê-las, e arredondou-o para 3,5 quilos. Já a repórter que nos falava de Madrid foi menos cautelosa… e lá vieram as quinhentas gramas… Pois é, à semelhança das outras unidades de medida, como ... Maria João Matos · 4 de novembro de 2005 · 4K
Pelourinho // Gralhas "Fornia", ou a consagração da gralha O ser humano, enquanto falante e enquanto escrevente, usa, muitas vezes, de forma inadequada determinadas palavras. Ou então pronuncia-as ou escreve-as incorrectamente. Com as novas tecnologias consagram-se, muitas vezes, lapsos antigos ou surgem outros novos.Perguntaram-me, há dias, o que significava a palavra "fornia". Depois de pesquisar em todos os dicionários a que tive acesso e nada ter encontrado, recorri à Internet e verifiquei que, em português, a palavra tinha uma utilizaç... Edite Prada · 25 de outubro de 2005 · 3K
Pelourinho A «arruada» da campanha A recente campanha eleitoral autárquica [em Portugal] afinal sempre nos trouxe uma boa novidade. Uma palavra nova que de um momento para o outro entrou no nosso vocabulário. Trata-se da palavra «arruada», que não conhecia. De repente, a dita «arruada» aparece repetida até à exaustão em todas as televisões. Assim é o mimetismo dos meios de comunicação social dos dias de hoje. Um diz e os outros copiam. Mesmo que não saibam muito bem o que é. Adiante. Interessa é alinhar com a moda. E achar... Paulo J. S. Barata · 17 de outubro de 2005 · 3K
Pelourinho A praga do «é suposto» Aos poucos, a moda do «é suposto» instalou-se. Não deixa de ser curioso verificarmos a rapidez com que se tem propagado esta expressão, cópia da construção inglesa «it’s supposed». Uma verdadeira praga! (...) Maria João Matos · 15 de outubro de 2005 · 10K
Pelourinho A moda dos sons aspirados à inglesa Sobre a moda, em Portugal, de os "tês" e de os "dês" se dizerem à inglesa, neste apontamento do professor Carlos Rocha . Carlos Rocha · 7 de outubro de 2005 · 5K
Pelourinho Bicha, esse animal em vias de extinção Não estou a fazer nem a apologia nem a condenação do calão. Ele faz parte da língua. Aliás, ele faz parte da riqueza e da expressividade da língua. Quem nunca se socorreu do calão no momento certo, atire a primeira pedra! Há até subterfúgios para o utilizar – melhor dizendo, sugerir – em locais inapropriados para o seu uso. «Diga arroz, que também tem dois erres», costumava ouvir-se na emergência de uma situação em que o calão se justificaria como válvul... Maria João Matos · 30 de setembro de 2005 · 6K
Pelourinho "Pólo" amor de Deus!... «Os "P[ô]lo" Norte estão de volta», anunciou o locutor da Antena 1/RDP, numa daquelas promoções para isto e para aquilo da rádio pública portuguesa. Foi com alguma dificuldade que percebi a frase. Levado pelo meu interesse pelo português antigo, até julguei que alguém estava de regresso "polo" norte, como se, subitamente, o locutor tivesse pretendido evocar o nosso passado galego-português. Bastava recordar que a contracção de por com o artigo definido mas... Carlos Rocha · 22 de setembro de 2005 · 3K
Pelourinho Injustiçada?! Não, obrigada Trata-se de um termo muito em voga actualmente, mas cujo uso me causa ainda uma certa estranheza e ao qual até hoje não consegui aderir. Ouvi há tempos uma conhecida entrevistadora perguntar ao seu interlocutor: «Sente que foi injustiçado?» Ao que ele respondeu: «Não, não me sinto vítima de injustiça.» Obviamente que esta personalidade possui uma sensibilidade para a língua que a entrevistadora não revela. O te... Maria João Matos · 16 de setembro de 2005 · 5K
Lusofonias O traço de união Meus Amigos:Chego aqui vindo de muito longe. De um tempo de silêncio, que nos coagia a escrever baixinho e a sobreviver sob a forma de soturnas elegias. Nessa reserva amarga e implacável, recusávamos a derrota sem saber muito bem que realidade nova desejávamos. Por outro lado, eu relacionava a experiência dos outros com pesquisas pessoais, aplicando-as à qualidade da minha revolta. Proveniente de famílias operárias, admitia que esse conhecimento, simultaneamente excitante e assustador, r... Baptista-Bastos · 15 de setembro de 2005 · 3K
Lusofonias Plurais do tipo de almoço/almoços Em 1873, o grande Augusto Epifânio da Silva Dias, na 2.ª ed. da sua Gramática Portuguesa, nota que não abriram o o da sílaba tónica no plural as palavras adorno, bolso, estojo, folho, globo e molho (ô). Mas em 1883, dez anos depois, A. R. Gonçalves Viana, no Essai de Phonétique et de Phonologie de la Langue Portugaise, diz que já se pronunciava geralmente adornos (ó) e até gostos (ó), mas este termo só os algarvios o pronunciam assim.Nas 45 palavras da lista que Viana apresenta, supri... F. V. Peixoto da Fonseca (1922-2010) · 8 de setembro de 2005 · 9K