O nosso idioma A desordem dos advérbios * Qualquer dicionário deve conter – e o Houaiss contém – palavras como convencido, datado, precipitado, reduzido, não porque formas de verbo, mas porque autênticos adjectivos. Por razão semelhante, deve incluir advérbios de modo terminados em «mente». Derivados embora de adjectivos, são vocábulos independentes. E, o que é mais, a relação adjectivo-advérbio é não raro aleatória (qual dos sentidos de «prático» está em praticamente?), ou ambígua (pontualmente tem dois significados), ou problemátic... 6 de novembro de 2004 · 4K
O nosso idioma Juridiquês para jornalistas * Sábado, segunda e terça, nossos jornais noticiaram seqüestros. Voltou a ser moda. Em Caruaru e no Recife. Sendo a liberdade das infaustas vítimas negociada com seus familiares, em troca de grana. Nenhum jornal falou em “rapto”. Estamos melhorando.“Seqüestro”, não custa lembrar, é privar alguém de sua liberdade, em cárcere privado. Enquanto “Rapto” é sempre de mulher honesta, mediante violência e para fim libidinoso. As meninas de Serrambi não foram “seqüestradas”, pois. Mas podem ter sid... José Paulo Cavalcanti Filho · 8 de outubro de 2004 · 3K
O nosso idioma // Género Erros que se ensinam * São muitos e variados os erros de língua portuguesa que se ensinam por aí. Aqui e agora, apreciemos alguns deles, mas, antes, permita-se-me uma nota prévia: não identifico as obras e os autores que vou criticar, apenas os cito, pois nunca quis nem quero melindrar pessoalmente ninguém. Debrucemo-nos, então, sobre alguns desses erros... 1 – Há quem diga que a gramática ensina a falar e a escrever correctamente. José Neves Henriques (1916-2008) · 3 de março de 2004 · 9K
O nosso idioma // Neologismos A proliferação dos neologismos O exemplo francófono «O Estado francês – escreve* o jornalista Paulo Querido – oficializou o termo courriel para designar o correio electrónico», que passou a ser obrigatória. em toda na administração pública do país. * in semanário Expresso, do dia 26 de Agosto de 2003 Paulo Querido · 22 de setembro de 2003 · 5K
O nosso idioma // A arte do uso da linguagem A propósito de erros Nas televisões «O grande problema não é saber-se poucas coisas – escreve neste texo* o escritor português Mário de Carvalho –. Nem tampouco saber-se mal as coisas. É antes saber-se um excesso de coisas erradas. Esta última asserção não é a minha, mas não me recordo do nome do autor. Vai com as minhas desculpas se for vivo ou com as minhas homenagens se já se encontrar em estado de as desculpas não lhe servirem de nada.» * Texto transcrito, com a devida vénia, jornal "Público", de 28/05/1096. Mário de Carvalho · 26 de junho de 2003 · 7K
O nosso idioma O 25 de Abril no léxico português O que mudou no léxico da língua portuguesa com o 25 de Abril de 1974 em Portugal – neste artigo da linguista Margarita Correia, assinalando o 29.º aniversário da "Revolução dos Cravos". Margarita Correia · 16 de maio de 2003 · 12K
O nosso idioma // Regionalismos Regionalismos Ao contrário do que pensam algumas conceituadas cabeças, falar e escrever bem a língua portuguesa não é exactamente uma mera preocupação de coca-bichinhos, de sujeitos caturras, portadores de uma dúzia de regras prontas a usar, sempre dispostos a embirrar com novas construções e com a natural evolução das formas. Acontece que a língua é património comum de largas dezenas de milhões de indivíduos, e ... Appio Sottomayor · 14 de março de 2003 · 7K
O nosso idioma // Dicionários Os dicionários de língua Se o léxico de uma língua é um sistema dinâmico, isto é, se se caracteriza pelo movimento, importa esclarecer como é visualizada a relação entre um léxico com essas características e um dicionário, produto acabado e, por natureza, entidade estática. Para o fazer, importa responder a algumas perguntas e desmistificar algumas ideias feitas sobre os dicionários: 1. Até que ponto é que o dicionário determina o que pertence e o que não pertence às línguas? Margarita Correia · 26 de fevereiro de 2003 · 9K
O nosso idioma // Léxico O léxico em movimento Apresentação O léxico de uma língua, conjunto de todas as suas palavras, é um sistema dinâmico, isto é, caracteriza-se pelo movimento: de fora para dentro, de dentro para fora e, ainda, dentro si mesmo. Esse movimento está na base da inovação lexical que, com frequência, gera insegurança ao utente da língua. Margarita Correia · 13 de janeiro de 2003 · 5K
O nosso idioma // A arte do uso da linguagem O regalo do bem-falar A reportagem da TV Globo da posse presidencial de Lula da Silva Visto – e ouvido – do lado de cá do Atlântico, via GNT (o canal da TV Globo na TV Cabo portuguesa), a cobertura televisiva do acto de posse do novo Presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, foi um regalo. Um regalo do ponto vista da cobertura em si, onde nada falhou, nas imagens de todo o cerimonial festivo entre a Esplanada dos Ministérios e o Palácio do Planalto, em Brasília, neste 1.º de Janeiro de 2003. Foram mais de três horas num ritmo e numa diversidade que nem por elas se deu. José Mário Costa · 6 de janeiro de 2003 · 4K