DÚVIDAS

O antónimo de independência = subordinação
Para a frase «O Instituto funciona na dependência da Directoria», qual a palavra que substitui «dependência» para inverter as partes e poder escrever: «A directoria funciona em... do Instituto»? E, já agora, a palavra que falta não é antónima de dependênciaindependência. Como se designa esta relação? Viva a língua portuguesa, talvez o único valor vivo que nos mantém como país!
Antropogénico e biogénico
A bibliografia de língua inglesa sobre química da atmosfera refere frequentemente as palavras 'anthropogenic' e 'biogenic' sempre que se pretende afirmar que determinada substância possui origem em actividades humanas ou biológicas, respectivamente. Será que a língua portuguesa permite a tradução daquelas palavras para antropogénico e biogénico? Como exemplo de aplicação destas palavras temos: 'As principais fontes de dióxido de enxofre na atmosfera do Hemisfério Norte são antropogénicas enquanto no Hemisfério Sul prevalecem as biogénicas.' Grato pela atenção. Melhores cumprimentos.
Que subentendido
Na prática forense, são frequentes (diria mesmo que se tornaram regra, ao ponto de à generalidade dos práticos repugnar a construção que... prefiro) expressões como "requer a V.ª Ex.ª se digne conceder prazo para ..."; ou como esta, de sentido muito próximo do daquela"... promove seja notificado o autor para...". Ao que me parece, não se está no campo das situações excepcionais em que a oração subordinada integrante dispensa a conjunção integrante. Será que as duas construções são aceitáveis? Grato.
"Firewall" / antepara / corta-fogo
Especializei-me na área de Segurança em Redes de Computadores. Um dos termos imprescindíveis na área é "firewall". Este termo designa, em inglês, uma técnica de construção civil que visa impedir a propagação do fogo entre divisões contíguas. Após pesquisa cuidada, verifiquei que em português não existe um termo homólogo na área da construção civil. No entanto, em construção naval, existe o termo "antepara" que especifica uma técnica útil para impedir a propagação da água entre divisões contíguas de uma embarcação. Neste contexto, a questão que coloco é saber se a adopção do termo "antepara" como tradução do termo "firewall" é ou não legítima.
A pronúncia do ditongo ei (eira, dinheiro, deixei) II
O “caso” em questão data do ano passado, mas parece-me ter grande importância no actual contexto de perversão da língua portuguesa: a escrita com o Acordo Ortográfico de 1990 e a ortoépia com o “lisboetismo” (permitam-me o barbarismo). Um consultante solicitou ao Ciberdúvidas qual a leitura correcta do ditongo /ei/. A resposta de um tal Carlos Rocha (a 14/12/18) é de antologia! Diz o senhor Rocha : “ … feira, maneira e deixei, soam () como "fâirâ", "mânâirâ" e "dâixâi"… ! O senhor Rocha deve considerar que Portugal é o Terreiro do Paço… A pronúncia a que se refere não corresponde à realidade da maior parte das regiões do país. É, sem dúvida, a mais propagada pelos principais meios de comunicação nacionais – rádios e televisões – cujas sedes se situam invariavelmente em Lisboa. O ditongo /ei/, em galaico-português, pronuncia-se como /ei/ : Oliveira (não Olivâirâ"), peixeira (não pâixâirâ")… Talvez o senhor Rocha considere que deve pronunciar-se frio como “friu” e rio como “riu”. A ortoépia das diversas regiões do país merecem respeito, mas a origem da língua portuguesa é nortenha, e por mais capital que seja Lisboa, o sotaque que tanto divulgam não é uma regra para todos. Recorde o senhor Rocha (e também a Ciberdúvidas que o publica), que Portugal não se limita – por enquanto – à área da Grande Lisboa.
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