Marmáride, marmárida e marmárico
Marmáride é o gentílico da Marmárica, antiga região entre a Líbia e a Cirenaica, funcionando como substantivo de dois gêneros e também como adjetivo. Neste último caso, parece ser também de dois gêneros.
Quanto a marmárico, gostaria de saber se o mesmo deve ser entendido apenas como adjetivo, ou como adjetivo e substantivo.
Muito obrigado.
Ainda a definição de droga
É fácil encontrar a definição de «droga» num dicionário ou numa enciclopédia. Mas num programa de televisão sobre o assunto, já lá vai algum tempo, ouvi um dos intervenientes definir droga como tudo o que vicia, tudo que coloque uma pessoa na dependência dessa substância. Também há medicamentos que viciam. Sabemos que o álcool, o tabaco, os estupefacientes viciam, tornam as pessoas dependentes. Mas o jogo também vicia, também torna as pessoas dependentes. Conheci pessoalmenta alguns casos destes. Será que se pode definir genericamente droga como tudo o que vicia? Será que se pode definir o jogo como sendo uma droga? Vem isto a propósito de uma discussão entre amigos onde eu era o único que defendia esta tese. Todos os outros se baseavam nas definições dos dicionários. Será que estou errado e eles certos? Gostaria de auscultar a vossa opinião sobre o assunto.
Colocar / expressar
Gostaria de saber se está incorreto utilizar:
"André colocou-se de forma…" "André fez as seguintes colocações…" "Joana colocou o seguinte argumento…" Ou se o correto seria: "André expressou-se de forma..." "André expressou o seguinte argumento..."
Ou ainda se as duas formas estão corretas.
Quando falo dessa forma algumas pessoas falam: palavras não se "colocam" se "expressam", colocamos objetos.
Invertível
Gostaria de saber se os termos «invertível» e «inversível» significam exactamente o mesmo (adjectivando algo que se pode inverter). Esta dúvida aplica-se a outras dicotomias como estendível/extensível ou frequentista/frequencista, ainda que neste último caso a questão não seja tanto essa, pois ambos os termos têm sido usados no mesmo sentido pela comunidade estatística, mas antes a de saber se uma forma é mais correcta que a outra.
Trastempo
Aquando da revisão de um texto jurídico em português, redigido por alguém de outra nacionalidade, fui confrontado com o termo "trastempo". Face à sua rara aplicação, optei pelo termo "prescrição".
Em que contextos se aplica com mais frequência tal palavra? Trata-se de um termo em desuso?
«Dos jesuítas» e «de os jesuítas»
Como se deve empregar: «os livros dos jesuítas», ou «os livros de os jesuítas»?
«O cultivo do ópio voltou a disparar-se»
Agradecia que me esclarecesse donde provém a conjugação do verbo "disparar-se" na seguinte frase: «O cultivo do ópio voltou a disparar-se». Na definição do verbo disparar inexiste qualquer indicação da possibilidade de uma conjugação reflexiva deste verbo, como a seguir se transcreve (Dicionário Universal): v. tr., fazer fogo, dar um tiro ou tiros; arrojar; atirar; arremessar; desfechar; descarregar; fig., dirigir insultos, ameaças; v. int., desfechar, dar em resultado; Brasil, tresmalhar-se (o gado); partir apressadamente, à desfilada (o cavalo). Quererá isto dizer que sempre que um verbo possa ser transitivo (conforme a definição nos dicionários) é permitida a conjugação reflexiva ou com o sujeito indefinido, colocando-se o pronome "-se"?
«Cruces semper rubrae, in sanguine Agni tinctae» (tradução)
Gostaria de saber a tradução desta frase: «Cruces semper rubrae, in sanguine Agni tinctae.»
"Courgette", outra vez
Como achega à Pergunta/Resposta publicada em 14.03.2000 permito-me referir que a utilização na alimentação humana dos frutos imaturos da "Cucurbita pepo" ("courge à courgettes" - FR; "botelha" ou "abóbora porqueira" - PT) é tradicional nalgumas regiões do nosso país, nomeadamente na Beira Baixa. Nesta região as "courgettes", normalmente consumidas guisadas, têm um nome: "botelho" (que não é o masculino de "botelha" mas uma forma estável e autónoma de diminutivo, como em "janela/janelo" ou "ribeira/ribeiro").
No Brasil utiliza-se o termo "abobrinha", não apenas para os frutos da "Cucurbita pepo" (a espécie mais cultivada) e que são especificamente designados por "abobrinhas de moita" ou "de tronco", mas igualmente para os frutos de uma outra espécie utilizada para o mesmo efeito: "Cucurbita moschata" (cf. Enciclopédia Mirador Internacional, São Paulo, 1990, p. 5854).
O termo mordorado
Agradecia que explicassem o significado da palavra mordorado, que aparece na novela A Confissão de Lúcio, de Mário de Sá-Carneiro, tanto como adjectivo bem como advérbio, como na frase seguinte:
«Entretanto as cadeiras haviam-se deslocado e, agora, o escultor sentava-se junto da Americana. Que belo grupo! Como os dois perfis se casavam bem na mesma sombra esbatidos – duas feras de amor, singulares, perturbadoras, evocando mordoradamente perfumes esfíngicos, luas amarelas, crepúsculos de roxidão. Beleza, perversidade, vício e doença» (cap. I).
