DÚVIDAS

Como se pronuncia apodo?
Carvalho Costa, em "Gentílicos e Apodos Tópicos de Portugal Continental", 1973, p. 275, transcreve do "Grande Dicionário de Dificuldades e Subtilezas do Idioma Português", de Vasco Botelho de Amaral: «Apodo: (...) pronuncia-se modelarmente -pó- e não -pô-, tanto no substantivo como no homónimo verbal apodo (...).» Todavia, se consultarmos, por exemplo, o "Vocabulário Ortográfico Resumido da Língua Portuguesa", da Academia das Ciências de Lisboa, 1970, vemos que grafa "apodo (ô)". Como se pronuncia, afinal, o substantivo (que não a forma verbal de apodar): "pô" ou "pó"?
Um se a mais
Quanto à consulta do Prof. Luciano Eduardo de Oliveira, em 23/5/2007, parece-me que na frase «Também se usa a palavra mate quando se quer dirigir-se de maneira agradável a outra pessoa, principalmente homem», ocorre, em verdade, uma locução verbal (quer dirigir-se); portanto bastaria um se para tornar a frase gramatical, ou pelo menos, mais suave aos ouvidos. Assim seria: «Também se usa a palavra mate quando se quer dirigir de maneira agradável a outra pessoa, principalmente homem.»
Ter / existir
   Em Portugal costuma-se criticar os brasileiros pelo seu uso de "ter" nas frases:    Em Portugal tem montanhas. / Neste quarto não tem televisão.    E sugere-se as seguintes alternativas:    Em Portugal há montanhas ou (sem em) Portugal tem montanhas.    Isto é uma legítima crítica? Ou não passa de uma piada prescritiva? No Brasil o uso de "ter" nas frases locativas-existenciais é considerado correto na linguagem formal? Eu pessoalmente não concordo com essas críticas, visto que este uso de "ter" é uma tendência universal (em polonês, por exemplo, este "ter" pode usar-se nas orações negativas, e em croata tanto nas negativas como nas positivas).    Obrigado.
«E vedes qual será a loação»:
oração subordinada
Antes de mais, gostaria de agradecer ao Ciberdúvidas o excelente trabalho que desenvolve. Em seguida, coloco a minha questão: deparei-me recentemente, num manual de Português do 10.º ano, com a seguinte questão: «Classifica a oração "qual será a loação" na frase "E vedes qual será a loação".»[1] O que estranhei foi a solução proposta: oração subordinada substantiva completiva, pois, na minha modesta opinião, eu classificá-la-ia como uma oração subordinada substantiva relativa. Assim, peço o vosso esclarecimento, que agradeço antecipadamente.   [1 N. E. – «E vedes qual será a loação» = «e  vedes qual será o louvor». Trata-se de um verso da conhecida cantiga satírica do trovador português João Garcia de Guilhade, "Ai dona fea, fostes-vos queixar". Assinale-se que, por preocupações didáticas, o manual em causa escreve "loação", mas a forma medieval é loaçom. Acrescente-se que loaçom, «louvor», assim como loar, que significa «louvar» são termos utilizados frequentemente na poesia trovadoresca. Registe-se, ainda, o vocábulo loa, antigamente também equivalente a «louvor», mas cujo uso contemporâneo ocorre sobretudo no plural, loas, no sentido de «mentiras».]
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