DÚVIDAS

Bumbo/Bombo, outra vez
Ao esclarecimento que foi dado hoje (2/2/01), em relação ao significado da palavras "bumbo", inserta num livro de Pepetela, gostaria de acrescentar o seguinte: na gíria luandense dos anos 60/70 os negros eram referidos, especialmente pela camada jovem da população branca, como "bumbos". Era um hábito de linguagem não pejorativo. "Manbumbo", por exemplo, quer dizer irmão negro. Os negros, por sua vez, referiam-se aos brancos como "pulas", "polacos", etc. Ainda hoje, em conversa com amigos negros de Angola, quando nos referimos a ambas as raças usamos os mesmos termos.
«Contra si» e «contra ele»
Deparei-me com a seguinte frase e fiquei com dúvidas: «[...] toda vez que houver ação do denunciante ou contra ele [...].» Pelo que conferi, salvo engano, há casos em que o pronome reto ele pode substituir o tônico, si, quando há reflexividade. Todavia, a questão que me ficou é: aplicando a mesma construção, preposição contra + pronome, em outras pessoas, parece-me que apenas a o pronome tônico seria correto: e. g., contra mim, não contra eu; contra ti, não contra tu. Logo, pergunto: após a preposição contra (e, no geral, após quaisquer preposições), é mais correto utilizar o pronome tônico? Por outro lado (e a depender da reposta à pergunta anterior), por exemplo, na seguinte frase: «Todos os amigos estão contra ele/si». Qual seria a forma correta? Quando leio contra si, sinto haver reflexividade (que, no caso, não há); esse sentimento é incorreto? Ou seja, o sentimento de reflexividade atrelado ao pronome si é fruto já de uma corrupção do português? Muito obrigado!
Emandongar
Antes de mais, gostaria de vos agradecer pelo excelente trabalho de divulgação e conhecimento da língua portuguesa! No meu círculo familiar, sempre se usou emandongar com o significado de «amarrotar» (uma peça de roupa). Acontece que, fora dele, estranhavam e desconheciam sempre a palavra. Sendo oriunda da região de Leiria/Coimbra, desconheço quaisquer raízes alentejanas, mas descobri há pouco tempo que a palavra pode ser um regionalismo alentejano. Podem confirmar/infirmar esta descoberta? E, já agora, existe algum registo sobre a etimologia da palavra? Muito obrigada e continuação de ótimo trabalho!
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa