A regência de dependurar
Sempre me pareceu que devemos escrever «dependurar em», mas tenho visto, nomeadamente em textos poéticos, a forma «dependurar de». Está correta? A minha impressão está errada?
Obrigado, desde já.
Que, atrator do pronome átono
Hoje ouvi na TV: «Já chegou o atleta que sagrou-se campeão!»
Então, não deveria dizer-se: «Já chegou o atleta que se sagrou campeão!»?
Ou estamos perante mais uma modernice por conta do acordo ortográfico?
Não + pronome o: «Não no pode estorvar» (Camões)
Algumas ocorrências que encontrei de pronomes oblíquos átonos arcaicos:
«Que estais no céu, santificado... Não no disse eu, menina? Seja o vosso nome…» (Almeida Garrett)
«Ele ou é trova, ou latim muito enrevezado, que eu não no entendo.» (Almeida Garrett)
«Via estar todo o Céu determinado / De fazer de Lisboa nova Roma; / Não no pode estorvar, que destinado / Está doutro Poder que tudo doma.» (Camões)
«O favor com que mais se acende o engenho / Não no dá a pátria, não, que está metida…» (Camões)
«Ora sabei, padre Fr. João, que eu bem no supunha, bem no esperava; mas parecia-me impossível, sempre me parecia impossível que viesse a acontecer.» (Eça de Queirós)
«A culpa de se malograrem estes sublimes intentos quem na tem é a sociedade…» (Camilo Castelo Branco)
«Parentes, amigos, nem visitas nenhumas parecia não nas ter.» (Almeida Garrett)
Há alguma explicação para o uso da consoante n antes dos oblíquos átonos?
Muito obrigado!
A grafia de tomada-macho
Considerando que os substantivos epicenos marcam apenas pares de animais, como são classificados, dentro do estudo dos substantivos, os termos que possuem a designação macho e fêmea, mas não são animais, como «tomada macho» e «tomada fêmea»?
Amornadela
Um empregado de mesa de um restaurante dirigiu-se a mim da seguinte forma: «A maçazinha assada foi a assar com o cabritinho... já deve estar fria. Se quiser, eu dou-lhe uma amornadela.» Pergunto-vos: a palavra “amornadela” existe?
Sessepe, serelé, arredobrar-se (Guimarães Rosa)
Gostaria de saber o significado das palavras seguintes numa das obras de Guimalhães Rosa, que me custam bastante para encontrar alguma solução e que parecem regionalismo ou da invenção do autor pela minha dedução:
a. sessépe, serelé:
«O coelhinho tinha toca na borda-da-mata, saía só no escurecer, queria comer, queria brincar, sessépe, serelé, coelhinho da silva...» (as duas palavras indicam um tipo de coelhos? ou certo jogo? ou como?)
b. arredobrar-se
«o esperto do gato repulava em qualquer parte, subia escarreirado no esteio, mas braviado também, gadanhava se arredobrando e repufando, a raiva dele punha um atraso nos cachorros." (só posso reconhecer que o verbo indica uma acção, mas não sei qual.)
Obrigada.
Megarrede
Como se deve escrever: "megarede" ou "megarrede"? Utilizo a primeira, a Editora diz que é a segunda. Agradecia uma explicação para a resposta correcta.
Com os meus agradecimentos.
Aquaplanagem, novamente
O efeito aquaplanagem é o resultado duma velocidade excessiva dum pneumático sobre uma estrada ou pista molhada. Se as circunstâncias não permitem que o pneumático evacue a água entre ele e a estrada, forma-se uma película de água entre os dois, que faz o famoso efeito aquaplanagem. A consequência é a perda total de aderência e a provável "estampagem" do automoblista.
O topónimo Taiwan II
Porque é que se diz Taiwan em lugar de "Taiwão"?
Nos casos de Paquistão e Afeganistão pode-se encontrar um padrão que não aplica no caso de Taiwan. É muito raro que uma palavra portuguesa termine com a letra n.
Então, é uma exceção como escrevemos e dizemos o nome do país asiático?
Dativo ético: «coma-lhe e beba-lhe»
Estou lendo O crime do padre Amaro e vi que o Eça às vezes usa expressões como «beba-lhe» e «coma-lhe», assim mesmo, no imperativo.
Cito:
«E quando as beatas, que lhe eram fiéis, lhe iam falar de escrúpulos de visões, José Miguéis escandalizava-as, rosnando: — Ora histórias, santinha! Peça juízo a Deus! Mais miolo na bola! As exagerações dos jejuns sobretudo irritavam-no: — Coma-lhe e beba-lhe, costumava gritar, coma-lhe e beba-lhe, criatura!»
Como explicar esse «lhe»?
