Singular genérico: «caminhão demora a frear»
A frase exata «E caminhão demora mais a frear» deve ser interpretada como?
Num primeiro momento, pode-se interpretar como uma generalização de todos os caminhões, mas também se pode interpretar como um caminhão específico que está demorando para frear?
A ausência do artigo definido dá um caráter generalista à frase, ou isso não é algo absoluto?
A expressão «cabeça de cartaz»
Antes de mais, parabéns pelo vosso excelente trabalho. Recorro frequentemente ao Ciberdúvidas desde há muitos anos e fico sempre esclarecido.
Quanto à pergunta que me levou a contactar-vos: à luz do Acordo Ortográfico de 1990, o termo "cabeça-de-cartaz" redige-se com ou sem hífens?
Já vi diversas fontes defenderem que os hífens se mantêm, enquanto outras defendem o contrário. Ou seja, não consigo chegar a uma conclusão.
Podem esclarecer-me?
Obrigado e bom trabalho.
Fazer causativo e orações de infinitivo
Na frase apresentada, perguntava se a mesma é aceitável.
«Os livros fazem perceberMOS a nossa cultura.»
Não se deveria ter optado pelo infinitivo impessoal («fazem perceber...»)?
Aproveito ainda para perguntar se a reformulação não poderia ficar nestes termos: «Os livros fazem-NOS PERCEBER a nossa cultura»?
Obrigado.
Controlar com objeto direto preposicionado
Mesmo sendo transitivo direto, deparamo-nos com ocorrências algo controversas onde a norma culta -- termo talvez ainda mais controverso -- parece estar de troça relativamente à transitividade do verbo controlar.
Nos exemplos abaixo, o que oficialmente poderia justificar (se justificáveis) as construções? [E, sim, há mais nos exemplos a ser abordado. Estejam livres para, por favor, instruir este consulente.]
A mim ninguém controla.
A mim, ninguém controla.
A mim ninguém me controla.
A mim, ninguém me controla.
Forte abraço à equipe Ciberdúvidas.
«Chocolate de leite» e «chá de menta»
A forma "chocolate ao leite" (similar ao francês chocolat au lait) é aceitável se estivermos a falar/escrever português de Portugal?
A contração ao (a+o) também pode ser usada neste contexto (o de indicar que o chocolate tem um teor de leite na sua constituição)?
Obrigada.
Associação de advérbios de intensidade: «tão pouco»
Na frase «Ele estuda tão pouco», o termo «tão pouco» é uma locução adverbial de intensidade? Ou dois advérbios de intensidade?
Obrigado.
Descrição e narração
O segmento «A vida mais uma vez tinha virado. Agora verificava a ordem dos armazéns, o bom estado dos navios, controlava as cargas e as descargas, discutia negócios e contratos. As suas viagens iam-se tornando rápidas e espaçosas.» – é um momento de descrição ou de narração?
O valor imperfetivo de «começou a fazer...»
Gostaria que me esclarecessem quanto ao valor aspetual configurado no seguinte enunciado:
«O João começou a fazer os trabalhos de casa depois do almoço.»
A minha dúvida prende-se com o valor aspetual presente no complexo verbal «começou a fazer».
Por um lado, parece poder ser imperfetivo; mas a utilização do pretérito perfeito deixa-me a pensar se deverá ser considerado perfetivo.
Obrigado.
O pronome se e o infinitivo passivo
É obrigatório ou facultativo o uso de se em construção como: «fácil de (se) fazer»?
Mais precisamente, pergunto se não é obrigatório o uso de se na frase
«Tomado pela preocupação com a doença, sua vida não seria apenas impossível, mas sobretudo indigna de viver.»
Se for possível, peço referencias bibliográficas para a fundamentação da resposta.
De antemão, muito obrigado.
Modificador de frase: «segundo o encenador»
No segmento frásico «Uma versão que, segundo o encenador, não contém todo o original do autor romântico», a expressão «segundo o encenador» desempenha a função sintática de modificador do grupo verbal?
A expressão está inserida dentro de um modificador restritivo, mas é "secundarizado" pelas vírgulas, o que lhe pode atribuir uma função diferente.
Obrigada pela atenção.
