Modificador de frase: «segundo o encenador»
No segmento frásico «Uma versão que, segundo o encenador, não contém todo o original do autor romântico», a expressão «segundo o encenador» desempenha a função sintática de modificador do grupo verbal?
A expressão está inserida dentro de um modificador restritivo, mas é "secundarizado" pelas vírgulas, o que lhe pode atribuir uma função diferente.
Obrigada pela atenção.
Gesto = «expressão facial»
Regressando a Os Lusíadas, reparo que a palavra gesto surge muitas vezes no texto com o sentido de «rosto» ou «fisionomia».
Curiosamente, os dicionários modernos preveem esse sentido. Mas, francamente, não me lembro de alguma vez ter utilizado ou escutado, no meu quotidiano, a palavra gesto com tal intenção.
Assim, o que pergunto é se esse significado é arcaico ou se, apesar de menos comum, continua a ser válido no português contemporâneo.
Muito obrigado.
Associação de advérbios de intensidade: «tão pouco»
Na frase «Ele estuda tão pouco», o termo «tão pouco» é uma locução adverbial de intensidade? Ou dois advérbios de intensidade?
Obrigado.
Construção comparativa: «menos seis do que no Porto»
Quando queremos referir uma diferença num fuso horário, qual é a forma mais correta de o escrever?
(1) «Aqui, são seis horas menos que no Porto.»
ou:
(2) «Aqui são menos seis horas do que no Porto.»
(3) «Aqui são menos seis horas que no Porto.»
A minha dúvida eterna: que/ do que, existência ou não da vírgula, correta posição do advérbio menos.
Obrigada!
«Esse tal» e «esse tal de»
Na frase «A perseverança ajuda-nos a lidar com esse tal de medo» a preposição destacada é necessária?
Obrigado.
Consoantes sibilantes e palatais
Há algum tempo aprendi que, antigamente:
1. z não soava como s intervocálico, isto é, [z];
2. ç (ou ci/ce) não soava como ss/s inicial, isto é, [s];
3. ch não soava como soa habitualmente x, isto é, [ʃ].
Depois, lembrei-me de mais um par parecido de consoantes homófonos:
4. d palatal e j, que soam [ʒ].
Também queria perguntar o que se segue sobre este quarto par.
A propósito de cada um destes quatro casos de consoantes agora homófonas, queria perguntar:
1. Se estou certo em dizer que antigamente se pronunciavam diferentemente;
2. Quais se acha terem sido os sons delas quando ainda se pronunciavam diferentemente (podem usar o Alfabeto Fonético Internacional na resposta);
3. Quando se acha que deixaram de se diferenciar na pronunciação.
Estou interessado no sotaque de Lisboa, pois estou consciente de que terão persistido menos ou mais tempo noutras regiões de Portugal.
Enfim, agradecia também se pudessem indicar alguns livros onde poderia ler mais sobre estas e outras parecidas alterações fonológicas da língua portuguesa.
Antecipadamente grato pela ajuda prestada.
Uma enumeração vicentina
Nos versos «Passai-me, por vossa fé, / meu amor, minhas boninas, / olho de perlinhas finas!», da obra Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, para além de metáforas e apóstrofes, podemos dizer, também, que estão presentes enumerações?
Muito grato!
A expressão «estar a fim de (algo/alguém)»
Na expressão «estar a fim de algo/alguém», e.g., (1) «estou a fim de você» ou (2) «estou a fim de ver um filme», qual função sintática da locução «a fim de» bem como da partícula que a sucede: (1) «você» e (2) «ver um filme»?
Seriam iguais em ambos os casos ou assumiriam funções diferentes?
Desde já exprimo meu sentimento de gratidão e apreço pelo vosso trabalho!
Fazer causativo e orações de infinitivo
Na frase apresentada, perguntava se a mesma é aceitável.
«Os livros fazem perceberMOS a nossa cultura.»
Não se deveria ter optado pelo infinitivo impessoal («fazem perceber...»)?
Aproveito ainda para perguntar se a reformulação não poderia ficar nestes termos: «Os livros fazem-NOS PERCEBER a nossa cultura»?
Obrigado.
Completiva de infinitivo vs. a construção «ser fácil de»
Tendo consultado as vossas explicações, fiquei, todavia, em dúvida. Na frase apresentada, a preposição é necessária?
«Sei que ficaria mais fácil de escrever um texto que se lesse.»
Cordialmente
