DÚVIDAS

Réu, acusado, arguido, suspeito, indiciado, culpado
Quando alguém vai responder em tribunal, parece que nunca acertamos com as designações a atribuir à pessoa que vai responder. Já não querem a designação de culpado, porque isso só depois de sentença transitada em julgado; a de réu também não, porque ainda não é culpado; e a de acusado, porque o Ministério Público ainda não deduziu acusação. Parecem preferir a de arguido, de suspeito, de indiciado... fala-se em «alegado agressor», «alegada transgressão», «alegados factos», etc. No entanto, sobretudo em julgamentos do domínio do cível, a cada passo o tribunal se refere ao réu ou à ré, conforme os casos, e continua a citar-se o aforismo «in dubio pro reo». Será confusão, panóplia de eufemismos? Em que ficamos? Muito agradeço uma resposta.
Diferença entre lhes e vos
Antes de mais, parabéns e bem hajam por este serviço em prol da língua portuguesa. (espero não estar a escrever erros). A minha pergunta: Faz-me sempre muita confusão quando ouço, p. ex.: apresento-lhes o micro ondas... (publicidade feita pelo cozinheiro António Silva a um microondas). Mas mesmo o Dr. José Hermano Saraiva usa muito o pronome lhes na sua forma singular ou plural quando se refere a nós telespectadores. Não deveria ser apresento-vos, falei-vos, informei-vos? Não sei por quê (está bem este por quê separado?), não tenho grande justificação, mas para mim o sentido que dou a lhes é a eles e vós o de a vocês, portanto, uma forma mais directa.
O verbo sentir-se como reflexivo
A propósito da consulta feita em 9/6/2010 e respondida pela professora Ana Martins, no que se refere aos exemplos dados e à análise feita das frases «O Zé sentiu-se o rei da bicharada», «O Zé sentiu-se insignificante», «As crianças sentiram-se mal», pergunto se não é admissível considerar o verbo sentir-se nesse caso como reflexivo. Nesse caso, teríamos um predicativo de objeto direto, representado pelo pronome se. O verbo sentir é essencialmente transitivo («Sentiu a presença do inimigo»). Assim, na frase «Luísa sentiu o marido desconfiado (sentiu-o)», desconfiado seria predicativo do objeto direto; na frase «Luísa sentiu-se desconfiada (sentiu-se a si própria)», ocorreria o mesmo. Peço ainda opinião sobre a seguinte frase: «Luísa sentiu o marido junto de si.» «Junto de si» poderia considerar-se predicativo do objeto direto? Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa