DÚVIDAS

A forma «foi imprimido»
Tenho uma dúvida relacionada ao uso da forma participial imprimido. É certo que, por ser imprimir um verbo com duplo particípio, usa-se imprimido em tempos compostos e impresso nos demais casos. No entanto, creio ter percebido uma sutileza semântica que pode alterar esse padrão de uso. Com o sentido de «estampar, fixar, gravar, tipografar», [é verdade que] o padrão se mantém. Mas, com o sentido de «conferir alguma coisa a algo ou a alguém» ou «transmitir movimento/força a algo», penso que esse padrão se modifica, como se verifica em «Foi imprimida (e não impressa) grande velocidade ao carro para o estabelecimento do recorde». Sendo assim, gostaria de saber duas coisas: (1) O particípio regular imprimido pode ser usado não só em tempos compostos, a depender do seu sentido? (2) Existem outros verbos (e quais seriam) que se encaixam nesse caso? Muito obrigado!
«Mesmo quando» e «ainda quando»
Eu estava lendo um texto, e se me apresentou que a conjunção quando e as locuções conjuntivas «ainda quando» e «mesmo quando» podem ser usadas em orações subordinadas com valores concessivos. Vocês poderiam destrinçar essa possibilidade de usos, em que quando é usado em orações temporais e é antecedida por mesmo ou por ainda?  E também apresentar possíveis orações com essas três palavras, entre aspas, com valores concessivos? Desde já, meu agradecimento.
A sintaxe do verbo evadir
Preciso entender a sintaxe do verbo evadir, pois os dicionários que consultei me deixaram com mais dúvidas do que já tinha. O Dicionário Online de Português mostra que esse verbo é transitivo direto e pronominal quando a definição for «afastar-se de uma resposta direta». Porém, logo em seguida, cita uma frase com preposição: «evadir-se a uma crítica». Se o verbo é transitivo direto, a frase correta não seria «evadir-se uma crítica»? Porém, admito que ficaria estranho. Portanto, o mais correto não seria dizer que o verbo é transitivo indireto, citando a referida frase como exemplo (evadir-se a uma crítica)? A minha dúvida vem da frase que pretendo escrever em que um filho faz uma pergunta a que a mãe não sabe como responder. A frase é: «Pega de surpresa, ela sorri desconcertadamente e tenta se evadir da resposta.» Fico grato se puderem me elucidar esse enigma!
A grafia de Ataulfo
Referente aos antropônimos germânicos terminados em -ulfo, há alguma prescrição para que sejam registrados sem acento? Ou será que deveríamos utilizar? Me intriga, pois já me ocorreu de notar casos de uso e desuso do acento, muitas vezes no mesmo nome. Lembro-me imediatamente de Ataúlfo, o segundo rei visigótico conhecido, cujo nome é relativamente bem documentado com acento, embora haja oscilação (vide verbete Decadência e Queda do Império Romano no Ocidente, na Infopédia, que oscila entre ambos no mesmo texto). Há, claro, os casos de adaptação com -o-, como Rodolfo, mas é uma incógnita para mim acerca dos muitos -ulfos conhecidos, sobretudo dos fins da Antiguidade e Idade Média. A título de comparação, alguns destes germânicos citados em grego são acentuados (cf. Αριούφος; Ἰνδούλφος; Αταούλφος). Agradeço de antemão.
Escravo e «pessoa escravizada»
Gostaria de saber se existe uma diferença marcada entre as palavras escravo/a e escravizado/a e se se deve evitar a utilização da primeira. Alguns teóricos e autores sobre o assunto (especialmente na academia brasileira) argumentam, atualmente, que se deverá utilizar a expressão escravizado/a em vez de escravo/a para designar alguém privado de liberdade e direitos cívicos e que é propriedade de outrem. Poderiam esclarecer-me se é mesmo assim? Devemos dizer «pessoa escravizada» em vez de escravo/a? Grata pela vossa atenção.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa