Um caso de catáfora num exame de Português
Gostaria de saber em que medida a expressão seguinte configura uma catáfora. O exercício, de um exame de português de 12.º ano, diz assim:
«O recurso à expressão "tudo o que Fernando Pessoa não pode ser" configura uma... Catáfora, reiteração, anáfora ou elipse. (Escolha múltipla)»
As soluções indicam «catáfora».
Contexto: «(...) a verdade é que é de Caeiro que irradia toda a heteronímia pessoana, pois ele é tudo o que Fernando Pessoa não pode ser: uno porque infinitamente múltiplo, o argonauta das sensações, o sol do universo pessoano.»
Neste caso «ele» é o correferente, e «tudo o que o Fernando Pessoa não pode ser», o referente, uma vez que na catáfora o correferente aparece antes do referente?
Gostaria que me elucidassem, pois fiquei confusa.
Obrigada.
O topónimo Castelo de Bode
Gostaria de saber qual a forma correta para a localidade onde está a barragem. Devemos dizer "Castelo de Bode" ou "Castelo do bode"?
Adicionalmente a barragem ali edificada é a "barragem de Castelo do Bode" ou "barragem do Castelo de Bode"?
Muito obrigado
Sobre as funções sintáticas do advérbio não
Desejava saber se o advérbio de negação desempenha a função sintática de modificador do grupo verbal.
Por exemplo:
«Eu não o tenho visto ultimamente.»
Análise sintática: «Eu» – sujeito simples; «não o tenho visto ultimamente» - predicado; «o» – complemento direto; «ultimamente» – modificador do grupo verbal (O advérbio não não desempenha nenhuma função sintática.)
ou
«(…) não» – modificador do grupo verbal; «o» – complemento direto; «ultimamente» – modificador do grupo verbal
A minha dúvida advém do seguinte:
1. Os modificadores do grupo verbal dão-nos informações acessórias sobre a realização da ação, isto é, indicam-nos as circunstâncias da realização da ação (como os antigos complementos circunstanciais);
2. Nunca vi na antiga terminologia gramatical um complemento circunstancial de negação;
3. Na verdade, com um não não estamos a modificar a ação/dar informação sobre as circunstâncias da realização da ação – estamos apenas a negar essa ação (frase afirmativa vs. frase negativa). Será que “negar a ação” é “modificá-la”? Se se considerar que estamos a “modificá-la”, não existe aqui uma certa confusão conceptual?
Consultei o Dicionário Terminológico (DT), que nos apresenta o seguinte, a propósito do advérbio de negação: «Advérbio de negação Advérbio cujo significado contribui para reverter o valor de verdade de uma frase afirmativa ou para negar um constituinte. Este advérbio pode ser um modificador do grupo verbal ou de um constituinte do grupo verbal.»
Negação frásica:
(i) O João [não] comprou flores à Ana.
[Análise sintática desta frase: «O João» – sujeito simples; «não comprou flores à Ana» – predicado; «não» – modificador do grupo verbal (???); «flores» – complemento direto; à Ana – complemento indireto]
Negação de constituinte:
(iii) O João [comprou à Ana ontem [não flores]], mas livros. (modifica o grupo nominal complemento direto)
[Análise sintática desta frase: «O João» – sujeito simples; «comprou à Ana ontem não flores, mas livros» – predicado; «à Ana» – complemento indireto; «ontem» – modificador do grupo verbal; «não flores, mas livros» – complemento direto]
O não fica de fora. Ficará também de fora na frase de cima (i).
Parece-me haver nesta entrada do DT um conceito diferente de “modificador do grupo verbal”…
Obrigada pela atenção concedida.
A expressão «faltar ao respeito»
A minha dúvida é sobre estas duas expressões (i) "faltar respeito" (ii) "faltar com respeito".
Oiço mais, aqui em Bissau, o uso da primeira frase, mas nos filmes, escrituras ou telenovelas portuguesa, oiço só a segunda.
Então, pergunto qual dessas é correta.
O uso possessivo de lhe II
Gostaria de saber se a frase a seguir está correta no que se refere à regência do verbo morder:
«O cão mordeu-lhe na perna.»
Obrigado.
«O demais» vs. «tudo o mais»
«Desejar violentamente uma coisa é tornar-se cego para o demais»[, disse] Demócrito, filósofo.
Como se explica gramaticalmente este final de frase «para o demais»? Está correto ou deveria ser substituído para «as demais» ou equivalentes?
[E em] «O brilho dessa paixão torna-o cego para tudo o mais», esse o em «tudo o mais» é obrigatório na gramática normativa?
A oração não finita de infinitivo
em «Os exercícios são difíceis de...»
em «Os exercícios são difíceis de...»
Quanto à flexão, qual a indicação da gramática normativa quando, a despeito de figurar em construção de voz passiva, o infinitivo servir de complemento a adjetivo e ostentar o mesmo sujeito da oração principal?
A título de exemplo: «Os exercícios são difíceis de ser/serem resolvidos.»
Ainda, passando-se à segunda oração à construção passiva pronominal, devemos enveredar pela flexão do infinitivo passivo ou pela não flexão do infinitivo complemento?
«Os exercícios são difíceis de se resolver/resolverem.»
Particípios passados usados como adjetivos
Gostaria de resolver uma dúvida em relação aos particípios duplos. Geralmente, costuma dizer-se que o particípio regular se usa para a formação dos tempos compostos com o auxiliar ter, e o irregular na voz passiva com os auxiliares estar e ficar, ainda que existam algumas exceções (ganho, pago... etc.).
A minha pergunta é: qual é o particípio que deveria ser utilizado quando a forma funciona como adjetivo?
Por exemplo, na frase «o quadro aceitado/ aceite receberá um prémio de 3000€», qual seria a forma correta?
Muitíssimo obrigada pela atenção.
«Solar», «relativo ao sol» vs. solar, «casa nobre»
Estou com uma dúvida que me tem inquietado. Na ficha de trabalho de um manual, a propósito da obra Auto da Barca do Inferno [de Gil Vicente], surgiu a palavra solar («fidalgo de solar») identificada como extensão semântica (solar – relativo ao sol /solar – terreno onde se eleva a casa de uma família nobre ou pessoa nobre). Será possível aceitar extensão semântica e também derivada por sufixação?
Nomes contáveis e não contáveis: o caso de alimentação
Pretendo esclarecer se o nome alimentação é contável ou não contável.
Obrigada.
