DÚVIDAS

«Escravo do seu bel-prazer»
Veja-se este trecho da canção "Minha Vida", de Lulu Santos: "(...) A garota mais bonita Também era a mais rica Me fazia de escravo do seu bel-prazer (...)." A dúvida: se fosse um texto formal, seria possível utilizar-se a expressão "do seu bel-prazer". Há isso na língua culta padrão? Não seria melhor "ao seu bel-prazer"? Qual a diferença entre uma expressão e outra, se é que ambas existem?
Estar vs. está (Brasil)
Lendo trabalhos escolares da escola onde hoje leciono, deparei com um texto redigido por aluno e corrigido por um professor. Texto do aluno: «Que motivos tenho eu para ESTAR falando sobre isso?» Correção do professor: «Que motivos tenho eu para ESTÁ falando sobre isso?» Sempre escrevi como o aluno escreveu. No meu raciocínio, se a locução equivale a falar, que está no infinitivo, o verbo auxiliar deve seguir a lógica desse verbo, atendendo ao seu tempo e ao seu modo. Assim aprendi. No caso, o infinitivo estaria flexionado na 1.ª pessoa do singular e, por isso, não apresenta desinência número-pessoal, o que dá a ele a aparência de um infinitivo não flexionado. Questionado o professor, fui procurada por ele, que me afirmou o seguinte: «Trata-se de uma locução verbal, que equivale a "falar". Você deve estranhar o fato de a primeira pessoa do singular estar aqui, mas, como eu não poderia dizer "quem sou eu para ESTOU aqui", flexiono o verbo na terceira pessoa do singular, uma vez que o verbo auxiliar TEM DE ESTAR flexionado.» Afinal, estou equivocada ao afirmar que o verbo estar, na frase «quem sou eu para ESTAR falando sobre isso» está, sim, flexionado? Ao que me consta, ele está na 1.ª pessoa do singular no modo infinitivo (no caso, pessoal e flexionado). Por favor, gostaria de dirimir essa questão.
A correlação de tempos verbais na frase
«Duvido que o Zé fosse capaz disso»
Encontrei a frase «Duvido que o Zé fosse capaz de fazer uma coisa dessas» nas soluções dum livro de exercícios de Português para estrangeiros. Embora as regras da consecutio temporum indiquem que a subordinada deveria levar o conjuntivo presente «Duvido que o Zé seja capaz de fazer uma coisa dessas», ao mesmo tempo, parece-me correta a utilização do imperfeito, com o fim de atribuir à oração uma perspetiva presente de um momento no passado: duvido (agora) que o Zé fosse capaz (no passado)... Por outro lado, poderíamos utilizar o pretérito-mais-que-perfeito do conjuntivo: «Duvido que o Zé tenha sido capaz de fazer uma coisa dessas»? Muito obrigada pela ajuda.
"Prosália" (?)
Queria saber se a palavra “prosalia” (não acentuo porque penso ser uma palavra latina) existe em Português e qual o seu significado. Ouvi utilizá-la como sinónimo de “prosódia”. A palavra foi utilizada em contexto escolar para referir as dificuldades dos alunos na leitura e acentuação das palavras em Francês. Ficaria muito grata se me pudesse dar uma resposta esclarecedora. Não encontro a palavra em nenhum dicionário de Português, nem de Latim. Numa pesquisa que fiz na Internet, encontrei-a mas designa uma espécie vegetal.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa