Milhão (Bragança) e outros topónimos
Li a vossa explicação sobre o tema e responde em parte à minha dúvida, no entanto há topónimos derivados de nomes comuns que não são precedidos de determinantes artigos.
Exemplos: Vila Real, Quintanilha, Milhão, Palácios, Soutelo...
Qual a explicação?
Obrigado
O verbo passar com predicativos
Na frase: «O homem passou de professor a diretor.»
1. Qual a função sintática do termo «de professor»?
2. Qual a função sintática do termo «a diretor»?
3. Qual a transitividade do verbo passou?
Obrigado.
A grafia de super-heteródino
Como se escreve/lê a palavra seguinte: "superheteródino", "super-heteródino", ou "super-heterodino"?
No Brasil escrevem "heterôdino", mas desde há muitos anos que leio e escrevo a palavra como grave.
Cumprimentos.
O regionalismo «de enxotão»
O meu falecido pai utilizava um termo para descrever quando por um rego de água estava a verter bastante. Este termo era «deitar de enxotão».
Pergunto se esta palavra tem alguma razão de ser e qual a origem?
Obrigado.
Adjuntos adnominais e vírgulas
Na frase «A sentença proferida pelo juiz relativa à ação de divórcio foi anulada», deveria haver vírgulas isolando o sintagma «relativa à ação de divórcio»?
Como se classifica «relativa à ação de divórcio» sintaticamente?
Sei que «à ação de divórcio» é um complemento nominal do adjetivo relativa, mas e o sintagma inteiro? Trata-se de um adjunto adnominal?
Pergunto isso porque me parece que há uma mudança de sentido causada pela presença das vírgulas, da seguinte maneira:
«A sentença proferida pelo juiz, relativa à ação de divórcio, foi anulada.» = «A sentença proferida pelo juiz, [que é] relativa à ação de divórcio, foi anulada.» = Fala-se de apenas uma sentença específica, e o sintagma «relativa à ação de divórcio» explica essa sentença.
«A sentença proferida pelo juiz relativa à ação de divórcio foi anulada.» = «A sentença proferida pelo juiz [que é] relativa à ação de divórcio foi anulada.» = Há diferentes sentenças, e a que foi anulada é a relativa à ação de divórcio. O sintagma tem sentido restritivo.
Não se se isso procede, mas, caso sim, como «relativa à ação de divórcio» poderia estar entre vírgulas se se trata de um adjunto?
Agradeço desde já.
A dêixis em «entrei em casa há pouco»
Na frase «Entrei em casa há pouco», que tipo de dêixis é configurada pela forma verbal?
Não podemos admitir as três: pessoal (uso da 1.ª pessoa), espacial e temporal ( pretérito)?
A frase foi retirada de um manual escolar do 12.º ano que apresenta como solução: «deítico espacial».
Obrigada.
A expressão «método D'Hondt»
Qual será a forma correta: «método D'Hondt» ou «método de Hondt»?
Grato, desde já, pela resposta e pela existência do Ciberdúvidas.
Oração condicional de enunciação
Numa resposta dada pelo consultório de Ciberdúvidas, está a seguinte frase:
«Se erradicar se aproxima do exagero, irradiar pode também não satisfazer os mais ciosos da integridade semântica das palavras.»
Pergunto, então: a oração iniciada por se é uma oração subordinada condicional típica?
Desde já agradeço a resposta.
Colocação do clítico com o verbo poder
Não tenho dúvidas sobre as posições possíveis do pronome pessoal átono nas construções formadas por auxiliar finito e verbo principal no infinitivo. Há mesmo muitas respostas sobre o assunto.
Contudo, interessa-me saber se é coerente a justificativa para a norma idiossincrásica que sigo. Sei estarem em conformidade com o uso culto corrente as seguintes construções, transcritas da resposta do consultor Carlos Rocha à consulente Ana Magalhães, em 7 de novembro de 2018:
1. Vai/Pode conhecer-se muitos lugares.
2. Vai-se/Pode-se conhecer muitos lugares.
3. Vão/Podem conhecer-se muitos lugares.
4. Vão-se/Podem-se conhecer muitos lugares.
Sei também que se é pronome indeterminado em 1 e 2, mas apassivante em 3 e 4, estas consideradas preferíveis pela norma mais conservadora.
Vem, finalmente, a minha pergunta: a despeito de o uso corrente não fazer distinção entre as construções formadas por um auxiliar modal e as formadas por um não modal, não há alguma diferença entre elas, que tem implicações relevantes? Explico-me com exemplos.
Não se diria, normalmente, «Conhecer muitos lugares pode-se», mas a frase não é agramatical e poderia ser empregada para fins enfáticos, como em «Conhecer muitos lugares pode-se; o que não se pode é usar o desejo de conhecer muitos lugares como pretexto para justificar a falta de compromisso com os estudos». Portanto, «Conhecer muitos lugares» é sujeito, e, como o núcleo do sujeito é um verbo no infinitivo, a forma verbal finita mantém-se no singular: «pode-se». Trata-se, a meu ver, não de construção com sujeito indeterminado, mas sim de construção com sujeito determinado, cujo núcleo é um verbo no infinitivo que obriga à manutenção da forma verbal finita no singular.
Por ser construção com sujeito determinado é que entendo menos aceitável (sempre à luz do meu raciocínio, e não do uso corrente) o exemplo 1. Veja-se que não haveria construção enfática que salvasse da agramaticalidade «Conhecer-se muitos lugares pode». É aqui que está a distinção dos auxiliares não modais, sujeitos, a meu ver, a restrições ligeiramente diferentes.
Não se diz, penso eu, «Conhecer muitos lugares vai-se», nem sequer numa construção enfática como «Conhecer muitos lugares vai-se; o que não se vai é conhecer todos num só dia». Não se diz tampouco «Conhecer-se muitos lugares vai». O núcleo do sujeito não é, diferentemente do que ocorre com os auxiliares modais, um verbo no infinitivo, mas sim um substantivo: lugares.
É, a meu ver, esta a razão por que a norma mais conservadora exige a concordância do verbo auxiliar não modal com o substantivo («Vão-se conhecer muitos lugares»), mas considera possível a concordância do auxiliar modal tanto com o substantivo quanto com o verbo no infinitivo, embora prefira, diferentemente de mim, que se faça a concordância com o substantivo, e não com o verbo no infinitivo.
O que descrevo parece decorrer da preservação pelo auxiliar modal de parte da sua função plena, completamente faltante ao auxiliar não modal, a que chamo auxiliar puro. É por isso que prefiro, independentemente seja da norma mais conservadora, seja dos usos cultos correntes, as formas seguintes:
1. Pode-se conhecer muitos lugares (modelo para construções com auxiliares modais).
2. Vão conhecer-se muitos lugares (modelo para construções com auxiliares não modais).
Entendo que é junto ao verbo principal o lugar "natural" para o pronome apassivador, pois a função deste é indicar a apassivação daquele nas construções com auxiliares não modais, como a do exemplo.
É internamente coerente a justificativa para a norma idiossincrásica que sigo?
Grato pela atenção,
P.S.: Vejo uma diferença sutil entre «Pode-se conhecer muitos lugares» e «Podem-se conhecer muitos lugares». No primeiro caso, o verbo poder teria a acepção de permissibilidade, e, no segundo, de possibilidade ou capacidade, pelo que somente no segundo caso a frase equivaleria a uma passiva sintética, correspondente à passiva analítica «Muitos lugares podem ser conhecidos», em que o núcleo do sujeito é «lugares».
O nome pernoite
A derivação regressiva pernoite, que quer dizer pernoita, é uma criação brasílica ou existiu antigamente já em Portugal?
Muito obrigado!
