DÚVIDAS

Regências e orações relativas
Sabemos que os pronomes relativos devem ser procedidos pela regência dos verbos que os seguem. No entanto, não é uma prática que percebo na oralidade. É frequente ouvir: Li o livro que me falaste. Em vez de: Li o livro de que me falaste. Aprendi a música que gosto. Em vez de: Aprendi a música de que gosto. Gostaria de saber o que as gramáticas dizem sobre isto e a vossa opinião. Devemos considerar agramatical? Obrigada!
Felonia e "felão"
Sei que em língua portuguesa encontra-se o substantivo felonia, derivado do francês félonie. Atesta-se alguma forma adjetiva em português, que corresponda a félon em francês? Encontrei num sítio chamado Enciclopedia.Inc a palavra "felônio", cujo significado é correspondente a félon: «que se refere a um indivíduo que pratica atos criminosos, um criminoso ou delinquente.» Mas, não sei se é uma fonte confiável, e gostaria de contar com seu juízo a respeito. Agradeço antecipadamente pela sua colaboração e orientação sobre o assunto.
Septologia e heptalogia
Os sete livros que compõem a obra-prima do norueguês Jon Fosse saíram em Portugal com o título Septologia, e não "Heptalogia", como seria a forma mais comum de se referir a uma coletânea de sete unidades. Pesquisei bastante e tudo a que cheguei em relação ao radical septo- aponta para acepções anatômicas ou biológicas, não numéricas. O que teria levado a prestigiosa editora que lançou o volume a optar por esse título? Agradeço a atenção da resposta.
Reforma, aposentação, jubilação
Outrora, designava-se de aposentação a situação de um funcionário que descontava para a Caixa Geral de Aposentações e que por ter completado a idade regularmente fixada, por doença ou por incapacidade física era dispensado do serviço (os designados funcionários públicos) e por reforma a situação dos trabalhadores que descontavam para a Segurança Social e que pelas razões aduzidas a propósito da aposentação eram dispensados do serviço (os designados trabalhadores do sector privado). O português sendo uma língua viva vai-se modificando, e, hoje, aposentação e reforma tornaram-se praticamente sinónimos o que levou a que muita gente desconheça o que as distinguia. Há, porém, uma outra situação que é a jubilação, a que só duas classes profissionais podem aceder: os professores universitários e os magistrados. Não consegui, até hoje, apesar das buscas efectuadas, perceber quais as especificidades que a caracterizam. Sei que há diferenças materiais, pois há diversos acórdãos judiciais a pronunciarem-se sobre o assunto, em resultado de acções interpostas por quem se sentiu lesado, materialmente. Haverá, espero, algum dicionário que precise em que consiste, e o que a diferencia da aposentação e da reforma. Não sei se no domínio da etimologia o Ciberdúvidas centra toda a sua busca, exclusivamente, na consulta dos dicionários ou se, quando necessário, «desce ao terreno» e vai, no caso, junto dos professores universitários e dos magistrados perscrutá-los.
Ditados e toponímia: «se não fora o Pindo e a Panadeira, todas as velhas iam à Ribeira»
Em qualquer provérbio o que interessa verdadeiramente (creio) é o seu alcance, o seu sentido conotativo. Por vezes, estou também em crer, o seu enunciado, que, duma forma geral ou frequente, tende a ter ritmo e rima, pouco terá a ver com a alegoria para que aponta. E aí é que bate o ponto. Dois exemplos de tais provérbios: 1. «Se não fora o Pindo e a Panadeira, todas as velhas iam à Ribeira» 2. «Acudam Cela, Parada e Outeiro, que arde o centro da religião do mundo inteiro.» Neste último, e na sua vertente denotativa, parece clara a advertência: acuda o mundo todo, mesmo os lugares mais pequenos (na imagem: as três mencionadas freguesias do concelho de Montalegre), porque Roma está em chamas. Já o sentido conotativo da sentença penso que poderá ser o seguinte: perante uma calamidade, uma catástrofe, a congregação de todos os esforços para ajudar a vencê-la não são demais. Ora o enunciado deste, se bem que, à primeira vista, não seja de fácil atinência, sempre se chega lá. Gostava, no entanto, que me confirmassem ou infirmassem o meu raciocínio. Já quanto ao primeiro: Pindo, quanto julgo saber, será o mesmo que Pindelo, nome de vários lugares ou freguesias do nosso país. Panadeira, acho que é uma espécie de tamboril. Dando isto como certo, não alcanço a alegoria. Naquele primeiro ditado é que não vislumbro a conotação que se pretende com os termos do texto. Sei que em muitas sentenças populares, repito, a letra pouco (ou nada) tem a ver com a "careta" (passe o plebeísmo). Sobretudo para o primeiro ditado peço a vossa esclarecida opinião e ajuda. Grato.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa