DÚVIDAS

Construção consecutiva: «tanto assim que...»
Na frase, do mesmo texto de Saramago, «Os amigos diziam-lhe que tinha um grande futuro na sua frente, mas ele não deve ter acreditado, tanto assim que decidiu morrer injustamente na flor da idade.», a oração «que decidiu morrer injustamente na flor da idade», para mim, é uma coordenada explicativa (por isso decidiu morrer), mas o facto de começar por «tanto assim», (de tal maneira que) pode ser considerada uma adverbial consecutiva? Neste último caso, qual será a subordinante? Muito obrigada por me tirarem as minhas dúvidas.  
Léxico dicionarístico
Sou um estudante do ensino médio e tenho interesse em estudar português. Gosto de pesquisar os significados de algumas palavras para enriquecer o meu vocabulário, mas me deparei com algo intrigante ao consultar o dicionário online Dicio. Ao buscar pela palavra gorjear, encontrei uma expressão que não consegui compreender completamente. Eis a definição em questão: Significado da palavra gorjear: Verbo intransitivo: – Emitir sons melodiosos; trilar, cantar: as aves que gorjeiam. [Por Extensão] Cantar rapidamente como se estivesse alterando os tons. Minha dúvida está relacionada à expressão «por extensão». Não tenho certeza do que isso significa e gostaria de receber ajuda para entender. Eu também tenho outra dúvida, algumas definições possuem a palavra Brasil antes delas, veja um exemplo do verbo fofocar. «[Brasil] Informal. Contar alguma coisa com a intenção causar intrigas; mexericar: fofocou sobre a vizinha» Não sei o que significa esse "Brasil". Agradeço antecipadamente quem conseguir responder minhas duas dúvidas: o que significa «Por extensão» e «Brasil» nessas definições?
Metáfora: «fazer manta aos lobos» (Aquilino Ribeiro)
Envio breve citação da obra de Aquilino Ribeiro, Terras do Demo: «Para mais, veio longe o Inverno, cedo saindo das profundas, onde o Diabo o gerou para tormento da Serra, com borrifos, ventania e o carujo lá em cima, entre as barrocas, a fazer manta aos lobos para dizimar os rebanhos. E com ele veio o taró que corta as orelhas e os beiços e o suão que parece uma navalha de salteador a picar, lento e malvado, o corpo todo. Mal se podia arredar passo fora de telha. À noite, no serão — que para poupar creosende Rosa amalhoava com outras na sua loja — todas clamavam que era castigo de Deus pelos muitos pecados dos homens, e que temporais tão duros só podiam ser sinal de fim do mundo. Mimosos e felizardos os que tinham os cabanais bem providos de lenhas, e não lhes faltava carniça e salpicão na salgadeira e batata farinhota no monte!» Terras do Demo, p. 59 O que significa «fazer a manta» neste contexto? Muito Obrigado.
O verbo correr, o infinitivo e o sufixo -inho
Quero parabenizar o site. Recorro a vocês para encontrar uma resposta que não encontrei em nenhum outro lugar na rede. É sobre alguns fenômenos linguísticos que tenho observado e para os quais não encontrei definição ou nome. São casos em que a regra sintática é quebrada com um propósito. Não são meramente erros. Na frase «Ele correu pegar a bola», o verbo correr assume uma transitividade que não lhe é própria. Um fenômeno parecido ocorre com «Vá ao quarto correndinho buscar meu telefone», em que o verbo no gerúndio recebe um diminutivo. Claro que as duas frases quebram normas gramaticais, mas não são meros erros, elas têm um propósito, atribuem uma expressividade à construção. Gostaria de saber se há figuras de linguagem em que esses dois fenômenos possam ser enquadrados. Inclusive, gostaria de saber se há mais exemplos desse mesmo fenômeno. Obrigado.
A expressão «em moco»
Em Trás-os-Montes, pelo menos no concelho de Vinhais, utiliza-se o termo "moco" (com o fechado) na expressão «em môco» que designa um pássaro recém-nascido, ainda sem penas e apenas com uma ténue penugem. Não encontro essa expressão nem o termo "moco" em dicionários de regionalismos, nomeadamente: – Mirandelês / Jorge Golias, Jorge Lage, João Rocha, Hélder Rodrigues. – Mirandela : Câmara Municipal de Mirandela, 2010. ISBN 978-972-9021-12-1; - – Dicionário dos Falares de Trás-os-Montes / Vítor Fernando Barros. – Porto: Campo das Letras, 2002. ISBN 972-610-580-3 Colocada a questão numa ferramenta de inteligência artificial, obtive a informação genérica seguinte: «O termo “moco” parece derivar do latim mucus, possivelmente relacionado ao estado frágil e vulnerável dos filhotes de pássaros, que ainda estão sem penas e cobertos apenas por uma leve penugem.» Gostaria de, se possível, obter a informação sobre a existência registada do termo ou expressão, qual a sua origem etimológica e qual o seu uso e emprego em Portugal, em resposta fundamentada por um dos vossos habilitados autores. Muito obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa