O uso adverbial de horrores
Gostaria de saber qual é a classe gramatical e a função sintática da palavra horrores na seguinte frase:
«Caminhamos horrores.»
Apenas para esclarecer o sentido, vejo a frase sendo usada para indicar que se caminhou muito, bastante, em demasia.
Agradeço todos os esclarecimentos que puderem me oferecer.
Foliação e "foliatação"
Há quem use, por influência francesa, o termo "foliatação", em vez de foliação, para designar a numeração dos fólios num manuscrito ou impresso antigo.
Dado que numerar folhas é um dos sentidos, recolhido em dicionário, do verbo foliar, a forma derivada correcta será foliação.
Foliatação suporia a existência, em português, do verbo "foliatar".
Pergunto se "foliatar" está atestado e, em caso negativo, se posso argumentar, baseado na coerência linguística, que se deve preferir a forma "foliação" ao galicismo "foliatação".
Concordância e silepse: «pai e filha assomaram a(s) cabeças(s)»
Desde já, quero agradecer-lhes pela excelente dedicação com que respondem às nossas dúvidas.
A minha questão refere-se ao uso de algumas palavras no plural. Por exemplo:
«Ainda que revelassem alguma apreensão, pai e filha assomaram as cabeças para o interior e adentraram o compartimento.»
Segundo esta frase, poderia substituir-se «cabeças» por «cabeça», ou ficaria ambíguo?
«Ainda que revelassem alguma apreensão, pai e filha assomaram a cabeça para o interior e adentraram o compartimento.»
A mesma dúvida surge com outras palavras, como «sorriso/ coração/alma, mente/ espírito»:
«Depois de ter passado muito tempo nesse estado depressivo, os amigos recuperaram os sorrisos», ou «Depois de ter passado muito tempo nesse estado depressivo, os amigos recuperaram o sorriso»?
«A Júlia e a Maria sentiam muita tristeza nos corações/ almas/ mentes/espíritos», ou «A Júlia e a Maria sentiam muita tristeza no coração/ alma/ mente/espírito»?
Obrigado!
Verbos pronominais essenciais
Diz o prof. Napoleão M. de Almeida, no §402, B de sua Gramática Metódica, o seguinte:
«Os verbos pronominais essenciais muito se aproximam dos verbos intransitivos, uma vez que exprimem ação que não pode passar para um objeto.»
Ora, se ambos os tipos de verbos indicam que a ação fica restrita ao sujeito, que diferença há entre eles, além de um indicar isso mediante pronome oblíquo da mesma pessoa que o sujeito (e.g.: Eu me queixei — Tu te arrependeste — Ele se orgulha), e o outro não indicar isso de modo algum (e.g.: Eu corri — Tu saíste — O pássaro voou)?
Obrigado
Fazer-se como verbo de ligação
Seria correto dizer que, no contexto abaixo, o verbo fazer é classificado como verbo de ligação?
«O uso da crase se faz necessário na locução à noite.»
O uso de feito como conjunção
«Ela tem olhos brilhantes feitos o Rei Sol.»
Dúvida: na frase apresentada está correto o uso de feitos relacionando olhos brilhantes e o sol?
Obrigada.
«Servir de» + infinitivo
Outro dia, lendo o livro Sintaxe Clássica Portuguesa de Cláudio Brandão de Sousa, eis que me deparo com a seguinte construção: «[...] a preposição de serve de exprimir [...].»
O questionamento me surgiu devido ao uso do infinitivo após a preposição de, porque, pelo menos para mim não é comum, foi a primeira vez que vi. Daí procurei em alguns dicionários se havia abonações de exemplos semelhantes, mas só encontrei com substantivos, como por exemplo: «o cabo da vassoura serviu-me de cajado».
Assim, se possível for, por gentileza, gostaria de saber sintaticamente qual seria a função do verbo servir no contexto mencionado. Seria complemento verbal? Oração adverbial?
Obrigado.
O adjetivo hipostilo
Escreve-se "sala hipostila" ou "sala hipóstila", com acento?
Ambos são usados na Internet e em livros, portanto não sei a que referência me dirigir.
Obrigada.
E como palavra denotativa
No contexto abaixo, seria possível inferir que a conjunção e por si só está fazendo as vezes da preposição sobre ou equivalentes como «quanto a», «em relação a», etc. Ou seria apenas casos em que se omite a preposição?
«E sua mãe, para onde ela foi?» (Quanto a sua mãe, para onde ela foi?)
«E o dinheiro, o que faço para reavê-lo?» (Sobre o dinheiro, o que faço para reavê-lo?)
Agradeço desde já pela disponibilidade, compreensão e apoio de sempre!
Fardo, quilo e litro com complemento nominal
Consideremos os seguintes exemplos:
«Bebi dois fardos de refrigerante.»
«Cortei três quilos de lenha.»
«Comprei dois litros de água.»
Nestes três casos, fardos, quilos e litros parecem todos serem substantivos que não possuem existência independente (litros de quê?), portanto, seriam substantivos abstratos. Diria mesmo que não possuem sentido independente. Parece-me intuitivo, portanto, que «de leite», «de lenha» e «de água» sejam complementos nominais, respectivamente, dos três substantivos citados, pois além de completarem os sentidos dos mesmos, possuem eles mesmos sentido passivo .
Entretanto tradicionalmente são considerados substantivos abstratos aqueles que representam qualidade, estado, ação, conceito ou sentimento; não é mencionada quantidade ou ordem de grandeza nessa definição.
Minha dúvida é se se substantivos desse tipo são de fato abstratos, ou se são concretos. Nesse último caso, «de leite», «de lenha e «de água» seriam adjuntos adnominais, o que me soa "insuficiente", pois aí seriam termos acessórios; os substantivos citados parecem requerer obrigatoriamente um complemento.
Muito obrigado desde já!
