DÚVIDAS

Modo verbal depois de «ter a impressão de que» e «que pena... !»
Um aluno meu escreveu a seguinte frase num exercício sobre reclamação num restaurante: «... Por favor senhor, mais valia que não me perguntasse nada. O peixe foi muito salgado e em cima de tudo tive a impressão que o peixe não cheirasse bem. Que pena que houvesse areia na salada!» Segundo o que eu considero correto, corrigi os verbos para: «... O peixe ESTAVA muito salgado e em cima de tudo tive a impressão que o peixe não CHEIRAVA bem. Que pena que HAVIA areia na salada!» Em relação ao primeiro verbo o aluno entendeu: optamos por estar em vez de ser porque é uma situação temporária. Mas em relação aos outros dois verbos, ele colocou no imperfeito do conjuntivo porque ele «teve a impressão», ou seja, como é uma suposição e não uma certeza, na opinião do aluno tem de ser no conjuntivo e não no indicativo. Contudo, eu não acho que esse modo verbal fique adequado nas frases mencionadas. É válido também o uso do pretérito imperfeito do indicativo para expressar suposições? Como posso explicar isso aos alunos? Fico muito grata pela vossa ajuda!
Todos, coordenação e próclise
Tenho dúvidas quanto à colocação dos pronomes clíticos nas frases em que existe enumeração de ações. Por exemplo, na frase «Todos se riam», o todos desencadeia a próclise. Mas numa frase em que se enumerem várias ações e o verbo pronominal se encontre no meio ou no fim, deve haver próclise ou não? A forma correta é «Todos falavam, se interpelavam, se riam e conversavam», ou «Todos falavam, interpelavam-se, riam-se e conversavam»?
A expressão «ser da Lourinhã»
Uma colega perguntou-me se conhecia a expressão «Pensas que sou da Lourinhã?», no sentido de «Pensas que sou estúpido?» ou «Pensas que sou parvo?». Desconhecia. A mesma questão foi colocada por ela a vários outros colegas e a maioria conhecia a expressão. Numa pesquisa breve na Internet encontrei uma explicação a que não sei se atribua crédito ou não e que radica a origem da mesma no desaparecimento, nos anos 30 do século passado, de um cão de grande porte de uma casa senhorial na Lourinhã, a que seguiram diversas mortes de ovelhas, coelhos e galinhas, falando-se mesmo em vitelos e até num burro, atribuídas ao cão. Havia quem lhe chamasse «a loba» ou «raposa». Deu-se caça ao animal e quando o mesmo foi abatido, constatou-se tratar-se «apenas de uma cadela». Ou seja, ter-se-á caído num logro. Alegadamente, a expressão terá advindo daí. Podem, por favor, na medida do possível, confirmar a existência da expressão e a sua origem? Obrigado.
Ato ilocutório assertivo
No título "Amor de perdição: um bom romance canonizado pelas razões erradas", retirado de Luís Miguel Queirós in https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/amor-de-perdicao-um-bom-romance-canonizado-pelas-razoes, o ato ilocutório, se bem que expresse uma opinião do autor, não será assertivo, pois não apresenta um estado de espírito do locutor, mas sim afirma o que o mesmo pensa do romance? Quanto muito, pelo que investiguei, os adjetivos "bom" e "erradas" retiram alguma força de assertividade ao ato? Grata pela atenção.
«É a tua irmã» vs. «é tua irmã»
Ultimamente tenho recebido muitas perguntas dos meus amigos que imigraram recentemente para Portugal e estão a tentar aprender a língua. De facto são muitas as dúvidas e poucas as fontes de informação. Uma das questões mais confusas é o uso do artigo definido antes dos pronomes possessivos. Por exemplo: – Pedro, a Filipa é (tua/ a tua) irmã? – Qual é (sua/ a sua) profissão? Acho que as duas formas são aceitáveis, no entanto, sendo estas perguntas retiradas de um teste de português, acredito que haja “a resposta”. Agradecia que me esclarecessem essa questão.
Cotitularidade e contitularidade
Na frase «F é contitular da conta bancária nº #########», o que é que é correto dizer e escrever? "Contitular" ou "co-titular" (ou "cotitular")? E, em consequência: "contitularidade" ou "co-titularidade" (ou "cotitularidade")? Tenho visto, em locais diferentes – inclusive em decisões de tribunais – a utilização destas palavras e gostava de saber qual é a forma correta de o dizer e escrever. Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa