Sobre o uso do termo êntase
Pretendia saber da legitimidade do uso de "êntase" no seguinte texto: «A intenção fundamental das principais correntes místicas orientais não é sair de si mesmo para se unir a um Outro por amor — êxtase —, mas antes descer às profundidades do seu ser para aí descobrir que a sua verdadeira identidade une-se à do Último — êntase.» Se me puderem dar esse esclarecimento, fico-lhes grato.
Adianto que, entretanto, vasculhei a Internet e encontrei este termo aplicado a determinado tipo de meditação mística (interiorização profunda!). Digam-me o que lhes parece sobre isto. Poderá ser considerado um neologismo ou um termo do glossário religioso!?
Sobre o termo desidentificação
A frase que li foi a seguinte: «A "Revolta de Barbalho", um movimento pouco conhecido ou citado na história do Brasil, constitui um marco no longo processo de desidentificação entre os interesses dos colonos e o das autoridades metropolitanas e seus representantes na colônia.» Pergunto se o termo "desidentificação" está correto.
Antecessor e predecessor
Uma pergunta recente sobre a diferença entre progenitor e genitor fez-me lembrar de uma suposta diferença entre antecessor e predecessor. Embora todos os dicionários atuais deem antecessor como sinônimo de predecessor e vice-versa, mostrando, assim, que não há diferença semântica entre estas palavras, houve, todavia, no passado quem sustentasse que antecessor seria o que vem imediatamente antes de alguém num cargo qualquer, enquanto o predecessor seria o que vem antes, porém mediatamente. Assim, se os que sustentavam esta tese estavam certos, o papa Bento XVI teve como antecessor o papa João Paulo II e como predecessores os papas João Paulo I, Paulo VI, Bento XIV, Leão X, Gelásio I, São Lino, São Pedro Apóstolo. Vale registrar ainda que também existiam os que não viam diferença alguma entre as duas palavras: Rui Barbosa, brasileiro cultíssimo, parece ter sido um deles.
Gostaria de saber o que pensa o Ciberdúvidas sobre esta polêmica. Se for da opinião que são iguais, gostaria que me dissesse sobre o acerto de se dizer «antecessor/predecessor imediato/mediato» ou «não-imediato».
Muito obrigado.
A pronúncia de olfacto, peremptório, dicção, carácter e caracteres
Pergunto: segundo a norma de pronúncia-padrão, pronunciam-se as consoantes c-p-c (que estão seguidas de outra consoante) nas palavras em epígrafe? Em caso afirmativo, segundo o Novo Acordo, vão manter-se, não é verdade? E se houver pessoas que sempre pronunciaram "dição", "perentório", é erro escreverem como as pronunciam, ou podem considerar-se correctas as duas grafias?
Sobre o termo recidiva
Gostava de saber como se escreve correctamente "recisiva" ou "resciva", por ex., um novo tumor donde já fora retirado um.
«Coffee break» e «pausa (para o café)»
Desculpem perguntar, uma vez que este site tira dúvidas em português: se num cartaz ou folheto tiver de escrever "Coffee-Break", qual é a forma mais correcta de o fazer?
Numa busca no Google e em inglês, vejo sem hífen. Por ser um estrangeirismo tem de ser sempre em itálico, correcto?
É legítimo nestes casos fazer a revisão de acordo com a forma que vejo mais escrita no Google (uma vez que suponho que não apareçam nos nossos dicionários)?
Muito obrigada.
Abreviaturas de santo: Sto, Sto. e S.to
Eu tenho uma peça que estou a rever em que tenho escrito como nome de uma localidade "Sto António" (sem ponto final, assim mesmo). Olhando para isto, a minha primeira acção foi colocar um ponto a seguir, ficando Sto. António. Está incorrecto? O que poderei fazer? Terei mesmo de escrever Santo?
Obrigada.
Sobre um «lençol de cima» na obra de Saramago
No contexto «Andei o resto do dia fora (...), saí da cidade no carro, levando ao lado a resma de papel, como quem passeia uma nova conquista, daquelas para quem o automóvel é já lençol de cima» (José Saramago, Manual de Pintura e Caligrafia), queria saber se «lençol de cima» é uma expressão idiomática consagrada/habitual, ou se devo considerar o significado sugerido pela associação que o autor faz.
Agradeço desde já a sua atenção.
Reforço de sufixos diminutivos e aumentativos
Sou estudante da Universidade do Minho, e encontro-me actualmente a elaborar um estudo contrastivo português-francês sobre os sufixos diminutivos. Deparei-me com uma dúvida, quando descobri a criação lexical "inhozinho". Gostaria de saber se existe na língua portuguesa e que qualificação linguística tem.
Agradeço desde já.
Vírgulas com contudo, porém e «como por exemplo»
Segundo me recordo, pela altura da minha 4.ª classe no Outeiro de São Miguel, na Guarda, ensinava-nos a irmã Gaspar (a nossa professora de Português) que, se bem que existam situações em que as vírgulas devam ser obrigatoriamente utilizadas, elas são utilizadas para acentuar uma pausa, de forma (a) que (por forma que) o leitor ou orador que está a ler o texto tenha a possibilidade de respirar durante a leitura e destacar de forma adequada o sentido das palavras. Alguém me dizia também que as vírgulas podem ser livremente utilizadas, desde que isso faça sentido. Custa-me contudo acreditar que, se bem que certas situações sejam admitidas como certas, elas venham substituir definitivamente as situações que anteriormente estavam legitimamente certas. Acho que é a isso mesmo que se chama evolução (da língua), o que não quer automaticamente dizer que ela siga pelo melhor caminho.
A título de exemplo:
«, contudo,»
«Se desejar contudo proceder...» (a minha versão, a qual considero mais acertada) vs. «Se desejar, contudo, proceder...» (a outra versão)
Acho uma aberração a utilização de uma única palavra entre duas vírgulas.
Seguindo esta mesma lógica, pior ainda será utilizar duas vezes na referida situação:«, como, por exemplo,». Segundo o meu parecer, acertado será «, como por exemplo,».
Será que alguém me poderia elucidar mais alguma coisa acerca do assunto?
