Arqueologia industrial
Poder-se-á dizer arqueologia industrial? E, em caso afirmativo, o que se entende por arqueologia industrial? Muito obrigado.
Palavras e uso linguístico
Depois das festas de Natal e de Ano Novo, regressámos com mais perguntas e respostas. Muitas continuam a centrar-se em dúvidas sobre a grafia, a pronúncia e a criação (neologia) de palavras. Por exemplo, acerca de um recente acontecimento automobilístico, recordamos que a capital do Senegal tem grafia portuguesa – Dacar.
Pensar sobre as palavras motiva, por outro lado, a questão do seu uso. Uma pergunta incide precisamente sobre o nível ou o registo de língua de expressões como uma espécie de, um tipo de, entre outras.
Também vão surgindo questões que dizem respeito ao contraste entre sistema e norma. No fundo, o que intriga alguns consulentes é a existência de irregularidades numa língua.
Assim começamos 2006, a reflectir sobre a Língua Portuguesa e a trabalhar para a sua afirmação.
«Um meio-soprano», ou «uma meio-soprano»?
«Pauline (Garcia) Viardot foi um notável meio-soprano que começou a compor ainda jovem», li no prospeto informativo da ópera-circo Cinderela de Viardot, levada à cena no Teatro Nacional de São Carlos, Lisboa.
Pelo que vejo em anteriores esclarecimentos no Ciberdúvidas , tratando-se de qualificar o timbre de voz em causa, a frase não levanta dúvidas. Teria de se empregar mesmo no masculino: «(...) um notável meio-soprano». Acontece, e essa é a minha dúvida subsequente, que não fica claro o sentido da frase: nela não se tratava, antes, de identificar a cantora propriamente? Nesse caso, não seria mais correto, então, usar meio-soprano no feminino (portanto, « (...) uma notável meio-soprano»)?
Saber mais para falar melhor
Na semana que ora termina, os nossos consulentes concentraram as suas perguntas em quatro grandes áreas: em primeiro lugar, o léxico (13 perguntas); depois, a sintaxe e a etimologia a receberem o mesmo número de perguntas (8 perguntas cada); e, finalmente, a morfologia (6 perguntas). Não admira que o léxico venha à frente nesta lista. Quis saber-se se esta ou aquela palavra existe, com este ou aquele significado, muitas vezes pressupondo que essa existência depende da tranquilizadora entrada num dicionário. Contudo, nem sempre assim é, porque os vocábulos, num dado momento, podem ser construídos ou importados doutras línguas. Além disso, na construção de frases (sintaxe), continuam a chegar-nos perguntas sobre o se apassivante («vendem-se casas» ou «vende-se casas»?) ou à volta do uso do conjuntivo numa oração subordinada. E se a origem dos nomes comuns é certamente intrigante, já no domínio da morfologia foram de novo os plurais – como os das palavras compostas e os das palavras terminadas em -ão – que suscitaram um maior número de interrogações. A propósito do que se voltou a ouvir – e a escrever – sobre a confusão entre o grama e a grama, fica também em linha mais um excelente Pelourinho da nossa consultora Maria João Matos. Entretanto, voltamos a chamar a atenção para três iniciativas que reforçarão o conhecimento e uma melhor utilização da Língua Portuguesa. São elas: o recente acesso via Internet da MorDebe – Base de dados morfológica do português; a 8 de Novembro, o lançamento de um CD-ROM relativo ao Projecto Diversidade Linguística na Escola Portuguesa; e, a 23 de Novembro, a apresentação do Dicionário Temático da Lusofonia.
Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Lusismos
Aos estrangeirismos franceses, costumamos chamar “galicismos”, aos ingleses ou norte-americanos, “anglicismos”, e, no caso dos Brasileiros ao adotarem formas típicas do português de Portugal, que nome chamaríamos?
Espero ter sido claro nas minhas indagações.
Parabéns pelo sítio e obrigado uma vez mais pela cordial atenção.
O verbo combinar seguido de infinitivo
Gostaria de saber se é possível que o verbo combinar reja a preposição para seguida de infinitivo: «Combinamos para ir à praia»;«Quando é que combinamos para fazer um passeio?»
Sei que o verbo combinar pode reger a preposição para quando depois se menciona alguma expressão temporal: «combinamos para sexta-feira»; «combinamos para as quatro da tarde».
Mas poderia considerar-se para + infinitivo?
Desde já agradeço a atenção dispensada.
A vírgula entre a oração subordinada e a oração subordinante
«Ideia abandonada, porque os pagamentos por Multibanco ao Estado estão sempre avariados.» Está correcta esta vírgula?
Sentir + infinitivo
Antes de mais muito obrigada pelo trabalho que desenvolvem, que acompanho há anos.
Tenho uma dúvida relativamente a uma conjugação do verbo sentir, é correto dizer:
«Sinto de partilhar convosco...» ou «Sinto de vos contar...»?
«Quem sentir de fazer a...» ou «Quem sentir de fazer...»?
Grata desde já pela atenção.
Beber = buer
Nalgumas terras alentejanas ninguém diz beber, mas sim "buer" ou "boer" (não sei como escrever), sobretudo os mais velhos. Trata-se de uma forma arcaica ou simplesmente de um erro?
Rádon
Qual a designação correcta para o elemento radão/radon? (Xenon; Argon...).
Caso se escreva radão, deve pronunciar-se "rádão"? Ou a palavra é oxítona?
Antecipadamente grato.
