DÚVIDAS

A construção «estar de» + nome (vestuário)
Eu fui criticado por uma expressão que julgo estar certa e, na realidade, as pessoas que me rodeiam também a dizem. Acontece que há pessoas que dizem que é errado, na internet. Trata-se da expressão «estar de». Bem sei que é usada para no referirmos a um estado provisório, não habitual, como «estou de baixa», «estou de férias» ou «estou de trombas», certo? Acontece que a mesma expressão, no meio em que estou inserido, ou seja em Lisboa, e pensando eu que seria no país todo, o que até pode ser que seja o caso, também se usa a expressão «estar de» em relação ao vestuário. Por exemplo: «Eu hoje estou de ténis»; «ele está de calções e de T-shirt». Penso que já perceberam a ideia? Conhecem esta expressão também? Ela é estranha? Existe alguma agramaticalidade contida na mesma? Obrigado.
Oração reduzida encaixada: «quando comparada com os seus colegas»
Na frase «Ela trabalha muito bem quando comparada com os seus colegas», o particípio passado comparada concorda com o sujeito. Não me parece que tenha função adjetival, mas também não há verbo auxiliar para me dar a certeza de que se trata da voz passiva. Parece-me haver omissão do verbo ser: «Ela trabalha muito bem (se for) comparada com os seus colegas.» Será assim? Obrigada.
Adjuntos adverbiais e apostos explicativos
Ao ler uma notícia, deparei-me com a seguinte frase: «Um carro contratado para conduzir um funcionário da equipe do ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Márcio Macedo, foi roubado por criminosos na manhã desta quinta-feira (14), na Rua do Riachuelo, no Centro do Rio, em frente ao Hotel Monte Alegre.» Minha dúvida é quanto à justificativa do uso indiscriminado de vírgulas na presença de adjuntos adverbiais nessa frase: «na manhã desta quinta-feira (14)» ⇒ um adjunto adverbial tempo «na Rua do Riachuelo» ⇒ um adjunto adverbial de lugar «no Centro do Rio» ⇒ seria um adjunto adverbial de lugar ou um aposto circunstancial que identifica a região como localizada no Centro do Rio? «em frente ao Hotel Monte Alegre» => seria um simples adjunto adverbial de lugar ou um aposto circunstancial que identifica o lugar exato do Centro do Rio em que ocorreu o crime? Faço essa pergunta, pois alguns adjuntos adverbiais nessa oração parecem se comportar como apostos, ou seja, dando apenas informações extras, que podem ser facilmente suprimidas. Desculpem se ficou meio confuso!
Concordância: «A equipa da empresa... o nosso colega»
A minha questão é referente à regência e/ou concordância da palavra equipa em número. Fiz uma publicação de necrologia e a mensagem era «A equipa da empresa Y comunica com pesar e consternação o falecimento da Sra. X, mãe da esposa do nosso colega Z». Entretanto, o jornal alterou para «A equipa da empresa Y comunica com pesar e consternação o falecimento da Sra. X, mãe da esposa do seu colega Z». Esta alteração suscitou debate e essa dúvida sobre se a primeira mensagem estava incorrecta. Agradecia vossos preciosos comentários.
A força do que se argumenta num período composto.
Tenho tido dificuldades para identificar a força do que se argumenta em um período composto. Para identificar, é preciso ter em mente o contexto e também identificar os operadores argumentativos, certo? Duas orações me causaram dúvidas: «De certo modo, nós alugamos o livro digital, não o adquirimos.» «Embora não tenha nascido ontem, a era digital ainda é um mundo todo novo.» Na primeira oração, a força do que se argumenta está no segmento «não o adquirimos»? Na segunda oração, a força do que se argumenta está no segmento «Embora não tenha nascido ontem»? Agradeço a atenção.
Oração condicional contrafactual e imperfeito do conjuntivo
Gosto muito do Rúben Amorim e vejo todas as conferências de imprensa dele. Tenho uma dúvida sobre uma frase que ele disse hoje, ou seja (minuto 10:32, Youtube): «O contexto é completamente diferente. Quando jogámos aqui, acho que tínhamos os mesmos pontos ou, se o Porto ganhasse, apanhava-nos na classificação.» Tendo em conta que foi um evento relativo ao passado e hoje não poderia acontecer, não deveria ter dito: «Se o Porto tivesse ganhado, ter-nos-ia apanhado/tinha-nos apanhado na classificação»? Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa