DÚVIDAS

Personificação e enumeração num texto de Ilse Losa
Qual o recurso expressivo presente no excerto que transcrevo abaixo (a partir de «Começou por pintar...»)? Personificação ou enumeração? «É que Dandy1 já não era o cachorro sem juízo. Amadurecido pela vida dura que levara na quinta do lavrador, tornou-se um companheiro de se lhe tirar o chapéu. Começou por pintar as cadeiras que tinha roído. Depois tomou a seu cargo vários trabalhos domésticos: lavava a louça, remendava lençóis e toalhas; fazia compras no minimercado. Para além de tudo isso deu-se ao luxo de estudar a História do Império Romano.» (Ilse Losa, O Rei Rique e outras histórias. Porto Editora, 2006, p. 21). Obrigada.   1. A personagem Dandy é um cão.
O verbo plasmar
No passado domingo [12/01/2025]  no programa Princípio da Incerteza com a dra. Alexandra Leitão, dr. Miguel Macedo e dr. Pacheco Pereira, a primeira intervenção coube à dra. Alexandra Leitão de que cito parte da seguinte passagem: «E aquilo que motivou, pelo menos a mim, e muita gente a ir à rua foi uma afirmação de defesa de valores, que são os valores e os princípios em que assentam os regimes democráticos e os regimes dos estados de direito e, em especial, estamos em Portugal, o regime que está PLASMADO na constituição em 76, que saiu do 25 de abril, o que é em concreto liberdade, igualdade, não discriminação, dignidade da pessoa humana, tudo isso...» Ora tenho-me deparado recorrentemente com a utilização «está plasmado» na constituição, na lei n.º..., etc. Embora perceba o sentido, agradeço o Vosso esclarecimento, já que o significado que aparece no dicionário da Porto Editora não tem nada a ver com o que, como digo, aparece frequentemente enunciado.
Os coloquialismos «toda vida que» e «tudo que»
Gostaria do parecer dos amigos em relação ao seguinte fato: desde muito cedo mesmo, antes de entender um pouco de gramática, sempre ouvi expressões como "toda vida que", "tudo que" para expressar uma ideia de tempo futuro. Após aprender um pouco de gramática na escola é que entendi que tais expressões fazem parte da classe das conjunções temporais, porém não encontrei nenhuma referência sobre as referidas locuções em nenhuma das fontes que consultei, embora eu perceba que o uso no cotidiano é bem corriqueiro, sendo inclusive bastante utilizado por minha professora de língua portuguesa: «Toda vida que preciso de dinheiro emprestado, corro para casa de meus pais» (todas as vezes que). «Tudo que esta tempestade cessar, irei embora daqui» (assim que). Assim, por gentileza, poderiam me informar se há algum registro em alguma fonte (gramáticas, dicionários ou obras literária) ou seria apenas um regionalismo aqui no Brasil? Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa