O verbo degredar com complemento oblíquo
Na frase «Acabou por ser degredado para a Índia», «para a Índia» desempenha que função sintática: c oblíquo ou c. do adjetivo. Percebi que o verbo degredar é transitivo, mas fico com dúvidas nesta formulação. Obrigada.
O verbo confrontar, de novo
Em relação à semântica do verbo confrontar, é possível dizer-se «O medo é perder a esperança e não estar preparado para confrontar os seus temores»?
Obrigado.
A expressão «pé de castelo» (Goa)
Tenho estado a ler a obra Jacob e Dulce do luso-goês Francisco João da Costa (Gip) e, em pelo menos duas passagens, há personagens que se referem ao protagonista como «pé-de-castelo». Pelo contexto, depreende-se que será alguma forma de desconsideração. Porém, não consegui encontrar o significado concreto desta expressão em nenhum dicionário online e, mesmo esquadrinhando pelo Google, só encontrei alusões a um determinado tipo de formação/unidade militar histórica.
Sabem o que é que poderá significar ao certo?
Obrigado.
O verbo fazer: «faz de alguém um herói»
Perguntava-vos se na frase «Isso é o que faz alguém "de" herói» há alguma incorreção do ponto de vista sintático?
Obrigado.
O nome ilimitude
Gostaria de saber se o emprego da palavra "ilimitude" é correcto, em comparação com ilimitação ou ilimitabilidade.
Ou seja, procuro o termo que significa «qualidade ou estado do ilimitado» – o que me conduz para "ilimitude" Porém, não encontro no dicionário este termo, embora o encontre em alguns trabalhos de filosofia.
Preferia não usar o termo ilimitação, pois induz o significado de «acção ou efeito de não ter limite» – quando o que procuro é «qualidade ou estado» Ilimitabilidade poderá ser uma alternativa, que, adicionalmente, encontro no dicionário.
Contudo, por simples questão de gosto, tendo para "ilimitude". Não estou certo de que esta palavra exista ou que esteja correcta.
Muito obrigado.
N. E. – O consulente segue o Acordo Ortográfico de 1945.
O nome pretérito
Os dicionários da Priberam e da Infopédia registam pretérito como adjetivo, no sentido de «passado». Como nome é só o tempo verbal. Já o dicionário da Academia das Ciências de Lisboa regista o nome pretérito com o sentido de «passado».
Posso usar pretérito como nome?
Um exemplo: «O pretérito era duro, não havia muito do que há nos nossos dias.»
O imperfeito do conjuntivo em lugar do mais-que-perfeito do conjuntivo
Acabei de ler o titular que se segue: «Se o Salgueiro Maia cumprisse a ameaça de destruir o Carmo, teriam morrido centenas de pessoas.»
Gostaria de saber se esse uso do imperfeito do conjuntivo é correto, ou deveria ser «tivesse cumprido», dado que é um facto do passado.
No caso de o uso ser correto, gostaria de saber o porquê.
Muitíssimo obrigada.
Suplicar e querer
Pergunto-vos se o verbo suplicar admite esta ocorrência:
«Ele suplica QUE queria ver a pessoa DE QUEM ele estaria gostando.»
Aproveito, ainda, para se a expressão «de quem» está correta.
Obrigado.
Ato ilocutório assertivo: «Falo do tempo e de pedras» (Saramago)
Agradecia que me indicassem o ato de fala presente em «Falo do tempo e de pedras, e, contudo, é em homens que penso« (José Saramago, A Bagagem do Viajante, 8.ª ed. Editorial Caminho, 2010, pp. 223-225).
Predicativo do complemento oblíquo
Estou com dificuldades em analisar sintaticamente a frase «Fiz do recreio uma festa».
A minha primeira intuição foi considerar o constituinte «uma festa» complemento direto e o constituinte «do recreio» complemento oblíquo. Mas fazendo a substituição pronominal do complemento direto não me soa muito gramatical a frase «Fi-la do recreio».
Parece-me que aqui o verbo fazer se comporta como um verbo transitivo direto, no sentido de «Transformei o recreio numa festa». Neste caso «o recreio» seria complemento direto e «uma festa» seria predicativo do complemento direto. Substituindo o complemento direto pelo pronome, ficaria «Transformei-o numa festa», o que é perfeitamente gramatical.
O problema da primeira fase é que em termos de sentido ela é equivalente à segunda frase, mas as categorias sintáticas não me parecem encaixar bem.
Outro exemplo: «Fiz o João feliz». Aqui não me parece haver dúvidas: «o João» complemento direto e «feliz» predicativo do complemento direto («Fi-lo feliz»). Mas, retomando o primeiro exemplo, eu poderia dizer, com um significado semelhante: «Fiz do João uma pessoa feliz». E, com a estrutura do verbo fazer, o complemento direto passaria a ser «uma pessoa feliz» e «do João» complemento oblíquo.
Mas mais uma vez não me parece muito gramatical a construção: «Fi-la do João.»
Obrigado.
