DÚVIDAS

Espoletar/despoletar
Na noite do dia 8 de Abril, num programa informativo da portuguesa TVI, ouvi o Director dos Serviços Prisionais e o jornalista usarem o verbo despoletar umas cinco ou seis vezes, sempre com o sentido de "desencadear/ originar". Lembrei-me então das várias respostas/críticas em linha no Ciberdúvidas acerca do uso e significado deste verbo e decidi enviar-vos este comentário. Numa das suas muitas respostas em linha, o Prof. JNH afirma, e muito bem, que "a linguagem não é só para ser compreendida, é também para ser sentida.". Surgem então as seguintes questões: porque é que tanta gente "sente" que despoletar significa desencadear, originar, iniciar, activar, etc.? Porque é que ninguém usa, com esse sentido, a palavra espoletar, a qual, aparentemente, seria a mais indicada? Esta última questão leva-nos para uma outra: se "pôr espoleta em" é espoletar, "tirar espoleta de" não deveria ser desespoletar? Se des + espartilhar deu desespartilhar, se des + esperança deu desesperança, se des + esperar deu desesperar, se des + estagnar deu desestagnar, se des + estorvar deu desestorvar, etc., etc., porque é que des + espoletar não dá desespoletar? Será que despoletar é, realmente, sinónimo de desespoletar? Procurei em vários dicionários (edições recentes e antigas, tanto portuguesas como brasileiras) e nenhuma destas palavras (despoletar e desespoletar) está dicionarizada. Isto quer dizer que a palavra despoletar ainda não tem uma significação "oficial", isto é, aceite pelos dicionaristas. Porquê, então, insistir em atribuir-lhe um significado que é oposto ao que os lusófonos "sentem" que ela tem? Peço desculpa por estar a "meter a foice" numa seara que, claramente, não é a minha.
Pontos-chaves
Obrigado pela interessante resposta dada à minha queixa sobro o abuso das chaves. Chave, chave, chave, (in Respostas Anteriores). Mas fiquei com uma dúvida. Dizem que se deve escrever pontos-chaves (e não -chave). Mas então não é este um caso de um composto "de dois substantivos ligados por hífen, denotando o segundo elemento uma noção complementar de fim..."? É que se assim for, então "só o primeiro elemento vai para o plural: escolas-modelo..." (citações: Prontuário Ortográfico, Ed. Notícias, 17ª edição, p.111).
Rima rica e rima pobre
Antes de mais, felicito-os pelo excelente trabalho que fazem em prol da língua portuguesa. De forma geral, aprendemos na escola que rima rica é aquela em que o autor utiliza palavras de diferentes categorias; rima pobre, aquela em que são usadas palavras da mesma categoria gramatical. Porém, recentemente, tenho visto outras designações tais como «rima rica é a que requer igualdade de sons vocálicos e consonânticos a partir da última vogal tónica». Outros autores rejeitam por completo rica e pobre, devido à conotação negativa que a última pode ter. Resumindo: 1. Existem as denominações de rima rica e rima pobre? 2. Se sim, como se distinguem? 3. Se não, como classificar os versos que terminam em bonita (adj.)/saltita (v.), vão (v.)/são (v.), feliz (adj.)/infeliz (adj.), ordem (n)/sacodem (v.)? Muito obrigada pela atenção recebida.
Fora dif. de fôra
Por que razão «fora» (primeira e terceira pessoas do singular do pretérito mais-que-perfeito do verbo ser) não leva acento circunflexo no 'o', enquanto que esse é o caso em «fôramos» primeira pessoa do plural dos mesmos tempo e verbo? Aparentemente, deveria ser «fôra» e não «fora». A fonética da primeira sílaba de fora e fôramos é exactamente a mesma. Além disso, «fôra» permitiria a distinção entre este tempo verbal e o substantivo fora /ó/. Qual é o meu erro?
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa