Grupo nominal e pronome relativo: «Um friso, que poderia ser cinema»
Na passagem «Como um friso – de pessoas, lugares e acontecimentos, quantas vezes maiores que a própria vida –, que poderia muito bem ser cinema se, por acaso um dia, a ele fosse adaptado», agradecia que me precisassem, no caso de ter de transcrever, o antecedente do pronome relativo que presente em «que poderia muito bem ser cinema»: «um friso» ou «friso»?
Antecipadamente grata!
A sintaxe do advérbio não
Li na Gramática do Português de autoria de Clara Amorim e Catarina Sousa que o advérbio não pode modificar grupo verbal (1) ou frase (2) e que, neste último caso, «o advérbio não forma unidade sintática com o verbo».
(1) «Não desvies a conversa, Armando.»
(2) «Não quero sorriso de esperança.»
Para ser sincero, não dei por nenhuma diferença no que diz respeito à função sintática de não.
Podem-me clarificar esse assunto?
Obrigado.
Adjunto adverbial virgulado
Eu gostaria de saber se a seguinte frase deve ter necessariamente seu adjunto virgulado: «De lá para cá suas formas se ampliaram.»
Observando que tem longa extensão, deve-se colocar vírgula?
De acordo com a obra de Maria Piacentini (2017), locuções adverbiais podem ter vírgulas dispensáveis, quando não há necessidade de ênfase ou pausa.
Qual posição deve ser adotada?
Orações substantivas antes das principais
Em todas as gramáticas que consultei, as orações substantivas sempre estão depois das principais. Isso é uma regra?
Não posso colocar a subordinada substantiva antes da principal? Li uma resposta do Ciberdúvidas em que se diz que podemos ter as objetivas antes das principais; mas são apenas essas ou todas substantivas?
Na minha visão, podemos ter no mínimo a maioria, já que: conseguimos deslocar os objetos diretos, os indiretos, os sujeitos...
Mas sabemos que apenas a visão de um curioso não conta. Por isso peço ajuda aos Senhores.
Desde já agradeço a atenção.
O verbo desculpar: «Desculpe pelo atraso»
Qual é que está correto?
a) «Desculpe o atraso» ou «Desculpe pelo atraso»?
b) «Desculpe o atraso do meu trabalho» ou «Desculpe pelo atraso do meu trabalho»?
Obrigadíssima!
Verbos transitivos e intransitivos «de facto»
Como saber quando um verbo é ou não intransitivo de fato?
Na frase: «A professora agiu favoravelmente aos alunos», o verbo agir é verbo transitivo direto ou verbo intransitivo?
Mesmo existindo "tabelas" na Internet de verbos intransitivos, existem casos em que esses verbos têm complementos.
Enfim, na frase acima, como posso classificar o verbo?
Obrigada.
Complemento do nome: «meter-se na pele dele»
Qual a função sintática desempenhada por dele na frase : «soube muito bem meter-se na pele dele.»?
Iteroparidade vs. semelparidade
Qual a etimologia de iteroparidade?
Sobre a sequência «... e mas»
Eu gostaria de saber se há algum respaldo da gramática prescritiva para a combinação de duas conjunções (e + mas).
Encontrei isso num verso de Gonçalves Dias: «Nem tão alta cortesia / Vi eu jamais praticada / Entre os Tupis,– e mas foram / Senhores em gentileza.» (I-Juca-Pirama, VII).
Também encontrei outros exemplos:
1. «A ameaça rugiu-lhe no coração e mas a cólera cedeu à angústia e ele sentiu na face alguma cousa semelhante a uma lágrima.» (Helena – Machado de Assis);
2. «Ele aqui abriu a carteira com ares de ricaço, tirou umas notas e mas quis meter nas mãos, dizendo […]» (Paulo – Bruno Seabra).
Seria uma forma mais rara de dizer «…e, no entanto, […]»?
Obrigado.
«Enquanto não» com presente do conjuntivo num verso de Torga
Sou um amante de poesia e, a nível nacional, tenho uma grande estima pela arte de Miguel Torga (1907-1995). Defendo que o poema "Sísifo" detém uma profundidade rara e propõe uma conexão imediata às palavras utilizadas. Um poema simples e genial.
No entanto, há uma passagem sobre a qual tenho uma dúvida gramatical:
«Recomeça....
Se puderesSem angústiaE sem pressa.E os passos que deres,Nesse caminho duroDo futuroDá-os em liberdade.Enquanto não alcancesNão descanses.De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.Sempre a sonhar e vendoO logro da aventura.És homem, não te esqueças!Só é tua a loucuraOnde, com lucidez, te reconheças...»
Os versos «Enquanto não alcances / não descanses» são obviamente inteligíveis, mas a utilização de alcances deixa-me sempre na dúvida sobre se não seria mais correto alcançares. Está correto? Ou demonstra a utilização de licença poética para que os versos rimem emparelhadamente?
Obrigado desde já.
